segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Despedida na IP Nova Suíça



O FIM DE UM CICLO, O INICIO DE UM NOVO!

Foram 226 cultos públicos sob nossa direção litúrgica e pastoral. O primeiro culto em 10/06/2012, quando pregou o presidente do Conselho da Primeira Igreja na época, Rev. Ludgero Bonilha Morais, e o último ontem dia 18/12/2016, quando pregou o atual presidente do Conselho, Rev. Edson Costa e Silva.

Nestes quatro anos e meio, tive o privilégio de ser o pastor plantador da Congregação presbiteriana Nova Suíça, filha da Primeira Igreja de Belo Horizonte. Neste tempo precioso forjamos muitas amizades, batizamos, oficiamos profissão de fé, sepultamos irmãos, instruímos a muitos, aconselhamos, preparamos noivos para o casamento, discipulamos novos convertidos e pessoas sem igreja vindas de outras tradições religiosas, tudo mercê de Deus.

Pregamos expositivamente todo o livro de Gênesis, Romanos, As Parábolas de Jesus, o Evangelho de João, Apocalipse, Hebreus, Efésios, os trinta primeiros Salmos e Filipenses. Estudamos todo o Antigo Testamento até o livro de Atos no Novo Testamento, na Escola Bíblica Dominical. Estudamos ainda as doutrinas preciosas da graça, com material do Rev. Leandro Lima. Lemos no culto público todo o catecismo reformado de Heidelberg, o catecismo maior de Westminster, e o catecismo menor (breve) de Westminster.

Celebramos 54 vezes o sacramento da Ceia do Senhor. Dirigimos 228 reuniões de oração. Distribuímos no bairro em mais de mil residências o devocionário Cada Dia de Natal, e distribuímos nas ruas e casas próximas da congregação cinco mil folhetos e livretos evangelísticos.  Ministramos a oficina “Casais do Pacto”, para oito casais da igreja. Realizamos um Mackenzie Voluntário. Tivemos diversos almoços da família presbiteriana, confraternizamos, abraçamos, beijamos, choramos, rimos, fizemos de tudo um pouco na comunhão dos santos, para o louvor da glória de Deus.

Tudo fizemos, e nada pudemos fazer, sem apoio de uma equipe preciosa de voluntários e fieis, que nos assistiriam neste tempo profícuo. Irmãs e irmãos que se revezaram comigo na Escola Bíblica para adultos, jovens e crianças. No púlpito da igreja, na condução litúrgica, no pastoreio do rebanho do Senhor. Não citarei nomes para não cometer a injustiça de esquecer de alguém. Todos foram instrumentos da graça de Deus neste ministério.

Termino minha passagem aqui pela congregação Nova Suíça, com a sensação de que poderia ter feito mais, peço perdão a Deus e aos irmãos por isso, mas o que fiz, o fiz com inteireza de coração e amor. Levo comigo muitas amizades e boas lembranças. Rogo a Deus para que ele continue sustentando este rebanho e promova aqui o que convencionei chamar dos três “C’s”: Crescimento, Compromisso e Consolidação, para o louvor da glória de seu nome!

Antes de partir para o novo desafio de grande responsabilidade, que é substituir meu amigo Rev. César Guimarães do Carmo, na preciosa IPJO, registro minha gratidão ao Rev. Ludgero, um visionário e grande líder, por me oportunizar iniciar este projeto de plantação de igrejas; ao Conselho da Primeira Igreja, por atender à solicitação de seu pastor na época; e aos colegas da equipe pastoral da PIPBH, e do PBHZ por confiar sua amizade e apoio neste ministério evangelizador. 

Deixo três versos bíblicos que nortearam nosso ministério em Nova Suíça para nossa edificação:

“Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.” 1Ts 5.18

“...fazei tudo para a glória de Deus.” (1Co 10.31b)


“E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens,” (Cl 3.23)

domingo, 18 de dezembro de 2016

DIA DO PASTOR PRESBITERIANO

Resultado de imagem para DIA DO PASTOR PRESBITERIANO
Rev. José Manuel da Conceição
(primeiro pastor presbiteriano brasileiro)

O dia do pastor presbiteriano comemora-se em 17 de dezembro. Trata-se de uma celebração do presbiterianismo brasileiro. Essa data refere-se à ordenação do reverendo José Manuel da Conceição, em 17 de dezembro de 1865, tornando-se assim o primeiro pastor protestante ordenado nascido no Brasil.

O pastor presbiteriano é alguém que, chamado por Deus, foi reconhecido em seus dons pela igreja local, que após examiná-lo no Conselho, o encaminhou para ser também examinado no presbitério. Ali, depois de sabatinado e verificado os requisitos constitucionais para sua candidatura a aspirante ao sagrado ministério da Palavra, se aprovado, será encaminhado para ter uma formação teológica em um dos seminários presbiterianos da IPB. Evidentemente, antes disto, ele precisa ser aprovado em vestibular regular para cursar o bacharelado de teologia, em um dos seminários já citados.

Pois bem, vencida esta primeira etapa, o agora seminarista, aspirante ao ministério, cursará teologia, com duração regular de 4 anos pelo menos. O presbitério nomeará neste meio tempo um tutor eclesiástico, que em regra é um ministro, para acompanhar a vida acadêmica e pré-ministerial do candidato seminarista. Este tutor, por regras constitucionais, deverá apresentar relatório sobre seu tutelado anualmente ao presbitério, por ocasião de sua reunião ordinária. Então será decidido, a cada ano, se o concílio reencaminhará o seminarista para continuidade do seu curso, e manterá sua candidatura. 

Vencido o curso de teologia, no final deste, o candidato seminarista apresentará ao presbitério sua exegese de um texto bíblico do AT ou do NT, e uma monografia que tratará de um tópico de nosso Confissão de Fé. Exegese e monografia que já foram apresentados no seminário, e que deverão ser aprovadas tanto lá, quanto pela comissão de exame de monografias  e exegeses do presbitério. Além disto, o candidato pregará um sermão de prova diante do presbitério, e depois será, em sessão privativa, sabatinado sobre suas opiniões teológicas e conhecimentos bíblicos e confessionais. Também ouvirá a crítica de seu sermão. Em todas estas avaliações deverá ser aprovado. Somente depois de aprovado em seu sermão, no exame de sabatina teológica, no exame de sua exegese e monografia, depois de sua formatura no curso de bacharel em teologia, é que ele será licenciado pelo presbitério (uma espécie de residência, período probatório), onde terá oportunidade de pregar e ensinar em um campo provido para isto, sob a tutela de um tutor eclesiástico. 

Depois de um ano de licenciatura, em regra, podendo se estender no máximo por mais um ano, é que o candidato será novamente examinado, agora com vistas a ser ordenado como Ministro do Evangelho, pastor Presbiteriano. Este exame será diante do presbitério novamente que entrevistará o licenciado em comissão de candidatos, ouvirá um novo sermão para fins de crítica, e fará oitiva em sessão privativa para confirmar suas opiniões teológicas. 

O tutor deve também apresentar um relatório detalhado, solicitando ou não a sua ordenação. Se houver campo disponível, somente depois de todos estes passos, é que o licenciado, bacharel em teologia, será ordenado em culto público com imposição de mãos de todo o presbitério (pastores e presbíteros).

Este é o início do ministério de um pastor presbiteriano. Mas é somente na lide pastoral, ano a ano, que este ministro é de fato provado e aprovado.


Parabéns a todos os meus colegas presbiterianos neste nosso dia! Se você chegou até aqui, é bem provável, com muitas evidencias, de que de fato você é um vocacionado ao ministério pastoral!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O QUE A MÍDIA NÃO DIZ SOBRE A MORTE DE YURI - FILHO DE TATI QUEBRA BARRACO

Foi morto a tiros nesta madrugada deste domingo, dia 11 de dezembro, na Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio, o filho da famosa funkeira Tati Quebra barraco. Uma tragédia humana familiar, considerando que o rapaz tinha apenas 19 anos. Contudo, não se trata de um acidente, uma fatalidade, ou, como estão querendo mais uma vez passar a opinião pública, um ato covarde de abuso da Policia Militar. O que aconteceu já era previsível. Alguém que escolhe a vida da criminalidade, da violência do tráfico e o desrespeito as instituições de segurança pública, mais cedo ou mais tarde, colherá os frutos amargos de sua escolha. É a famosa lei da semeadura. Neste caso, Yuri colheu a morte no confronto com a polícia. 

De acordo com o comandante da UPP Cidade de Deus, capitão Daniel Cunha Neves, os policiais da UPP Cidade de Deus foram até a localidade para checar denúncia de tráfico de drogas. Chegando ao local, foram recebidos a tiros pelos criminosos. Segundo Neves, além de Yuri e Jean, havia outros cinco bandidos.

No local onde houve o confronto, foram encontrados dois radiotransmissores, uma pistola e drogas. Na semana passada, na Quintanilha, houve outro tiroteio, que terminou com quatro presos. Os criminosos estariam tentando implementar uma boca de fumo no local.

Yuri era um jovem que já tinha sido condenado pela justiça por crimes. Não se trata, portanto, de um jovem trabalhador de periferia. Mas um criminoso condenado que usufruía o beneficio do sistema de viver em liberdade concedida pela progressão de regime penal.  Ele foi preso em flagrante, em novembro do ano passado, por furto qualificado, mas ganhou liberdade oito meses depois. Lamentamos pela dor do luto da família, mas Yuri é o caso típico daqueles que enredam pela carreira do crime para fazer fama, poder e dinheiro. Ele não é vítima da sociedade, por ser preto e de periferia (porque pobre ele não era). Não era alguém que se possa dizer não ter tido oportunidades na vida. Sua mãe, uma artista famosa, de uma arte muito duvidosa (funkeira), era uma pessoa bem-sucedida no seu ramo, e tem uma vida financeira confortável, ao que parece.

Quem melhor pode dizer quem foi este moço são pessoas que conviveram de perto com o terror que ele e sua gangue impingiam. Vejam, o depoimento em “print” de uma senhora, provável vizinha do traficante Yuri, e tirem suas próprias conclusões:


sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

DIA DA ESPOSA DO PASTOR PRESBITERIANO

“O que acha uma esposa acha o bem e alcançou a benevolência do SENHOR”. Provérbios 18.22

Resultado de imagem para esposa do pastor


No segundo domingo de dezembro convencionou-se na Igreja Presbiteriana do Brasil homenagear as esposas dos pastores presbiterianos. Gostaria de refletir neste texto algumas considerações sobre as esposas dos ministros e o importante papel que elas exercem junto aos seus maridos e filhos, cooperando para a glória de Cristo e o bem de sua igreja.

Em primeiro lugar, por que escolheram esta data?

Bem, em minha breve pesquisa não encontrei um motivo especifico. Acredito que o mais razoável é pensar que a IPB convencionou esta data, o segundo domingo, porque ele é um domingo antes de outra data comemorativa – o dia do pastor presbiteriano, cuja data oficial é dia 17 de dezembro, data em que foi ordenado o primeiro pastor presbiteriano, o Rev. José Manoel da Conceição.

Em segundo lugar, quem é esta mulher, a esposa do pastor?
A esposa do pastor, antes de tudo, é esposa de um cristão. Esposa de seu marido. Parece obvio dizer isso, mas não é. Não existe nas Escrituras esse título – “esposa do pastor”, o que existe são mulheres que a Bíblia descreve como esposas piedosas, mulher virtuosa, mulher sábia, e, simplesmente, esposa.

A esposa do pastor não é uma super-esposa. Ela não tem poderes especiais. Ela não é pastora porque é esposa do pastor. Ela não tem obrigações maiores que as outras esposas da igreja, porque ela é mulher do pastor. Ela é tão somente uma serva de Deus, uma esposa de um homem cuja responsabilidade de conduzir a igreja requer intercessão constante, amor, carinho e apoio.

Interessante notar que a Bíblia descreve como deve ser o caráter e os dons que devem acompanhar os ministros da igreja. São ao todo 21 requisitos! (Veja 1 Timóteo 3.1-7 e Tito 1.5-9.). Mas não encontramos nenhuma lista semelhante para a “mulher do pastor”. A mulher do pastor, portanto, é a pessoa que se casou com um homem, que Deus chamou para ser pastor. Ela possui um chamado especial? Não no sentido de ser “mulher de pastor”. Mas, assim como todas as esposas cristãs, ela possui um chamado para ser auxiliadora idônea, companheira, intercessora, mãe de filhos (as que podem), amiga, amante de seus maridos, serva de Deus, piedosa, dependente da graça de Cristo.

Em terceiro lugar, qual é a sua importância no Reino de Deus, na vida da igreja?

Ora, se ela, a esposa do pastor, é tão somente a esposa de um homem que foi chamado para ser pastor, parece então que sua importância foi diminuída, alguém pode pensar agora. Ledo engano! Apesar de, eu reitero isso, não existir fundamento bíblico para se tratar de um chamado especial para ser esposa de um pastor, o fato, por si só, da mulher ser esposa de um ministro, a destaca com importância especial diante do rebanho onde seu marido exercerá o seu ministério.

A mulher do pastor de uma igreja, muitas vezes se vê sacrificada em dividir o tempo da atenção de seu marido com a concorrência de todos os membros da igreja. Quantas vezes seu esposo chegará depois de um dia de visitações, aconselhamentos, expediente no escritório da igreja, preparação de sermões, estudos bíblicos, orações, e extenuado, sob pressões espirituais e emocionais de toda espécie, encontrará somente no ombro de sua esposa o consolo, a alegria, o carinho de uma mulher santa e sábia, que cuidará de suas feridas de alma, passará o balsamo de seu amor nos vergões das marcas que o ministério muitas vezes provoca, e que poucos conseguem observar? Nestas horas a sua esposa é uma válvula preciosa de escape, uma bênção de Deus!

Essa mulher é que terá que lidar muitas vezes com expectativas exageradas sob sua pessoa por parte da igreja, quando esta não percebe que a mulher de seu pastor, antes de tudo é mulher de um homem como qualquer outra mulher casada da comunidade dos crentes. Algumas expectativas, tais como ser a líder da SAF, ou cantar no coro, ou na equipe de louvor, ensinar no departamento de educação religiosa infantil, etc., pode muitas vezes criar um desconforto para aquelas que não foram dotadas por Deus de dons ou habilidades especiais para exercer tais funções, de forma livre, alegre e voluntária. Muitas vezes, é preciso que a igreja reflita e respeite, que o fato da mulher do pastor da igreja cuidar bem do seu lar, criar seus filhos sob a disciplina e admoestação do Senhor e amar o seu marido, já é suficiente. Ela cumpriu um papel extremamente importante, e um papel no qual sua missão foi bem descrita na Bíblia. Essa mulher é importante! E como é! Sem falar naquelas que possuem jornada dupla, trabalham fora e ainda gerenciar o lar.

Em quarto lugar, como esta mulher pode ser honrada?

Lembrar da esposa do ministro no segundo domingo de dezembro não tem sido muito comum, como deveria ser. Assim como tem ficado esquecido outras datas celebrativas do calendário presbiteriano. Talvez seja um reflexo da nossa perda de confessionalidade crescente. Contudo, justiça seja feita, observo que existem irmãs preciosas que, ao longo do ano, em diversas outras ocasiões e oportunidades, têm servido de boa amizade e lenitivo para minha esposa. Existem irmãs piedosas, que sempre lhe fazem um carinho, através de um agrado, uma surpresa, um bilhetinho, etc. E isso, penso, é uma boa dádiva de Deus.

Quatro coisas podem ser feitas para honrar a pessoa da esposa do pastor de sua igreja:

1. Ore sempre por ela, e sua família. Seja grato a Deus pela família pastoral. 

2. Não crie expectativas exageradas sobre ela. 

3. Respeite sua privacidade, e deixe-a à vontade para que ela mesmo escolha qual área da igreja ela poderá cooperar, caso queira.

4. De vez enquanto, escreva um bilhete, dê um abraço especial, faça-lhe algum agrado possível, dando provas de amor por esta mulher que tem apoiado o ministério de seu marido. 

Portanto, neste segundo domingo de dezembro, reflita, pense, e ore pela esposa deste homem, que Deus chamou para ser o pastor de sua igreja. Abrace-a e diga-lhe o quanto ela é importante para você, e para a igreja, onde juntos vocês servem a Deus.


Parabéns a minha querida esposa, e parabéns a todas as esposas dos servos de Deus, chamados para serem os ministros de sua Palavra. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

BRUXARIA EVANGÉLICA - PODE ISSO ARNALDO?






Você cristão, provavelmente, já deve ter se deparado com frases tipo: “não toqueis no ungido do Senhor”, “quem não dá o dízimo é amaldiçoado pelo devorador”, “aquele que se levanta contra a decisão do pastor sofrerá terríveis castigos divinos”, etc. e tal. Ou deve ter recebido algum tipo de corrente pelo WhatsApp, Facebook, etc., tipo “se você não passar isso para 5, ou 10 amigos, algo de terrível vai acontecer na sua vida...”, ou “ se você não curtir não é de Deus, se curtir vai para o céu...”, e por aí vai. O que elas têm em comum? Todas de certa forma pretendem impingir na pessoa a quem é destinada o medo, o terror, o receio de que essa pessoa poderá se encontrar sob terrível maldição. E, mais, o que tais imprecações têm em comum com outras religiões, principalmente as religiões pagãs africanas e sul-americanas? Estas imprecações “evangélicas” são extremamente similares as imprecações de maldições e mau agouro feita por bruxos, feiticeiros, pais de santos, pajés, e outras formas de lideranças pagãs. 



Certa vez ouvi de uma pessoa que gostaria de se tornar membro de nossa igreja, que seu pastor atual lhe disse que se ela saísse daquele “ministério” nada mais na vida dela daria certo, porque ela estaria em rebelião contra Deus, contra o “ungido do Senhor” (ele é claro!), e perderia a “proteção” espiritual de seu líder, o pajé daquela “tribo gospel”. Existe então uma espécie de relacionamento doentio e patológico estabelecido entre as partes. Dominador e dominado. Isso, fica óbvio, parece mais com bruxaria do que orientação pastoral bíblica.


Mas não é de se admirar que isso ocorra diariamente na vida de muitos crentes dependentes, subservientes. De onde vem isso? Do ensino das Escrituras é que não é. Não existe base bíblica que possa justificar tais procedimentos intimidatórios por parte de pastores, bispos, apóstolos ou paipóstolos (acredite! Já inventaram isso também). Ao contrário, a Escritura afirma “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. ” (João 8.36). Ou seja, Cristo nos libertou para sermos livres para obedecer a sua Palavra. A autoridade dos líderes espirituais reside não neles, mas na Palavra de Deus. Um pastor que ensina algo que não está prescrito nas Escrituras, não têm autoridade para exigir nada! 

O cristão não deve seguir cegamente seu pastor, porque ele pode estar errado naquilo que exige deste membro. Sobre as imprecações de maldições sobre os cristãos para que sejam fieis nos dízimos e ofertas, por exemplo, o texto clássico sempre citado é de Malaquias 3.8-9, que diz “Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, a nação toda.”. Acontece que muito se força a exegese deste texto para atingir o objetivo de obrigar a pessoa a entregar dinheiro a igreja, usando e abusando desta passagem, sem levar em consideração o seu contexto imediato, e seu contexto histórico-gramatical. Não estou aqui defendendo a ideia que a entrega do dízimo não é bíblica, não se trata disto. Mas, defendo que este texto vem sendo usado para impingir medo de maldições as pessoas, constrangendo-as a sacrificarem seus recursos para satisfazer o desejo de enriquecimento de muitos caciques e pajés gospeis. O apóstolo Paulo quando quis tratar diretamente das contribuições dos crentes da igreja de Corinto, afirmou: “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria. ” (II Co 9.7). Ou seja, na dispensação da nova aliança em Jesus Cristo, trata-se de um privilégio do crente contribuir voluntaria e alegremente com a manutenção da obra de Deus. Não deve fazer isso por medo das ameaças de maldições do seu pastor, ou líder, mas deve fazê-lo, caso queira, por amor a obra de Deus, com uma consciência livre. 

Mas, outra pergunta ajuda-nos a refletir porque acontece essas ameaças de pragas evangélicas sobre os crentes. Por que a igreja evangélica brasileira, via de regra, é tão suscetível a essas maldições, maus agouros, pragas, imprecações de males? Acredito que a resposta se encontra nas raízes religiosas supersticiosas do povo brasileiro. Principalmente, na herança das religiões africanas e latino americanas, onde a pratica de bruxaria, feitiçaria, esoterismo, etc, é comum. Vejam, por exemplo, que a pratica litúrgica, principalmente neopentecostal ou neocarismática é muito dada a campanhas, correntes, unções com óleo de pessoas ou objeto e coisas, cultos da revelação, consultas ao “Espírito Santo” (que nada mais é do que tentativa de adivinhação), cultos de línguas estranhas (muito parecido com rituais africanos de catarse), interpretação de sonhos e visões, danças litúrgicas (que lembra muito a liturgia dos cultos animistas indígenas), cultos de “descarregos” ou quebra de maldições hereditárias (bem semelhante a prática de magia branca africana), jejuns e orações em terrenos sagrados (montes, por exemplo). Essas práticas litúrgicas espirituais, afirmo novamente, não encontram prescrição bíblica que as sustentem. A Escritura afirma que Deus só aceita o culto feito em espírito e em verdade (João 4.23), com ordem e decência (1Co 14.40). O princípio regulador do culto nos ensina que tudo aquilo que não está prescrito é proibido, não deve ser feito. 

Caro leitor, se o pastor de sua igreja anda te rogando maldições e pragas, conforme descrevemos aqui, deixe essa igreja, não siga este líder, ele não é um verdadeiro pastor, ele é um “bruxo evangélico”! Lembre-se: 

Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora. (...) Filhinhos, vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo. 

Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, Aquele [Jesus] que nasceu de Deus o guarda, e o Maligno não lhe toca. 
(1Jo 4.1, 4; 5.18)

        

sábado, 26 de novembro de 2016

O Rico e o Shedd

REFLEXÃO DO DIA – RUSSELL SHEDD E FIDEL CASTRO
Texto adaptado (qualquer semelhança é de propósito)

Ora, havia certo homem rico, que se fazia de pobre, e que se vestia de Lacoste e Adidas, e que, todos os dias, se deliciava com a riqueza acumulada às custas da miséria de seu povo, Fidel Castro. Havia também certo homem pobre, simples chamado Russell Shedd, acometido de câncer, sofrendo dores nos últimos dias de sua vida;
Aconteceu morrer o Russell Shedd e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico Fidel e foi sepultado. No inferno, estando em tormentos, Fidel levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Russell Shedd no seu seio. Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Russell Shedd que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.

Disse, porém, Abraão: Fidel, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Shedd igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos. E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, assim como na ilha que tiranamente governaste, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós.

Então, replicou: Pai, eu te imploro que o mandes à minha casa paterna, aos meus companheiros camaradas, porque tenho cinco irmãos, incluindo Raul, para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar de tormento. Respondeu Abraão: Eles têm a Palavra de Deus, pregada pelos cristãos, que tanto amam matar, ouçam-na.


Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com os companheiros, arrepender-se-ão. Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Bíblia dos cristãos, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA MULHERES EVANGÉLICAS

PESQUISA SOBRE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA DE DOUTORANDA DA UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE APONTA QUE 40% DAS VITIMAS SÃO EVANGÉLICAS



A pesquisa foi feita por Valéria Cristina Vilhena, doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Educação, História Cultural e Artes, pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010. Valéria também é teóloga, mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp). Para nós fica claro que sua opção teológica é liberal, assumindo pressupostos da teologia social da libertação, e seus outros ramos. Portanto, trata-se de uma visão que não leva em consideração os pressupostos fundamentais da fé reformada, como considerar a Escritura Sagrada obra inspirada sem erros, infalível, etc

Valéria observou que quase 40% das mulheres atendidas no projeto social “Casa Sofia”, da igreja católica no Jardim Ângela, São Paulo-SP declararam-se evangélicas. A pesquisadora decidiu então tentar compreender melhor o universo simbólico religioso dessas mulheres e como lidavam com a violência sofrida.

Ela observou que:
... as motivações mais frequentes para as mulheres procurarem esses grupos religiosos [igrejas evangélicas] são: as desavenças conjugais, os problemas financeiros e ou o desemprego do chefe de família, a depressão ou o nervosismo feminino e os problemas de saúde de algum membro do grupo doméstico. Tal ênfase no universo familiar tem levado vários autores a concluir pela importância da” tensão doméstica “na formação da vida religiosa das mulheres casadas. (...)

Para as mulheres, essas teologias vão de encontro aos comportamentos desviantes de seus parceiros, cedendo lugar à resignação, à abnegação; mudando a forma de conduta de seus parceiros diante da infidelidade ou vícios relativos a drogas ou jogos. Após sua conversão, aprendem a agir com ‘sabedoria’ evitando discussões para ‘ganhar’ seu companheiro para Cristo, quando então ele estaria liberto pelo Espírito Santo dos espíritos demoníacos.

Evidentemente, a pesquisadora desconsidera completamente elementos transcendentais e metafísicos, como por exemplo, a conversão espiritual destas mulheres, como elementos que explicam a religiosidade destas. Como a maioria dos pesquisadores existencialistas, ela fixa seu olhar nas causas ordinárias, de caráter socioeconômico, bem tipicamente de identificação com ideologias marxistas. Não quero dizer com isto, ao emitir minha crítica, que estes fatores devam ser desprezados. Mas considerar somente estes é de alguma forma uma visão incompleta, preconceituosa, e assim, temos a impressão, de que a pesquisa em suas conclusões buscou atribuir a mulher evangélica agredida, um esteriótipo de mulher pouco inteligente,  quase uma idiota, de baixa intelectualidade, que tenta esconder seus problemas conjugais e familiares atrás de uma fé supersticiosa e fanática. Com esse tipo de direcionamento genérico não podemos concordar. 

Quem são estas mulheres?

Valéria informa que:

O perfil geral dos relatos de violência recebidos pela Central revela que 93% das denúncias são feitas pela própria vítima, 43% dos agressores são cônjuges das vítimas, 78% das vítimas possuem até dois filhos, 70% das vítimas sofrem agressões diariamente, 41% dos agressores não fazem uso de substâncias entorpecentes ou álcool, 36% das vítimas se percebem em risco de morte e 33% das vítimas apresentam tempo de relação com o agressor superior a dez anos. O índice de denunciantes revela que as mulheres vítimas de violência doméstica e familiar estão tomando a iniciativa de denunciar e de expor sua situação de vida a pessoas que não fazem parte de sua família. Por mais doloroso que seja, esse procedimento representa a tentativa de a mulher buscar seus direitos e de sair da condição de dominada.

Das pessoas que buscam a Central e informam suas características pessoais, 93% são mulheres, 39,4% são negras, 58,8% têm entre 20 e 40 anos, 50,8% são casadas ou vivem em união estável com seus companheiros e 25% possuem nível médio de escolaridade. Essas características delineiam o perfil aproximado das brasileiras que sofrem violência e buscam informações sobre como se protegerem.
De acordo com os dados do Plano Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) (IBGE, 2009), 43,1% das mulheres brasileiras já foram vítimas de violência em sua própria residência. Entre os homens, esse percentual é de 12,3%. Entre todas as mulheres agredidas no país, dentro e fora de casa, 25,9% foram vítimas de seus cônjuges ou ex-cônjuges.

Independentemente da visão existencialista feminista da autora da pesquisa, uma coisa, creio eu, precisamos considerar e refletir: a violência contra mulheres, incluindo as evangélicas, que necessariamente não estão imunes ao alcance das agressões, é um fato comprovado. A luta contra violência doméstica de quaisquer espécies, contra quem quer que seja, é uma luta de todos nós, seja crentes, católicos, espiritas ou ateus. 

A pesquisadora concluindo seu relatório aponta que a religião pode ser causadora, ou bastante responsável por causar, essas violências contra mulheres. Fica óbvio sua visão reducionista e preconceituosa, deixando de considerar, confortavelmente, que a causa está no agressor, e não na fé da agredida, ainda que esta fé muitas vezes a leva a racionalizar as causas de suas agressões restringindo-as ao campo das batalhas espirituais. O fato de algumas destas pobres mulheres terem uma visão teológica distorcida do verdadeiro cristianismo, demonizando as causas da violência sofrida contra elas, não dá direito aos estudiosos das ciências sociais de, em nome de denunciarem a agressão as mulheres, agredirem o cristianismo evangélico, ou reduzir este a esteriótipos inadequados.  




fonte: http://www.fazendogenero.ufsc.br/9/resources/anais/1280156603_ARQUIVO_ValeriaCristinaVilhena.pdf


quinta-feira, 27 de outubro de 2016

O fascínio da personagem Peppa e o apelo familiar


O Que Faz as Crianças e Adultos se Identificarem tão Facilmente Assim com Peppa-Pig?

Peppa Pig poderia se passar por qualquer criança pequena por volta dos quatro ou cinco anos, não fosse pelo fato de ser uma porquinha. Ela vive com seus pais, Papai Pig e Mamãe Pig, e seu irmãozinho mais novo, George. Eles são os personagens principais do desenho animado que já conquistou milhões de crianças pelo mundo todo, exibido em mais de 180 países.
Os adultos que assistem a alguns episódios da série podem sentir dificuldade para compreender por que Peppa e sua família são tão adoradas pelas crianças. O desenho do canal de TV a cabo Discovery Kids é simples, com poucos efeitos tecnológicos, e o dia a dia da porquinha não tem nada de excepcional, ao contrário das histórias de super-heróis.
Penso que o elemento catalisador de empatia que envolve a trama de Peppa-Pig conduzindo ao fascínio dos infantes (e muitos adultos), está na simplicidade de se apresentar um modo de vida divertido, sem preocupações, de envolvimento afetivo paterno e materno, idealizado e aspirado no ser interior de cada um de nós. As crianças de hoje veem em Peppa, esta é minha impressão, a presença confortadora e segura de seus pais, irmãos e amigos, onde se cria um ambiente de paz e alegria constante. Os pais, nostálgicos, talvez fiquem pensando nos momentos de felicidade que também tiveram quando pequeninos, quando deixavam se embalar pelo lúdico mundo das fantasias.

De Onde se Explica tal Sentimento que Conduz ao Sucesso da Série?

Do ponto de vista da teologia reformada, podemos ensaiar três situações que servem de apoio para uma análise teorreferente, onde aspectos da criação, queda e redenção podem ser percebidos.

Da Criação

Deus criou a família. Em Gênesis 2.24 ele deu a ordem: “Por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne.” (ARA). Mas antes mesmo deste momento, ele já havia dito ao homem seu propósito:

“Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou. E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra.” (Gênesis 1.27-28 -ARA).

A família é um projeto divino, idealizado pelo Criador, que a planejou para que esta o representasse no ambiente criado por ele. É o próprio Deus que estabelece a gênese e as metas da família. Homem, mulher, macho e fêmea, heteros, monogâmicos, férteis, companheiros, amantes, solidários, comprometidos, envolvidos, etc. Todos estes elementos estão presentes na composição familiar, conforme proposito divino revelado nas Escrituras.

Percebemos isso claramente no ambiente familiar do desenho Peppa-Pig. Ali vemos as figuras centrais bem definidas e com papeis distintos. Papai, mamãe, filha, irmão, vovô, vovó, amigos, etc. A muito material da criação expresso aqui! A liderança do pai, ainda que muitos críticos progressistas o veem apenas como um bobinho, é evidente. Ele tem a tarefa primaria de prover o lar. Ele trabalha e ainda encontra tempo de ser o “sacerdote da casa”, quando retorna, não se furta a suprir as necessidades emocionais, e porque não pensar (ainda que não apareça elemento explicito religioso nos desenhos), espirituais também. Seus filhos e sua esposa sempre aguardam ansiosamente o retorno do Papai Pig para o descanso e aconchego do lar. Deus nos projetou para a felicidade, e esta deveria ser alcançada em um ambiente de família, de amor e grande envolvimento fraterno. Vejo muito traço disto na trama dos desenhos de Pepa Pig. Pode ser este um elemento, que ainda que inconscientemente, arrebata a atenção dos infantes e muitos adultos a se concentrarem a frente de suas TV’s quase que hipnotizados. O pregador em Eclesiastes disse com sapiência que “...Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim.” (Ec 3.11). Existe uma santa curiosidade, e saudade sem explicação, intrínseca a natureza humana. Mesmo em mundo caído ela ainda resiste, e prepondera. Nosso próximo tópico.


Da Queda

Esse ambiente santo e puro da Criação não foi preservado, infelizmente, como sabemos pela instrução bíblica. Uma tragédia abateu a raça humana quando a primeira família, Adão e Eva, sucumbiram ao teste de obediência e pecaram. Pecando caíram. E caindo tudo foi modificado no cosmos, incluindo a cosmovisão humana, a maneira com que os homens, as famílias, portanto, a partir deste evento veriam e se relacionariam com as coisas criadas originalmente. Nunca mais, pelo menos antes da redenção, as coisas seriam como antes.

A queda rompeu drasticamente a estrutura familiar. Elementos ausentes no primeiro estágio da criação apareceriam a partir do estágio de queda. Medo, insegurança, disputas, enfado, cansaço, raiva, ódio, fome, dor multiplicada, insubmissão, insurreição, frieza, egoísmo, incredulidade, etc. Estas coisas não existiam no estado original de pureza e santidade criados por Deus.  Gênesis nos dá a narrativa deste triste momento:

Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu. Abriram-se, então, os olhos de ambos; e, percebendo que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram cintas para si. Quando ouviram a voz do SENHOR Deus, que andava no jardim pela viração do dia, esconderam-se da presença do SENHOR Deus, o homem e sua mulher, por entre as árvores do jardim. E chamou o SENHOR Deus ao homem e lhe perguntou: Onde estás? Ele respondeu: Ouvi a tua voz no jardim, e, porque estava nu, tive medo, e me escondi. Perguntou-lhe Deus: Quem te fez saber que estavas nu? Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses? Então, disse o homem: A mulher que me deste por esposa, ela me deu da árvore, e eu comi. Disse o SENHOR Deus à mulher: Que é isso que fizeste? Respondeu a mulher: A serpente me enganou, e eu comi. Então, o SENHOR Deus disse à serpente: Visto que isso fizeste, maldita és entre todos os animais domésticos e o és entre todos os animais selváticos; rastejarás sobre o teu ventre e comerás pó todos os dias da tua vida. Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. E à mulher disse: Multiplicarei sobremodo os sofrimentos da tua gravidez; em meio de dores darás à luz filhos; o teu desejo será para o teu marido, e ele te governará. E a Adão disse: Visto que atendeste a voz de tua mulher e comeste da árvore que eu te ordenara não comesses, maldita é a terra por tua causa; em fadigas obterás dela o sustento durante os dias de tua vida. Ela produzirá também cardos e abrolhos, e tu comerás a erva do campo. No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás. (Gênesis 3.6-19 – ARA).

Notamos nesta narrativa que os valores são alterados. O homem que deveria cumprir o fiel papel de protetor e provedor do lar se vê perdido após falhar completamente na tarefa original dada por seu Criador. Ele ainda está vivo, mercê da bondade de Deus, mas seu estado original foi maculado. Ele agora haverá de conquistar aquilo para o qual foi criado, mas com desgaste físico, emocional e espiritual. Seu governo sob o lar não seria mais pacifico e aceitável, assim como no estado da Criação, mas haverá a partir deste momento disputas, ciúmes, violências, e outros males terríveis. Papai Pig precisa sair cedo para trabalhar e trazer o pão para casa. Ele faz isso sem reclamar muito, mas volta cansado todos os dias, e vê suas forças sendo consumidas pelo estresse, e principalmente, pela velhice. A ausência de óculos o faz constatar o quão limitado é sem estes. Bem, crianças também usam óculos, isto não é uma marca exclusiva do envelhecimento, contudo, a velhice, algo não programado para a natureza humana original, traria a partir da queda o desgaste do corpo físico, e consequentemente, limitações e doenças surgiriam a partir daí. O mau humor é uma doença da alma, de uma consciência irritada que não consegue mais se desprender das circunstancias não prazerosas da vida.

Jorge, o caçula, é mimado, centralizador, egoísta. Quer o dinossauro só para ele. Chora quando se vê preterido em sua vontade. Elementos de rebelião estão presentes intrinsecamente na natureza do homem desde a infância. Davi percebeu isto claramente quando inspirado disse: “Eu nasci na iniquidade, e em pecado me concebeu minha mãe.” (Salmos 51.5 -ARA). Jaques Rousseau estava errado quando elaborou a tese do “bom selvagem”, onde defende uma natureza humana neutra, capaz de soerguer-se em bondade autonomamente se estimulada. O homem é mau por natureza caída. A queda nos fez todos maus. Paulo asseverou por isso aos Romanos ao instruí-los assim: “... Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer.” (Romanos 3.10-12 – ARA).

Jorge, Peppa, e todos os demais personagens, não precisam de ninguém para lhes ensinar os truques da maldade. Isto vem de fábrica! “O coração dos homens é uma fábrica de ídolos! “, escreveu Calvino. Contudo, para se aprender a fazer o bem é preciso educar, disciplinar, corrigir, admoestar, recursos recomendados nas Escrituras.

Salomão sabia o que estava dizendo quando escreveu: “A estultícia está ligada ao coração da criança, mas a vara da disciplina a afastará dela.” (Provérbios 22.15 -ARA). Afirmamos, porém, que a disciplina não é somente um elemento presente na Queda, mas, principalmente, necessário na Redenção. A disciplina neste prisma, é sobretudo, uma bênção. Redenção é nossa próxima observação em Peppa-Pig.

Da Redenção


Quando olhamos então novamente para nossos personagens de Peppa-Pig podemos perceber elementos de redenção ali presente? Sim! Respondo eu. Nem tudo está perdido totalmente no ambiente pós-Queda. Há esperança ainda! Deus não abandonou os nossos primeiros pais, apesar deles terem-no por um momento abandonado, quando pecaram e depois se esconderam. É o próprio Criador que se lança a procura deste homem perdido dentro do paraíso. “Onde tu estás Adão?”, pergunta-lhe Deus, como se fosse possível não sabê-lo. (Cf Gn 3.9). Adão está assustado, ele e Eva percebem que a ordem natural se alterou. Agora sentem vergonha, não de si mesmo, mas da santidade de Deus. Eles percebem que estão desnudados moral, física e espiritualmente ante os olhos santos do Eterno. Buscam soluções caseiras, mas totalmente ineficientes. Deus se revela então! Ele se mostra generosamente retentivo, sem deixar responsavelmente justo. Deus prometera e haverá de cumprir sua palavra. A alma que pecar morrerá! Adão e Eva morrem espiritualmente, morrerão fisicamente, e se não houver uma intervenção de graça, morrerão a pior das mortes, eternamente.

O que Deus faz? Faz promessas! Juramentos! Pacto que só ele pode cumprir, e que envolvem parte da humanidade por ele eleita. O cerne destas promessas gloriosas de uma restauração perfeita e escatológica encontra-se germinalmente aqui: “Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e o seu descendente. Este te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. ” (Gênesis 3.15-ARA). A rebelião do primeiro Adão será redentivamente revertida na obediência do segundo Adão. Paulo identifica-o como Cristo, nosso Senhor. “Se, pela ofensa de um [Adão] e por meio de um só, reinou a morte, muito mais os que recebem a abundância da graça e o dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, a saber, Jesus Cristo. ” (Romanos 5.17 – ARA), e “Porque, assim como, em Adão, todos morrem, assim também todos serão vivificados em Cristo. ” (1 Coríntios 15.22 – ARA).

O ideal de uma família que se ama, se respeita e interage com pureza e santidade, conforme percebemos em espectro, pelo menos assim parece acontecer de alguma forma, em Peppa-Pig, é apenas uma caricatura minúscula do que se pode esperar em Cristo às famílias por ele rendidas. A rebelião e egoísmo de Jorge, o egocentrismo de Peppa, o cansaço de Papai-Pig, a insegurança de Mamãe-Pig, e outros elementos observáveis em humanos caídos, serão revertidos cabal e eficazmente na gloriosa redenção presente e futura de nosso Senhor Jesus Cristo.

O que fascina em Peppa-Pig tanta gente assim afinal? O desejo de ser feliz, de voltar ao Éden, de ter uma família estável, unida, alegre e companheira. Isso só é possível se houver um elemento medidor unificador – Jesus Cristo! A audiência do desenho não pensa desta forma, penso eu, quando está vendo os episódios das séries. Mas no íntimo todos pensam assim, ainda que o neguem em suas incredulidades. O ser humano não foi criado para a infelicidade, mas para o louvor e glória de Deus, e para desfrutá-lo em todo seu prazer.

Peppa-Pig pode ser um roteiro que aponta para o caminho de um reencontro feliz com o Criador! Cativa as crianças, envolve os adultos e faz-nos pensar teorreferentemente.


sexta-feira, 30 de setembro de 2016

QUANTO VALE O SEU VOTO?


CINCO CONSELHOS DE UM MINISTRO REFORMADO PARA OS CRISTÃOS ELEITORES:

Em quem você NÃO deve votar neste próximo dia 02 de outubro:

1 ) não vote em candidatos que pertençam a partidos que defendam a ideologia de gênero,  a descriminalização de aborto e drogas (venda e consumo), o casamento homossexual,  o feminismo, marxismo, comunismo, anarquismo, e qualquer ideologia anticristã;

2) não vote em candidatos que respondem a processos na justiça,  ficha suja, que tenham sido condenados ou envolvidos em escândalos de corrupção, improbidade administrativa, peculato, etc; que tenham tido suas contas reprovadas pelos tribunais de conta, etc; 

3) não vote em candidatos que lhe ofereçam, ou prometam, algum tipo de vantagem pessoal ou financeira (compra de votos);

4) não vote em candidatos antes de conhecer e ponderar sobre suas propostas, apenas porque alguém indicou ou vai votar neles. Lembre-se que o voto é secreto e intransferível; 

5) valorize seu voto, ele é um importante filtro de controle para a promoção de uma política menos corrupta, mais ética e democrática. O voto consciente e inteligente é uma medida preventiva contra corrupção. Prevenir é melhor do que remediar. 

Você tem agora o poder de demitir os corruptos. Ore, pense, reflita e vote bem!

sábado, 10 de setembro de 2016

A DEPRESSÃO NOS PASTORES


AQUELE QUE CUIDA TAMBÉM PRECISA SER CUIDADO

Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti ó Deus, suspire a minha alma”. – Salmo 42.1

Pesquisas recentes vêm demonstrando que, entre as classes profissionais mais sujeitas ao estresse provocado por suas atividades, uma das que encabeçam a lista dos que mais sofrem é a dos pastores, mesmo considerando que estes não são propriamente “profissionais”, e sim vocacionados a prestar um serviço santo à Igreja de nosso Senhor. Perdem apenas para a classe dos professores e profissionais da saúde (enfermeiros, médicos e atendentes – principalmente os da rede pública).

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) [1], a depressão atinge 121 milhões de pessoas ao redor do mundo e está entre as principais causas que contribuem para incapacitar um indivíduo. A OMS prevê que até o ano de 2020 a depressão passe a ser a segunda maior causa de incapacidade e perda de qualidade de vida.

O Dr. Pérsio Ribeiro Gomes de Deus, cristão, pianista, é Médico Psiquiatra e Docente da EST - Mackenzie (DEUS, 2010), e relata que “em nossa prática clínica como psiquiatra, temos atendido um número expressivo de pastores com quadros depressivos, como observado por outros autores (KOENIG, 2001; MOREIRA-ALMEIDA et al., 2006)”.

Mais alarmante ainda é a sua constatação ao citar que “Lotufo Neto (1977, p. 251) encontrou maior incidência de doenças mentais entre ministros protestantes se comparados à população geral, e os transtornos depressivos responderam por 16,4% das doenças mentais encontradas nos ministros protestantes”.

O Dr. Pérsio de Deus, co-autor do excelente livro “Eclipse da Alma” (GOMES; PAZINATO, MALTA; DEUS – 2010), escreveu artigo[2] sobre essa temática de “pastores e a depressão”, encontrado no site da Universidade Mackenzie:

Os dados de nossa pesquisa (DEUS, 2008) confirmam os achados desses outros pesquisadores. Dentre os 50 prontuários de pacientes cristãos portadores de depressão atendidos na referida pesquisa num período de seis meses, 13 pertenciam a pastores, representando 26% dos pacientes atendidos. Acreditamos que as respostas desses pacientes merecem uma atenção particular.

Dos 13 pastores, nove são presbiterianos, três são batistas, e um é da Assembleia de Deus. Essa porcentagem precisa ser considerada de forma cuidadosa, pois não espelha a incidência real de doença depressiva entre religiosos ou entre pastores. A explicação desse desvio ou artificialidade porcentual pode se dever ao fato de que há poucos psiquiatras cristãos em nosso meio, e essa pesquisa foi realizada por um psiquiatra cristão e presbiteriano.

Esclarecemos ainda que, em razão do tamanho reduzido da amostra, os resultados não permitem generalização, pois não refletem a porcentagem de religiosos protestantes em nosso país, devendo, portanto, ser compreendida como estudo de caso.

Indagados quanto ao seu conhecimento sobre a doença depressiva, obtinham-se informações de que o estado de doença por eles apresentada correspondia à doença depressiva, e somente três deles tinham informações a respeito.

Quanto às causas para seu adoecimento, dos nove pastores presbiterianos, cinco relacionaram sua doença ao estresse do exercício da vida pastoral, dois a problemas de relacionamento conjugal, e dois não sabiam a causa. Dos três pastores batistas, dois relacionaram as causas ao pecado e à falta de fé, e um não sabia a causa. O pastor assembleiano relacionou sua depressão à ação do demônio.

Um dado revelador e preocupante é que, dentre os pastores, dos nove presbiterianos, cinco referiram como causa da depressão o estresse ligado à atividade pastoral. As explicações desse estresse pastoral foram relacionadas aos seguintes fatores:

• problemas com instâncias da Igreja (compreendida como organização) por presbitérios e sínodos: falta de compreensão e apoio das referidas instâncias;
• problemas de relacionamento com as igrejas locais;
• uma queixa comum a todos foi a existência de problemas financeiros advindos da baixa remuneração profissional;
• problemas conjugais também foram significativos: três dos nove pastores presbiterianos não sabem a causa.
• mudanças constantes de campos de trabalho.


Aí cabem várias interrogações...

Por que aqueles que levam a Palavra da Cura estão doentes?
Pastores também precisam de cuidados pastorais?
Precisam cuidar de sua saúde com profissionais da saúde?
Por que o medo de consultar psiquiatras e psicólogos?


O pastor, líder carismático, ungido, investido da imagem do “homem de Deus” na comunidade, tem que estar sempre pronto e disponível para as atividades pastorais. Essa pronta disponibilidade atrelada à falta de um horário determinado para as atividades pastorais é apontada (UNISINOS, 2008) como uma das causas predisponentes a doenças. (DEUS, 2010)

A agenda de um Ministro do Evangelho revela, às vezes no mesmo dia, uma montanha russa de emoções contraditórias. “... sepultamento pela manhã, reunião de  liderança à tarde, casamento em final de tarde e culto à noite; ou seja, a vivência, num mesmo dia, da dor e do luto, o exercício da lógica e a preocupação, a celebração de momento de alegria, prédica e exortação; e atreladas a essas atividades, todas as emoções sentidas, expressas e contidas pelo veículo sagrado” (DEUS, 2010).


"àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória,  Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém” – Judas 1.24-25








[2] DEUS, Pérsio Ribeiro Gomes de, Um estudo da depressão em pastores protestantes , Mackenzie Fonte < http://www3.mackenzie.br/editora/index.php/cr/article/view/1134/849> , in 13/03/2012; p. 189-202


Seguir por e-mail