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sábado, 9 de agosto de 2014

Dor & Vida



A dor que dilacera o coração pode ser a dor que me permite reconstruir das ruínas para uma nova vida, um novo viver. Porque quando o coração é atingido de forma aguda e permanente nunca mais a vida será como foi um dia. 

Há um poder resiliente dentro em nós inexplicável, sobrenatural, que faz com que algo que parecia mortal sirva como degrau para se alcançar um nível mais alto. A dor da alma e a dor física, em certa medida, são provas contundentes de nossa humanidade.  Alguém que tenha se desumanizado é alguém que perdeu a sensibilidade à dor. Não sente a sua própria, imagine a de outros!

No ventre de nossa mãe já iniciamos o processo da dor. As contrações que antecedem nossa chegada ao mundo é o pulsar das expectativas de que algo extraordinário, esplêndido,  está por ocorrer em breve. 

A mãe sofre, o feto geme também. 

Nosso primeiro contato com o mundo fora do ventre se dá por meio da mão de um médico que nos impinge dor para provar que estamos vivos e bem, ao dar-nos uma palmada nas nádegas.

Daí pra frente muita dor nos espera. Dor por gases, fome, medo, carências... uma explosão de dores  e lágrimas que demonstra o quanto estamos progredindo no desenvolvimento da vida. 

Vêm as fases da vida e experimentamos uma miscelânea de dores. São os dentes que nascem, caem e voltam a nascer. São as espinhas no rosto, as agruras, o amor não correspondido, as dúvidas da alma da pré-adolescência. A dor do primeiro luto. Do animal que foge. Da palavra ríspida que ouvimos e nos machuca. A dor de ser rejeitado, ou aparentemente rejeitado. Dor e mais dor. 

Surgem as crises da vida. A dor de pensar em um físico que não se tem mais, de limitações impostas pela má forma ou pela idade que não param de acelerar. A dor de gente que partiu precocemente da nossa vida, que é, talvez, a pior das dores, a saudade. 

Mas tem uma dor que nos acompanha desde o ventre até o tumulo. A dor da eternidade, da procura, da descoberta, da fuga e do achado, de saber, crer e compreender, que tudo lateja até que tudo seja aperfeiçoado e perfeitamente apresentado diante daquele que prometeu fazer no tempo que ainda não existe, mas existirá, desaparecer toda dor,  pranto, quanto menos o luto, porque tudo passou e tudo agora se fez novo, como sempre deveria ter sido. Um mundo sem dor, sem o pecado que lhe altera o sabor. 

Uma humanidade perfeita nós teremos sem a necessidade da companhia da dor para nos alfinetar que estamos vivos. Neste tempo poderemos dizer sem nenhuma nostalgia. Dor? Que dor? A dor se foi!

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