Mostrando postagens com marcador pastoras e a Bíblia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pastoras e a Bíblia. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

PODE-SE ORDENAR MULHERES PARA LIDERANÇA DA IGREJA?




                                                                                                                                                                                                                         









UMA ANÁLISE REFORMADA SOBRE OS TEXTOS USADOS PARA DEFESA DA ORDENAÇÃO FEMININA


                      Um dos movimentos que mais avançam na igreja cristã no mundo, e também no Brasil, é o “feminismo cristão”. Igrejas históricas, outrora ortodoxas, têm se rendido cada vez mais à prática heterodoxa de ordenar mulheres para desempenho de funções de liderança na igreja. O argumento principal continua sendo sociológico-antropológico, em que se reivindica a igualdade de gênero partindo do princípio da modernidade de que mulheres cada vez mais vêm ocupando papéis de destaque na sociedade em todas as áreas: política, esportes, trabalho, educação, cultura e lar.

        E quando se pensa em fundamentos teológicos e bíblicos para justificar a ordenação feminina, a coisa fica complexa. O que podemos aprender com nossa única regra de fé e prática, a Bíblia, sobre o tema? Propomos abaixo analisar algumas passagens bíblicas chaves para a compreensão deste assunto polêmico, porém altamente pertinente para determinar uma eclesiologia bíblica e saudável.

Romanos 16.7

Saudai Andrônico e Júnias, meus parentes e companheiros de prisão, os quais são notáveis entre os apóstolos e estavam em Cristo antes de mim. (ARA)


Os defensores da ordenação feminina têm buscado apoio nesse texto específico para demonstrar que existiram apóstolas na igreja do Novo Testamento. Consideram que “Júnias” era um nome feminino[1], e que a expressão “são notáveis entre os apóstolos” pode ser interpretada como que tal pessoa era um deles.

Quanto à primeira assertiva de que “Júnias” era uma mulher, o Dr. Augustus Nicodemus defende a ideia de que as variantes do grego (Iouniân, Ioulían) não permitem afirmar com certeza se era feminino ou masculino. “O problema é que não sabemos em que gênero Paulo o usou em Romanos 16.7.”[2] (LOPES, 1997, p. 13). Hendricksen é categórico: “A continuação, que pode ser traduzida ‘homens notáveis entre os apóstolos’ (RSV), favorece a conclusão de que ambos eram homens.” (HENDRICKSEN, 2011, P. 634).

Ademais, a expressão “notáveis entre os apóstolos” pode ser interpretada, como querem os igualitaristas, como se fosse o sujeito da frase um apóstolo também?[3] Justiça seja feita, em relação a isso, Augustus Nicodemus defende a ideia de que “gramaticalmente, tanto pode indicar que Andrônio e Júnias eram apóstolos, quanto que eram tidos em alto apreço pelos apóstolos.” (LOPES, p. 15). Como descobrir então qual o sentido é o verdadeiro? Buscando conhecer melhor a etimologia da palavra “apóstolo” e seu significado teológico.

A palavra apóstolo no Novo Testamento é usada, não somente para os doze, para Paulo, e para algumas pessoas associadas a ele [delegados apostólicos], como Barnabé, Silas e Timóteo (cf. Atos 14.14; 1 Tess. 2.6), mas também para mensageiros e enviados (este é o sentido primário da palavra grega apóstolos) de igrejas locais, como Epafrodito (Fil 2.25) e uns irmãos mencionados em 2 Coríntios 8.23. Estes não parecem exercer governo ou autoridade sobre as igrejas locais, eram simplesmente enviados por elas. Portanto, se Andrônico e Júnias eram apóstolos, deveriam pertencer a este tipo de mensageiros das igrejas locais; antes, eram enviados por elas para desempenhar diferentes funções como representantes ou emissários. (LOPES, p. 15).

            Quem quer que tenha sido Júnias, a única coisa que se pode falar com absoluta certeza é que essa pessoa, seja homem ou mulher, era alguém considerado de alta conta pelo apóstolo Paulo, e que esses homens, Andrônico e Júnias, foram instrumentos de Deus na igreja de Jesus Cristo, tendo abraçado a fé antes mesmo de Paulo. (HENDRICKSEN, p. 634). Qualquer inferência maior a seu respeito carece de provas e maiores evidências.


Gálatas 3.28

Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. (ARA)


Este verso de Gálatas tem sido usado, talvez como a principal passagem, para defender a igualdade de função eclesiástica entre homens e mulheres. Os defensores da igualdade que emancipa a mulher habilitando-a ao ministério da Palavra, a ordenação para o episcopado, sustentam a tese de que esse texto iguala homem e mulher, e desta forma, abole qualquer lei de subordinação feminina à autoridade masculina. Quanto a isto, explica Augustus Nicodemus:

... A abolição das diferenças mencionadas no versículo em questão (3:28) são em relação à justificação pela fé. (...) O assunto de Paulo, portanto, não são as funções que homens e mulheres desempenham na Igreja de Cristo, mas a posição que todos os que creem desfrutam diante de Deus, isto é, herdeiros de Abraão e filhos de Deus. (LOPES, 1997, p. 19).
           
Desta forma a igualdade anunciada em  Gálatas 3.28 é quanto à posição[4] diante da doutrina da justificação (GUTHRIE, 1984, p. 140), que é a temática predominante da epístola, em que Paulo está combatendo a heresia judaizante dentro daquela comunidade de salvos.

“Um” na presente passagem não significa igual, e sim unidade. “Se Paulo quisesse enfatizar igualdade ele poderia ter usado palavras como “igual” (no grego, isos) ou “igualdade” (Isotes)”. (LOPES, p.21). Todos são um em Cristo, porque todos são pecadores, e todos os que creram foram justificados unindo-se a Cristo, formando a unidade, que não permite acepção de pessoas mais por classe, sexo e etnia. (HENDRICKSEN, 2009, p. 183.).

Em resposta à reivindicação dos feministas bíblicos de que Gálatas 3.28 é uma correção do efeito imediato da Queda[5] que levou a mulher a se tornar submissa ao homem, e somente por isso ela é submissa, cremos que é grave equívoco considerar que Paulo está aqui ensinando “que Cristo já aboliu na presente era, total e plenamente, os efeitos do pecado e os castigos impostos por Deus ao homem e à mulher, quando originalmente pecaram.” (LOPES, p. 21). Augustus Nicodemus argumenta que se tal passagem contivesse esse princípio de ensino então deveríamos considerar também que, de igual forma, em Cristo a mulher está livre das dores do parto e o homem não precisaria trabalhar com fadiga para obter seu sustento. (LOPES, p. 22).

A plena redenção destas coisas, e das demais que ainda afligem os cristãos, homens e mulheres, ocorrerão plenamente na parousia, quando o Senhor Jesus trouxer em plenitude o reino de Deus. (LOPES, p. 22).


Atos 2.16-18

Mas o que ocorre é o que foi dito por intermédio do profeta Joel: E acontecerá nos últimos dias, diz o Senhor, que derramarei do meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, vossos jovens terão visões, e sonharão vossos velhos; até sobre os meus servos e sobre as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e profetizarão. (ARA)


Atos 2.16-18 também é muito utilizado pelos defensores da ordenação feminina para defender a ordenação feminina ao ministério de liderança da igreja. Consideram que no sermão de Pedro, com base na profecia de Joel, os termos “filhas” e “servas” profetizando, recebendo o derramamento do Espírito, tal como os homens, reivindica autoridade para afirmar que mulheres podem ser oficiais, presbíteras, pastoras, líderes de igreja, visto que no Novo Testamento a profecia equivale ao ofício da pregação.[6]

Destarte, este argumento é por demais frágil. Partimos do princípio que se, de fato, Pedro, ao pregar sobre esse texto, introduzia um novo costume de legar às mulheres igualdade em relação aos homens para o governo da igreja, por que no período da igreja apostólica não há nenhuma menção no Novo Testamento, nem na história da igreja, de apóstolas, presbíteras, pastoras e bispas? Nos textos normativos sobre as qualificações dos presbíteros (1 Tm 3.1-7 e Tito 1.5-9) não existe absolutamente nenhuma indicação de que Paulo tinha outra ideia, senão homens exclusivamente para o oficialato eclesiástico. “O oficial deve ser marido de uma só esposa, deve governar bem a sua casa e seus filhos (função do homem, nos escritos de Paulo, cf. Efésios 5.22-24)”.

Augustus Nicodemus lista pelo menos três considerações sobre essa passagem e a ordenação feminina:

(1) Os fenômenos associados por Joel e Pedro ao derramamento do Espírito nos últimos dias, como profecia, sonhos e visões, e que são ditos que seriam concedidos às mulheres, não estão ligados no Novo Testamento ao presbiterato ou pastorado, e, portanto, poderiam ocorrer sem que as pessoas envolvidas (homens ou mulheres) fossem ordenadas.
(2) Havia profetizas na igreja apostólica, como as quatro filhas de Felipe (Atos 21.9; cf. 1 Co 11.5), mas não lemos que eram presbíteras ou pastoras.
(3) Embora não lemos no Novo Testamento de mulheres tendo visões ou sonhos em decorrência do derramamento do Espírito (e nem de homens, diga-se também), não é impossível que haja acontecido; todavia, neste caso, com certeza, não estava restrito a pastores e presbíteros. (LOPES, p. 26).

Considerar que a recepção dos dons espirituais habilita as mulheres a estar em pé de igualdade com homens para serem ordenadas é uma suposição sem apoio bíblico. “Se o dom profético daria às mulheres igualdade com os homens nas funções litúrgicas, por que exigir-lhes que orem e profetizem com a cabeça coberta, expressão cultural de que estavam debaixo de autoridade? (1 Co 11.3-15).” (LOPES, p. 27).

Passagens examinadas até aqui (Rm, Gl 3.28; At 2.1-4) não sustentam a tese defendida pelos igualitaristas para defender a ordenação feminina. Demonstra, sim, que as mulheres cristãs, juntamente com os homens, participam da graça de Deus e dos dons do Espírito, sem restrições, sem, contudo, apontar para a ordenação ao ministério ou ao presbiterato.



TEXTOS BÍBLICOS EMPREGADOS PARA DEFENDER A DISTINÇÃO DE PAPÉIS ENTRE HOMENS E MULHERES NA ECLESIOLOGIA CRISTÃ

A fundamentação bíblica para a não ordenação de mulheres para a liderança da Igreja do Senhor pode ser mais bem desenvolvida a partir dos próximos textos.

1 Coríntios 11. 3-16

Quero, entretanto, que saibais ser Cristo o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher, e Deus, o cabeça de Cristo.  Todo homem que ora ou profetiza, tendo a cabeça coberta, desonra a sua própria cabeça.  Toda mulher, porém, que ora ou profetiza com a cabeça sem véu desonra a sua própria cabeça, porque é como se a tivesse rapada.  Portanto, se a mulher não usa véu, nesse caso, que rape o cabelo. Mas, se lhe é vergonhoso o tosquiar-se ou rapar-se, cumpre-lhe usar véu.  Porque, na verdade, o homem não deve cobrir a cabeça, por ser ele imagem e glória de Deus, mas a mulher é glória do homem.  Porque o homem não foi feito da mulher, e sim a mulher, do homem.  Porque também o homem não foi criado por causa da mulher, e sim a mulher, por causa do homem.  Portanto, deve a mulher, por causa dos anjos, trazer véu na cabeça, como sinal de autoridade.  No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o homem, independente da mulher.  Porque, como provém a mulher do homem, assim também o homem é nascido da mulher; e tudo vem de Deus.  Julgai entre vós mesmos: é próprio que a mulher ore a Deus sem trazer o véu?  Ou não vos ensina a própria natureza ser desonroso para o homem usar cabelo comprido?  E que, tratando-se da mulher, é para ela uma glória? Pois o cabelo lhe foi dado em lugar de mantilha.  Contudo, se alguém quer ser contencioso, saiba que nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus. (ARA)


Esta passagem aborda um levante feminista que estava ocorrendo no seio da igreja de Corinto. Mulheres estavam orando e profetizando (provavelmente em línguas) com a cabeça descoberta, isto é, sem o véu, contrariando os costumes das igrejas cristãs primitivas (1 Co 11.3-16). O tema específico deste capítulo é o culto público. (MORRIS, 2006, p. 122.). Augustus Nicodemus reconhece a dificuldade de interpretação deste texto, contudo, enumera os pontos principais do ensino paulino na passagem. (LOPES, p. 30).

(1) Algumas mulheres, equivocadamente, estavam interpretando o ensino do evangelho apresentado por Paulo, entendendo que não somente diferenças raciais, mas qualquer restrição para função na igreja, haviam sido removidas, igualando homens e mulheres. O uso do véu, como sinal de submissão à autoridade, então não teria mais sentido, podendo ser removido. Com isso, em plena desobediência, elas estavam quebrando uma convenção social e tentando impor um costume estranho ao culto público. (MORRIS, p. 121).

(2) Paulo não nega o direito de a mulher participar do culto público, mas insiste que elas devam fazê-lo trajando o véu, sinal de autoridade (MORRIS, p. 122), preservando a tradição, não provocando dissensão ou escândalo. O princípio estabelecido é a preservação do sinal de que mulheres estão debaixo da autoridade eclesiástica masculina. Uma questão de honra. (MORRIS).

Noutras palavras, embora Paulo permita que a mulher profetize e ore no culto público, ele requer dela que se apresente de forma a deixar claro que está debaixo de autoridade, no próprio ato de profetizar ou orar. (LOPES, p. 32.).

            A estrutura do argumento de Paulo é teológica. Cristo está sujeito ao Pai, o homem está sujeito a Cristo, a mulher está sujeita ao homem. Evidentemente não é uma subordinação ontológica, o que seria uma heresia considerar que o Pai é superior ao Filho em seu ser. De igual forma, o homem não é superior à mulher no seu ser. Ser o cabeça significa então exercer uma liderança econômica, ou seja, na função, desta forma, a hierarquia funcional começa na Trindade e continua na Igreja e na família. Cristo não se torna menor que o Pai ao submeter-se à sua liderança, assim como é preconceituoso achar que a mulher se inferioriza ao considerar a liderança masculina sobre si. Cristo é a glória do Pai[7], a igreja é a glória de Cristo, e a mulher é a glória do homem.[8] [9]

Em várias ocasiões o Novo Testamento determina que os crentes se sujeitem às autoridades civis (Rm 13.1-5; 1 Pe 2.13-17). Em nenhum momento, entretanto, este mandamento implica que os crentes são inferiores ou têm menos valor que os governantes. Igualmente os filhos não são inferiores aos seus pais, simplesmente porque devem submeter-se à liderança deles (Ef 6.1). O conceito de subordinação de uns a outros tem a ver apenas com a maneira pela qual Deus estruturou e ordenou a sociedade, a família e a Igreja. (LOPES, p. 33).

Paulo se serve ainda da doutrina da Criação para explicitar o argumento de que a mulher é a glória do homem (e, portanto, a ele subordinada, as esposas a seus maridos, e a mulher em geral à autoridade dos homens na igreja de Cristo[10]).  Versos 8 e 9. A partir da compreensão dos detalhes da Criação, o apóstolo consegue visualizar uma ordenação divina quanto aos diferentes papéis do homem e da mulher. A intenção divina em subordinar a mulher à liderança de seu marido deveria ser refletida também no culto, onde a mulher deveria participar de maneira condizente com a vontade revelada de Deus, com modéstia[11] e decoro. (CALVINO, 2003, P. 332.).  

Se a mulher está debaixo da autoridade eclesiástica exercida pelo homem ao participar do culto, não pode exercê-la sobre ele. Ser ordenada como presbítera ou pastora implicaria que ela poderia ensinar aos homens com a autoridade que o oficio empresta, e participar do governo da igreja, exercendo autoridade sobre os homens crentes. Isso contraria frontalmente o princípio ensinado por Paulo na passagem. (LOPES, p. 34).
           
Quando Paulo chama a atenção da igreja em Corinto para a quebra do decoro, ele não está pensando somente em uma convenção social, mas no estabelecimento de um princípio a partir disto, que é contra o ensino bíblico sobre a ordem do Culto, e o governo da igreja. Calvino entendia que o fato de Paulo dizer que a mulher não deve profetizar de cabeça descoberta não referenda uma prática[12]. “A mulher não tem o direito de profetizar, nem mesmo com suas cabeças cobertas”. (CALVINO, p. 333.)

1 Coríntios 14.33-38

Como em todas as igrejas dos santos, conservem-se as mulheres caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar; mas estejam submissas como também a lei o determina. Se, porém, querem aprender alguma coisa, interroguem, em casa, a seu próprio marido; porque para a mulher é vergonhoso falar na igreja. Porventura, a palavra de Deus se originou no meio de vós ou veio ela exclusivamente para vós outros? Se alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça ser mandamento do Senhor o que vos escrevo. E, se alguém o ignorar, será ignorado. (ARA)


Que tipo de restrição Paulo tinha em mente quando escreveu que as mulheres fiquem em silêncio na igreja? Augustus Nicodemus entende que não se trata de uma restrição absoluta, reduzindo as mulheres ao silêncio total. (LOPES, 1997, p. 42). Compreende ainda que elas podiam falar no culto (cf. v. 29), mas não deveriam questionar publicamente, ou ensinar, os profetas homens. Ele vê  elementos, principalmente em  1 Coríntios 11.5, que permitem dizer que as mulheres “poderiam orar e profetizar durante as reuniões, desde que se apresentassem de forma própria, refletindo que estavam debaixo da autoridade masculina”. (LOPES, 42.). Calvino, contudo, era radicalmente contrário a essa ideia. Para o reformador era totalmente incompatível submissão e ensino feminino, seja por meio de orações ou profecias no culto público.[13] (CALVINO, 2003, p.  444-45).

A aplicação desse texto nos dias de hoje talvez seja um dos maiores desafios no que diz respeito à sua contextualização. Questões de ordem podem ser levantadas, tais como, se o princípio bíblico estabelece a restrição total para qualquer tipo de ensino ou pregação por parte de mulheres no culto público, então, seria legítimo e coerente, permitir que mulheres ensinem em classes de Escola Bíblica Dominical, participem da Educação Cristã de crianças, exerçam liderança, presidindo ou sendo conselheiras em sociedade interna para público masculino (UMP e UPA’s), e assim em diante? Ou bastaria que elas fossem supervisionadas sob a liderança de um homem?

1 Timóteo 2.11-15

A mulher aprenda em silêncio, com toda a submissão. E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio. Porque, primeiro, foi formado Adão, depois, Eva. E Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. Todavia, será preservada através de sua missão de mãe, se ela permanecer em fé, e amor, e santificação, com bom senso. (ARA)


Esta é, provavelmente, a passagem mais importante para a discussão sobre o ministério feminino ordenado[14] (LOPES, p. 45.). Paulo, ao escrever ao jovem pastor Timóteo, que cuidava da igreja em Éfeso, procurava orientá-lo como proceder para corrigir a tentativa de introdução de heresias por parte de falsos mestres infiltrados na igreja. Eles semeavam dissensões, trivialidades, a prática do ascetismo como forma de atingir uma espiritualidade superior, abstinências de várias coisas. Provavelmente, as mulheres poderiam estar sendo seduzidas a seguir tais ensinos, o que explicaria o fato aparente de uma espécie de insurreição feminina. (LOPES, p. 46-47). Paulo usos palavras fortes para adjetivar tais ensinos. “Ensinos de demônios”. (1 Tm 4.1-2). Desta forma, ele regulamenta, e é neste contexto que emite ordem proibindo que mulheres ensinassem na igreja.

Ensinar, no Novo Testamento é uma atividade bem ampla. (...) Nas Epístolas Pastorais, ensinar sempre temo sentido restrito de instrução doutrinaria autoritativa, feita com o peso da autoridade oficial dos pastores e presbíteros. (...)
... Paulo não está proibindo todo e qualquer tipo de ensino por mulheres na igreja. (...) O ensinar que Paulo proíbe é aquele em que a mulher assume uma posição de autoridade eclesiástica sobre o homem. (LOPES, 1997, p. 49-50).
           
Desta forma, se na proibição de ensinar está circunscrita a ideia de ensinar assumindo posição de autoridade eclesiástica, logo, por causa disso, exclui-se qualquer possibilidade de ordenação de presbíteras e pastoras. O governo feminino não encontra sustentação bíblica (LOPES, p. 51). “A mulher não deve entrar na esfera de atividade para a qual a força de sua própria criação não é apta. (...) Por amor a ela e para o bem-estar espiritual da igreja, proíbe-se essa pecaminosa intromissão na autoridade divina”. (HENDRIKSEN, 2011, p. 140).

Alguns intérpretes, tentando adequar a um vezo cultural da época[15], tentam interpretar a orientação paulina reduzindo o campo de ação desta ordem à esfera do casamento, como se o preceito de não poder ensinar fosse aplicado apenas no contexto da subversão de autoridade no casamento[16]. Quanto a isso, Augustus Nicodemus nos informa:

Como observa Douglas Moo, se Paulo desejasse se referir a maridos, teria usado um artigo definido ou um pronome possessivo antes de aner. Nesse caso, a frase ficaria assim: “Não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade sobre seu marido”, como fez em Efésios 5.22; cf. Col 3.18. (LOPES, p. 52).

Outra tese que tem sido proposta, embasada por um espírito liberal, é que não foi Paulo o autor das Epístolas Pastorais, e sim um admirador de Paulo, que é chamado de “Paulinista”. Este, então, teria deturpado o ensino de Paulo, escrevendo de forma contrária ao pensamento original do apóstolo, condenando as mulheres e reduzindo-as ao silêncio. Interessante, que para chegar a essa conclusão, tais intérpretes liberais precisam rejeitar, igualmente, passagens como 1 Coríntios 11.2-16 e 14.34-35. O contorcionismo exegético não tem fim para atingir o objetivo de retaliar a Bíblia a fim de condicionar propostas teológicas à harmonia dos tempos de uma cultura moderna. (LOPES, p. 53-54).


CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por que a Igreja Presbiteriana do Brasil não ordena mulheres? Porque não é bíblico e, não sendo bíblico, fere o princípio regulador do culto, fere a confessionalidade da igreja, direcionando-a ao erro, à heresia, à impureza e à destruição. Se o fizesse traria sobre si mesma, e sobre as mulheres membros que fossem ordenadas, o justo juízo de Deus. Historicamente, todas as denominações cristãs evangélicas que sucumbiram ao apelo dos tempos, de uma cultura moderna, pressionadas pela sociologia e antropologia, fizeram ruir os fundamentos firmes que as sustentavam. Depois da ordenação feminina, a ordenação de gays e lésbicas fica a poucos centímetros de distância.

Aqueles que insistem na tese equivocada de afirmar que os escritos de Paulo foram direcionados exclusivamente a situações locais, de um tempo determinado, incorrem em grave ofensa à doutrina da infabilidade e inerrância da Bíblia. Sobre isso, afirma Augustus Nicodemus:

Quase que todos os livros do Novo Testamento foram escritos em resposta a uma situação especifica de uma ou mais comunidades cristãs do século I, e nem por isso intérpretes igualitaristas defendem que nada do Novo Testamento e aplica às igrejas cristãs de hoje. (...)
O ponto é que existem princípios e verdades permanentes que foram expressos para atender a questões locais, culturais e passageiras. Passam as circunstâncias históricas, mas o princípio teológico permanece. Assim, o comportamento inadequado das mulheres de Corinto e de Éfeso, e as heresias que a provocaram, cessaram historicamente, contudo os princípios aplicados por Paulo para resolver os problemas causados por essas heresias permanecem válidos. (LOPES, p. 56).

O Rev. Ludgero Bonilha, em artigo publicado no Jornal Brasil Presbiteriano, como resposta à entrevista dada pelo Rev. Waldir Carvalho Luz à revista Ultimato, em que este defende a ordenação feminina, apesar de admitir que não existe sustentação bíblica para isso, diz que:

Era parte daquela cultura que as mulheres exercessem liderança espiritual sobre os homens. Veja o grito das mulheres no boicote ao véu ali na Igreja de Corinto. As sacerdotisas nos templos pagãos eram mulheres, as divindades adoradas eram mulheres, como a “deusa Diana dos Efésios” e tantas outras. Grande parte dos crentes da Igreja de Corinto, como de outras na Ásia Menor, eram egressos do paganismo. Paulo falava num contexto cultural pagão e sua ordem não foi uma adaptação cultural, pelo contrário, ele levantou-se contra uma cultura vigente. O Cristianismo e o Judaísmo levantaram-se contra uma cultura feminista e pagã. (MORAIS)[17]


A Comissão Executiva da Igreja Presbiteriana do Brasil já firmou posição sobre a matéria parecida[18]:

SUBCOMISSÃO IX - CONSULTAS E OUTROS PAPÉIS II - CE-SC/IPB-2012 - DOC.CLIX - Quanto ao documento 182 - Oriundo do(a): Sínodo Central Espírito-Santense - Ementa: Consulta sobre mulheres pregando no culto Público. A CE-SC/IPB - 2012 RESOLVE: Declarar que não há impedimento bíblico para que, em ocasiões ou situações especiais, mulheres preguem, sob a autoridade do pastor, que é o responsável pela docência da Igreja nos termos constitucionais.

SUBCOMISSÃO IX - Consultas e Outros Papéis II - CE-SC/IPB-2013 - DOC.XXXVII - Quanto ao documento 051 - Oriundo do(a): Sínodo Brasília - Ementa: Pedido de anulação da Resolução CE-SC/IPB 2012, Doc. CLIX - Consulta sobre mulheres pregando no culto público e apreciação da matéria pelo SC/IPB 2014. Considerando: 1. Que o trabalho da mulher acha-se presente na Igreja, inclusive como missionárias e irmãs piedosas e altamente preparadas, cooperando com a pregação da Palavra, principalmente em igrejas menores, congregações e campos missionários; 2. Que declarar o impedimento das mulheres como pregadoras, seria olvidar a importantíssima contribuição que elas conferem ao desenvolvimento da Igreja 3. Que a CE-SC-2012, não legislou a respeito do assunto, limitando-se a esclarecer algo que tem cooperado com o desenvolvimento da Igreja, respondendo à consulta formulada; A CE-SC/IPB - 2013 RESOLVE: Não dar provimento à solicitação.


            Finalmente, o fato de não se poder, conforme demonstramos fartamente com apoio das Escrituras, ordenar mulheres, não significa que elas não gozem de apreço, honra e dignidade. Mulheres cristãs piedosas têm sido uma grande bênção no decorrer da história da igreja. Elas apoiaram seus maridos, criaram filhos piedosos, exerceram o ministério de intercessão, misericórdia, hospitalidade, e cooperaram significativamente para o crescimento da igreja. Muitas se dedicaram à música sacra, compuseram hinos, serviram como instrumentistas no culto público, agregaram valor ao ministério da igreja. Não é preciso um ofício apócrifo para validar a utilidade das mulheres na igreja do Senhor, basta-lhes cumprirem sua vocação natural, conforme prescrita nas Escrituras e serão bem-aventuradas, juntamente com os homens, nas lides da proclamação do Evangelho de nosso Senhor.


BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

1.      BRUCE, F. F. Romanos – Introdução e Comentário.  São Paulo: Edições Vida Nova, 219.
2.      CALVINO, João. 1 Coríntios. Trad. Valter Graciano Martins.  São Bernardo do Campo: Edições Parakletos, 2003.
3.      ___________. Gálatas. Trad. Valter Graciano Martins. São Paulo: Edições Parakletos, 1998.
4.      ___________. Pastorais. Trad. Valter Graciano Martins. São Paulo: Edições Parakletos, 1998.
5.     DORIANI, Dan. Mulheres e Ministério. Trad. Helen Hope Gordon. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2009.
6.     DUNCAN, J. Ligon; HUNT, Susan. Ministério Feminino na Igreja Local. Trad. Sachudeo Persuad. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2008.
7.      FEE, Gordon. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo. 1 & 2 Timóteo, Tito. São Paulo: Editora Vida, 1994.
8.      GUTHRIE, Donald.  Gálatas – Introdução e Comentário. Trad. Gordon Chown. São Paulo: Edições Vida Nova, 1984.
9.      HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento – Gálatas. Trad. Valter. G. Martins. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2009.
10. ___________. Comentário do Novo Testamento – Romanos, 2ª edição. Trad. Valter Graciano Martins. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2011.
11. ___________. Comentário do Novo Testamento – 1 e 2 Timóteo e Tito, 2ª edição. Trad. Valter Graciano Martins. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2011.
12. HODGE, Charles. Comentário de I Coríntios. Barcelona, ES: El Estandart de La Verdad, 1996.
13. KELLY, J. N. D. I e II Timóteo e Tito – Introdução e Comentário. Trad. Gordon Chown.  São Paulo: Edições Vida Nova, 2006.
14. KISTEMAKER, Simon. Comentário do Novo Testamento – 1 Coríntios. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2004.
15. ___________. Comentário do Novo Testamento – Atos, volume 1. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2006.
16. LOPES, Augustus Nicodemus. Ordenação de Mulheres – Que diz o Novo Testamento? São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1997.
17. MARSHALL, I. Howard.  Atos – Introdução e Comentário. Trad. Gordon Chown. São Paulo: Edições Vida Nova, 2006.
18. MURRAY, John. Romanos. São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2012.




[1] Leenhard informa que Júnias poderia ter sido esposa de Andrônico, tese considerada improvável por grande parte de outros comentaristas. LEEHARDT, F.J. Epístola aos Romanos – comentário exegético. Trad. Waldyr Carvalho Luz. São Paulo: Aste, 1957, p. 389.
[2] Se tivermos que tomar uma decisão, devemos dar mais peso à palavra de Epifânio, porque ele sabe mais sobre Júnias do que Crisóstomo[2], já que informa que Júnias se tornou bispo de Apameia. Concorda com isso o testemunho de Orígenes (morto em 252 d. C.), que numa alusão em latim à Epístola aos Romanos se refere a Júnias no masculino. (LOPES, p.13).
[3] Quanto à cláusula “notáveis entre os apóstolos”, Leehnardt entende que “não é preciso torcer o sentido para salvar a ideia dogmática de um apostolado fechado”. Provavelmente, Andrônico e Júnias foram da primeira geração de crentes que viram o Senhor, e, portanto, possuem um chamado apostólico como portadores de uma mensagem da ressurreição. (LEEHNARDT, 1969, p. 389). Posição reafirmada por F.F. Bruce: “Pode ser que tenham tido direito ao apostolado com base no fato de terem visto o Cristo ressurreto.” (BRUCE, 1979, p.219). John Murray assume outra posição. Ele acredita que “visto que nos escritos de Paulo tal vocábulo usualmente possui um significado mais estrito, é mais provável a cláusula significar que aquelas duas pessoas eram bem conhecidas entre os apóstolos, distinguindo-se por sua fé e serviço. (...) Eles se tornaram cristãos antes de Paulo, estavam associados ao circulo de apóstolos da Judéia.” (MURRAY, 2012, p. 592.)
[4] Calvino, comentando 1 Coríntios 11.3, expressa a mesma opinião paralela a Gálatas 3.28: “Quando Paulo diz que não há diferença entre homem e mulher, ele está falando do reino espiritual de Cristo, onde as características externas [personae] não são levadas em conta, pois esse reino não tem nada a ver com o corpo [material], nada a ver com as relações físicas e reciprocas do homem [ad externam hominum societatem]; assim, toda sua preocupação gira em torno do espírito.” (CALVINO< 2003, p. 331).
[5] Uma outra dificuldade com a interpretação igualitarista é que parece ignorar que Paulo, às vezes, enraíza a subordinação feminina, não na Queda, mas já na própria Criação, como por exemplo, em 1 Coríntios 11.7-10 e 1 Timóteo 2.12-15. (LOPES, 19-20).


[6] “Qual o significado do verbo profetizar? Nos cenários do Antigo Testamento, ele traz a conotação de predizer o futuro. No acontecimento do Pentecostes, a previsão do futuro não está evidente. Uma outra intepretação é a de que profetizar é equivalente a pregar. E, por fim, ‘profetizar pode significar engajar-se em louvor a Deus (veja 1Cr 25.3)’. (...) Na igreja primitiva, os profetas instruíam e exortavam o povo de Deus.” (KISTEMAKER, 2006, P. 126).  Morris, concordando, diz: “Profecia é fala inspirada. (...) Todavia, a ênfase [no NT] não é a predição, mas a exposição do que Deus disse.” (MORRIS, 2006, p. 138.).
[7] Assim creu Calvino: “... Deus, pois, mantém a preeminência; Cristo mantem o segundo plano. Como assim? A resposta é que ele se fez sujeito ao Pai, em nossa carne, porque, afora este fato, sendo de uma só essência com o Pai, ele é igual ao Pai. (...) Meu ponto de vista é que ele é inferior ao Pai em razão de ter-se vestido com nossa natureza, de modo a tornar-se o Primogênito entre muitos irmãos.” (CALVINO, 2003, p. 331.).
[8] “A mulher tem o lugar que lhe é próprio, mas não é o lugar do homem. Ela se mantém para com o homem em tal relação como nenhuma outra coisa, e assim ela é chamada glória do homem”. (MORRIS, P. 123.).
[9] “... a mulher é um esplendido adorno na vida do homem. (...) a mulher foi criada com expresso propósito de enriquecer sublimemente a vida do homem.” (CALVINO, p. 335).
[10] “Há quem inquira se Paulo está fazendo referência somente à mulher casada, porquanto há aqueles que restringem o que Paulo ensina aqui, com base no fato de que isso não diz respeito às virgens, porquanto elas não estão sujeitas à autoridade de um esposo. No entanto, isso não passa de um equivoco, porquanto a visão de Paulo vai além, ou, seja, atinge a lei eterna de Deus, o qual criou o sexo feminino sujeito à autoridade dos homens.” (CALVINO, 2003, P. 336).
[11] “E daqui podemos aventurar-nos a uma conjetura provável de que as mulheres que possuíam uma invejável cabelereira tinham o hábito de aparecer em público com a cabeça descoberta com o fim de exibir sua beleza.” (CALVINO, 2003, P. 334.)
[12] Antecipando questionamentos sobre a legitimidade de a mulher pregar no culto público, Calvino assim se expressa: “A isso respondo, que, ao desaprovar o apóstolo uma coisa aqui, não significa que está aprovando a outra, ali. Pois quando as censura de profetizarem com a cabeça descoberta, ele não está absolutamente fazendo uma concessão para profetizar, senão que está protelando a censura contra este erro para outra passagem [cap. 14].  (...) o apostolo espera das mulheres esta conduta modesta, não só no local onde toda a congregação se reúne, mas também em qualquer outra das reuniões mais formais, seja de senhoras, seja de senhores, como às vezes sucede em reuniões domésticas privadas. (CALVINO, 2003, p. 334.). 
[13] “Pois alguém dirá: ‘O que as impede de ensinar, embora estejam em submissão? ’ Minha resposta é que a tarefa de ensinar é uma função que pertence a alguém incumbido da supervisão da Igreja, e é, por essa razão, inconsistente com a condição de submissão. Pois,. Quão inconveniente seria para uma mulher, que vive em sujeição a um dos membros, presidir. (...) ... se  a mulher está em submissão, ela está, pois, impedida de exercer autoridade para ensinar em público. (...) A autoridade de ensinar, está excluída da função da mulher, porque, caso ela venha a ensinar, logicamente se colocará acima de todos os homens, embora ela devesse estar em submissão.” (CALVINO, 2003, p. 444-45).
[14] A limitação do escopo deste trabalho não permite estender mais do que já foi estendido. Para um melhor estudo desta passagem recomendamos a leitura do comentário de Calvino (CALVINO, 1988, pp. 73-79) e de Gordon Fee (FEE, 1994, pp. 80-86).
[15] Sobre isso, veja o que afirma Hendriksen: “... essas diretrizes [o ensino bíblico] acerca do papel da mulher em relação ao culto público se baseiam não numa condição temporal ou circunstâncias contemporâneas, mas sobre dois fatos que têm significação para todos os tempos, a saber: o fato da criação e o da entrada do pecado.” (HENDRIKSEN, 2011, P. 140).
[16] Goordon Fee repudia essa proposta. Comentando 1 Timóteo 2.9-12, diz ele: “Paulo volta-se a seguir para as mulheres (sem o artigo definido, no grego, implicando um contexto mais amplo do que meramente esposas)”, e ainda, “... Por causa do exemplo de Adão e Eva, que se segue, muitas vezes se sugere que aqui ele se dirige às esposas com vistas a seus maridos. Mas a implicação da palavra toda talvez  tenha em vista uma frente maior, que inclua a conduta das viúvas mais moças e o andar elas (‘de casa em casa’ [igrejas-lares?]; e não somente ociosas mas... falando o que não devem (5:13).” (FEE, 1988, p. 81, grifo do autor)
[18] Há controvérsias sobre isso, visto que muitos entendem que não é função da CE propor entendimento sobre matéria nova, principalmente sobre doutrina e ordem do culto, mas que tal consulta deveria ser encaminhada ao SC/IPB, que é o foro adequado para normatizar e resolver questões como esta. 

Seguir por e-mail