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terça-feira, 26 de agosto de 2014

O AMOR QUE PERMANECE - MEDITANDO NOS SALMOS 136

O amor que Permanece

Exposição do Salmo 136

1 Rendei graças ao SENHOR, porque ele é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre.
 2 Rendei graças ao Deus dos deuses, porque a sua misericórdia dura para sempre.
 3 Rendei graças ao Senhor dos senhores, porque a sua misericórdia dura para sempre;
 4 ao único que opera grandes maravilhas, porque a sua misericórdia dura para sempre;
 5 àquele que com entendimento fez os céus, porque a sua misericórdia dura para sempre;
 6 àquele que estendeu a terra sobre as águas, porque a sua misericórdia dura para sempre;
 7 àquele que fez os grandes luminares, porque a sua misericórdia dura para sempre;
 8 o sol para presidir o dia, porque a sua misericórdia dura para sempre;
 9 a lua e as estrelas para presidirem a noite, porque a sua misericórdia dura para sempre;
 10 àquele que feriu o Egito nos seus primogênitos, porque a sua misericórdia dura para sempre;
 11 e tirou a Israel do meio deles, porque a sua misericórdia dura para sempre;
 12 com mão poderosa e braço estendido, porque a sua misericórdia dura para sempre;
 13 àquele que separou em duas partes o mar Vermelho, porque a sua misericórdia dura para sempre;
 14 e por entre elas fez passar a Israel, porque a sua misericórdia dura para sempre;
 15 mas precipitou no mar Vermelho a Faraó e ao seu exército, porque a sua misericórdia dura para sempre;
 16 àquele que conduziu o seu povo pelo deserto, porque a sua misericórdia dura para sempre;
 17 àquele que feriu grandes reis, porque a sua misericórdia dura para sempre;
 18 e tirou a vida a famosos reis, porque a sua misericórdia dura para sempre;
 19 a Seom, rei dos amorreus, porque a sua misericórdia dura para sempre;
 20 e a Ogue, rei de Basã, porque a sua misericórdia dura para sempre;
 21 cujas terras deu em herança, porque a sua misericórdia dura para sempre;
 22 em herança a Israel, seu servo, porque a sua misericórdia dura para sempre;
 23 a quem se lembrou de nós em nosso abatimento, porque a sua misericórdia dura para sempre;
 24 e nos libertou dos nossos adversários, porque a sua misericórdia dura para sempre;
 25 e dá alimento a toda carne, porque a sua misericórdia dura para sempre.
 26 Oh! Tributai louvores ao Deus dos céus, porque a sua misericórdia dura para sempre.

O Salmo 136 é considerado um cântico de ação de graças. Na tradição judaica, este salmo é frequentemente conhecido como o Grande Hallel (“o Grande Salmo de Louvor”). Os judeus o recitam ao final do jantar pascal. (Cf. Sl 113; MT 26.30.)
Este Salmo tem por objetivo recordar e proclamar as grandes obras de Deus. As suas cinco estrofes podem ser agrupadas em duas seções. Sendo a primeira, uma convocação para adorar a Deus com base na obra da criação (V. 1-9) e, a segunda, convoca-se a adorar a Deus com base na sua obra redentiva, contada ao logo da história de seu povo (V. 10-26).

Este hino de ação de graças parece grandemente com o Salmo 135 no conteúdo. Ele é, entretanto, muito mais litúrgico, tendo um refrão antifonário que aparece em cada versículo. A constante repetição do mesmo estribilho ("porque para sempre é sua misericórdia" ) faz pensar que na recitação do salmo se foram alternando dois coros, ou um solista e um coro.
Esse estribilho provavelmente era entoado pela congregação em resposta às sentenças cantadas pelos levitas, ou então era entoado pelo coro de levitas em resposta ao canto de um chantre (aquele que dirige os cânticos). Caso fosse removido o coro repetido, restaria um curto salmo de louvor, que exalta a bondade do Senhor. Esse é o tema principal: A bondade eterna de Deus.

Há cinco seções neste poema.
Podemos deduzir então que a declaração “Rendei graças ao Senhor, porque ele é bom, porque a sua misericórdia (hesed) dura para sempre” parece ter adquirido uma importância quase que de credo, pelo tempo em que esses textos foram trabalhados na estrutura canônica. Tanto os Salmos 118 quanto o 136 são explorações longas, líricas dessas verdadeiras confissões de fé. Elas começam e terminam com a mesma afirmação.
Como dissemos, o tema do Salmo 136 salta a vista no seu coro: a misericórdia do Senhor dura para sempre!
O termo hebraico utilizado aqui no Salmo 136, traduzido (ARA) por misericórdia, ou benignidade (ARC), ou ainda, amor (NVI) é hesed.
Hesed ocorre 246x no AT, sendo que aproximadamente metade dessas ocorrências está nos Salmos. Descreve, mais frequentemente, a disposição e as ações beneficentes de Deus para com o fiel, Israel, seu povo, e para com a humanidade em geral.
Misericórdia, como está em nossa versão atualizada de Almeida, está entrelaçada a bondade de Deus. Misericórdia, nesse contexto, diz respeito à disposição benigna de Deus para com seus eleitos, livrando-os de perigos, perdoando-lhes pecados, concedendo-lhes vitória e descanso. O seu caráter, portanto é totalmente redentivo.

PORQUE DEUS É MISERICORDIOSO?

Deus é misericordioso porque ELE é bom.

A misericórdia é sempre resultado da bondade de Deus. A palavra misericórdia é latina e a ideia geral é ter o coração na miséria. Dr. Héber Carlos de Campos define misericórdia como “a bondade de Deus ou o amor de Deus para com os que se encontram em miséria e angústia espirituais, sem levar em conta o fato de que eles a merecem”. (Campos, 276). Por isso, não se pode entender a manifestação da misericórdia à parte da queda. Antes desta o homem criado à imagem e semelhança de Deus, vivia em santidade e perfeita retidão, desta forma não conhecia a expressão deste atributo divino, a misericórdia, visto não ter pecado, e, portanto, não ter impedimentos ou reivindicações do caráter santo de Deus para ser punido e disciplinado.

Em síntese, Misericórdia é a bondade de Deus quando mostrada aqueles que estão em miséria. (Bavinck, II, 219).

Neste Salmo nos é dito que a misericórdia de Deus dura para sempre. Isso é um reflexo da ideia bíblica encontrada no decálogo (Ex. 20.6: “... e faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos”.) “Mil gerações” pode ser entendido como a misericórdia que dura para sempre.  Esta misericórdia interminável pertence unicamente àqueles a quem o Senhor resolve salvar.

Nunca os filhos de Deus ficam sem misericórdia.

Cada manhã os filhos de Deus são despertados debaixo da misericórdia renovada. A misericórdia do Senhor é grande, não existe pecado dos filhos de Deus tão grave, confessado em arrependimento,  que ela não alcance e suplante com seus efeitos de perdão. Ela é multiforme e infinita. Seu caráter é imutável. Atrelada a fidelidade de Deus sua misericórdia é permanente, confiável pois não está sujeita a mudanças intemperes. A misericórdia do Senhor é soberana, ela sempre triunfa sobre o objeto do olhar bondoso de Deus. Tiago disse que “... a misericórdia triunfa sobre o juízo” (Tg 2.13b).

O Teólogo alemão Herman Bavinck afirmou que o objeto deste tipo de misericórdia, conforme expressado neste Salmo 136 são os eleitos, os crentes. A misericórdia de Deus com relação aos seus eleitos é infinita por causa de sua fonte, que é o ser perfeito de Deus. Diz Bavinck:

Como ele mesmo [DEUS] é o bem absoluto e perfeito, ele não pode amar nada, a não ser voltado para si mesmo. Ele não deve contentar com nada menos que perfeição absoluta. Quando ele ama outros, ele ama a si mesmo neles: suas próprias virtudes, obras e dons.
(...) Como bem supremo, Deus também é a fonte transbordante de todos os bens. Como Deus é perfeitamente bom, ele é incessantemente beneficente.  (Bavinck, II, 217-19)

É significativo que “bom” ou “bondade” é termo usado no Antigo Testamento para descrever as coisas prometidas por uma aliança. A pessoa que busca refúgio no Senhor conhecerá deveras a bem-aventurança que ele outorga a seus filhos.  (Harman, 163).
Deus mantem a sua misericórdia para com milhares, o que é imediatamente relacionado com perdão de pecados. Parece trivial que tudo isso apenas diga que Deus mantém o seu juramento. O juramento é mantido porque é o Deus amoroso que faz o juramento.

Portanto, hesed (MISERICORDIA, BONDADE, GRAÇA) é uma das palavras que descrevem o amor de Deus.

CARACTERÍSTICAS DA MISERICÓRDIA DE DEUS

Varias características da misericórdia divina tornam-se aparentes no contexto da relação de Deus com seus eleitos:

(1) A bondade de Deus salva as pessoas do desastre dos opressores. Vejam o exemplo de Ló quando foi livrado da morte pelos mensageiros de Deus:

“Eis que o teu servo achou mercê diante de ti, e engrandeceste a tua misericórdia que me mostraste, salvando-me a vida; não posso escapar no monte, pois receio que o mal me apanhe, e eu morra.” (Gn 19.19).

Os Salmos, em particular, estão repletos destes motivos. Geralmente, isso toma a forma de ação de graças, após Deus ter livrado o salmista de seus adversários.

(2) A misericórdia de Deus sustenta a vida. O poder dinâmico da morte está próximo na experiência dos escritores do A.T. É um poder invasivo que busca todas as oportunidades para arrastar alguém à força e exterminar sua vida. A misericórdia de Deus contra-ataca esse poder. É um aliado da vida, uma proteção contra o poder ameaçador da morte.  “Volta-te, Senhor, e livra minha alma; salva-me, por tua graça (hesed)” Salmos 6.4.

(3)   A misericórdia amorosa de Deus neutraliza a sua ira. Às vezes, o texto bíblico sugere que a própria resposta de Deus para o pecado humano corre em direções opostas. Em tais momentos a misericórdia de Deus põe em ação um papel aprimorador ou limitador sobre a sua ira: “num ímpeto de indignação escondi de ti a minha face por um momento;” ouve-se o Senhor dizer em Isaias 54.8, “mas com misericórdia (hesed) eterna me compadeço de ti”.

Miqueias pergunta: “Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniquidade, e te esqueces da transgressão o restante da tua herança? O Senhor não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia (hesed)”. (Mq 7.18)

(4) A bondade divina é duradoura, persistente, até mesmo eterna. Os escritores bíblicos celebram a eternidade da bondade de Deus. Isso é visto no contraste com coisas que são duradouras, porém não podem durar para sempre. Por exemplo, em Isaias 54.10a registra:

“Porque os montes se retirarão, e os outeiros serão removidos; mas a minha misericórdia (hesed) não se apartará de ti.”

(5) A misericórdia divina desempenha um papel importante na vida intima e comunitária do povo de Deus. Por um lado ela os leva a Deus (Ex 15.30) e caracteriza o ensino que ministra a eles. Por outro lado, é o foco da esperança deles quando se encontram em dificuldade. O alivio vai trazer o livramento para regozijar e cantar. Ela origina a ação de graças (Sl 107; 138.20). Finalmente, ela supre uma função pedagógica, à medida que é lembrada, recontada, e se medita sobre ela.

(6) A bondade fiel de Deus é abundante. O fato de que a bondade amorosa de Deus é abundante é confirmado de duas maneiras. Primeira: os Salmos fazem declarações cosmológicas – hesed enche a terra (Sl 33.5: “Ele ama a justiça e o direito; a terra está cheia da bondade do SENHOR”;  119.64: A terra, SENHOR, está cheia da tua bondade; ensina-me os teus decretos”.).

(7) A misericórdia divina caracteriza-se pelo governo de Deus e estabelece seu rei. O autor do Salmo 89.14 declara a respeito do Senhor: “justiça e direito são o fundamento do teu trono; graça (hesed) e verdade te precedem”.

Como reconhecemos essa misericórdia infinita de Deus na história humana?
O Salmo 136 nos ensina!

Notem-se as quatro frases: ele é bom (1), Deus dos deuses (2), Senhor dos Senhores (3), Aquele que só faz maravilhas (4). Pode-se dizer que essas quatro frases servem de subtema para as quatro estrofes seguintes, mas a ordem é invertida.

I.                 136.1-3: CONVITE UNIVERSAL

1 Rendei graças ao SENHOR,  porque ele é bom, porque a sua misericórdia dura para sempre.  2 Rendei graças ao Deus dos deuses,  (...).  3 Rendei graças ao Senhor dos senhores, (...);

O Deus dos deuses, Senhor dos senhores.

Rendei graças basicamente, significa “confessar” ou “reconhecer”, sendo, portanto, que nos conclama à adoração pensativa e grata, declarando tudo quanto sabemos ou descobrimos da glória de Deus e dos Seus atos.

Moisés falou do Deus único e verdadeiro quando disse: “Pois o Senhor, vosso Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível” (Deuteronômio 10:17). 1.500 anos depois, João falou da vitória do mesmo Deus: “Pelejarão eles contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis” (Apocalipse 17:14).

A comparação destes dois versículos, como parte de um estudo geral do ensinamento das Escrituras sobre Jesus, mostra claramente a divindade de Jesus. O Tetragrama Yahweh não somente identifica o Pai, mas também descreve o Filho. Da mesma maneira que podemos chamar o Pai de Jeová ou Yahweh, podemos aplicar este nome sagrado a Jesus Cristo.

11 Vi o céu aberto, e eis um cavalo branco. O seu cavaleiro se chama Fiel e Verdadeiro e julga e peleja com justiça. 12 Os seus olhos são chama de fogo; na sua cabeça, há muitos diademas; tem um nome escrito que ninguém conhece, senão ele mesmo. 13 Está vestido com um manto tinto de sangue, e o seu nome se chama o Verbo de Deus; 14 e seguiam-no os exércitos que há no céu, montando cavalos brancos, com vestiduras de linho finíssimo, branco e puro. 15 Sai da sua boca uma espada afiada, para com ela ferir as nações; e ele mesmo as regerá com cetro de ferro e, pessoalmente, pisa o lagar do vinho do furor da ira do Deus Todo-Poderoso. 16 Tem no seu manto e na sua coxa um nome inscrito: REI DOS REIS E SENHOR DOS SENHORES. Apocalipse 19.11-16

O Dr. Simon Kistemarker ao comentar essa frase “PORQUE ELE É SENHOR DOS senhores e O REI DOS reis” descreve:

Os qualificativos dos senhores e dos reis servem para expressar a ideia superlativa. (...) O titulo Rei dos reis denota soberania e autoridade; o título Senhor dos senhores significa majestade e poder. Cada governo, todas as nações e todos os povos estão sujeitos a ele; e todos quantos pertencem ou ao mundo angélico ou à humanidade, que determinam enfrenta-lo em luta, enfrentam uma batalha perdida e uma ruína total.

O salmo, ao se desenrolar, faz exatamente isto, falando aqui do Seu caráter (1) e soberania (2, 3); depois, daquilo que Ele criou e praticou (4 e segs.), e daquilo que continua a fazer (25).

II. 136:4-9. CONVITE A ADORAR O CRIADOR:

4 ao único que opera grandes maravilhas, porque a sua misericórdia dura para sempre; 5 àquele que com entendimento fez os céus, (...); 6 àquele que estendeu a terra sobre as águas, (...); 7 àquele que fez os grandes luminares, (...); 8 o sol para presidir o dia, (...); 9 a lua e as estrelas para presidirem a noite, (...);

Estes convites juntam dois modos que há no Antigo Testamento de tratar o tema da criação: o de Provérbios, que desenvolve o conceito da sabedoria e do entendimento (5) que a criação pressupõe (cf. Pv 3:19-20: “O SENHOR com sabedoria fundou a terra, com inteligência estabeleceu os céus. Pelo seu conhecimento os abismos se rompem, e as nuvens destilam orvalho”.), e o de Gênesis, que narra a história dela (cf. vv. 6-9 com Gn 1:9-10, 16-18).

Este tema, seja onde surgir no Saltério, convida o cristão, não a discutir teorias cosmológicas, mas a deleitar-se no seu ambiente, que lhe é conhecido, não como mero mecanismo, mas como obra de “amor inabalável”. Nenhum descrente possui motivos para uma alegria desta qualidade. Só salvos rendem louvores a Deus por sua obra de Criação!

III.        136:10-16. CONVITE A ADORAR O LIBERTADOR:

10 àquele que feriu o Egito nos seus primogênitos, porque a sua misericórdia dura para sempre; 11 e tirou a Israel do meio deles, (...); 12 com mão poderosa e braço estendido, (...); 13 àquele que separou em duas partes o mar Vermelho, (...); 14 e por entre elas fez passar a Israel, (...); 15 mas precipitou no mar Vermelho a Faraó e ao seu exército, (...);

Aquilo que significa “o julgamento deste mundo” e do seu “príncipe” para o cristão, a partir da cruz e da ressurreição, a derrota de Faraó e suas hostes significava, até certo ponto, para Israel. Esta última também faz parte da nossa própria história, lançando luz sobre a nossa própria redenção e sobre o significado do nosso batismo e peregrinagem.

Os versículos 13-15 sumariam Êxodo 14.21-31. A travessia do Mar Vermelho significou salvação para os israelitas, porém juízo para o exército egípcio perseguidor. A ação de Deus teve duas consequências inteiramente diferentes. Deus não é digno de receber louvores somente pelos seus atos de livramento, mas, também, pelos seus juízos efetuados. Apocalipse 15.1-4 narra que houve jubilo e brado de aleluias quando Deus ordena seus juízos sobre as nações ímpias. O verso três e quatro são impressionantes:
3 e entoavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo: Grandes e admiráveis são as tuas obras, Senhor Deus, Todo-Poderoso! Justos e verdadeiros são os teus caminhos, ó Rei das nações! 4 Quem não temerá e não glorificará o teu nome, ó Senhor? Pois só tu és santo; por isso, todas as nações virão e adorarão diante de ti, porque os teus atos de justiça se fizeram manifestos.” Ap 15.3,4

No Êxodo, por ocasião da travessia de Israel no mar vermelho, as águas foram divididas, e Israel passou por terra seca, o Senhor, porém, submergiu os egípcios no mar. Tal demonstração de poder divino levou os israelitas a temerem e a depositarem sua confiança nele e em Moisés, seu servo (Êx 14.31).

IV. 136:17-22. CONVITE A ADORAR O DEUS VENCEDOR:

16 àquele que conduziu o seu povo pelo deserto, porque a sua misericórdia dura para sempre; 17 àquele que feriu grandes reis, (...); 18 e tirou a vida a famosos reis, (...); 19 a Seom, rei dos amorreus, (...); 20 e a Ogue, rei de Basã, (...); 21 cujas terras deu em herança, (...); 22 em herança a Israel, seu servo, porque a sua misericórdia dura para sempre;

(1) Louvor pelas Experiências no Deserto (v. 16). Não foi só no tempo do êxodo que Deus exibiu seu poder. Durante as experiências no deserto, ele deu a seu povo proteção e sustento divino. Ele foi o grande pastor que guiou seu povo como um rebanho e os conduziu em segurança (Sl 78.52,53). Os salmistas parecem ter tomado expressões por empréstimo de Deuteronômio (ver Dt 8.2: 2: “Recordar-te-ás de todo o caminho pelo qual o SENHOR, teu Deus, te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, para te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos.”  8.15; 29.5), e os profetas descrevem a condução pelo deserto em termos semelhantes (ver Is 48.21: “Não padeceram sede, quando ele os levava pelos desertos; fez-lhes correr água da rocha; fendeu a pedra, e as águas correram”.  Cf. Jr 2.6; Am 2.10).

(2) Louvor pela Conquista. Em sua partida rumo a Canaã, os israelitas tiveram que atravessar território hostil a leste do Mar Morto. Nem Seom, rei dos amorreus, nem Ogue, rei de Basã, permitiram sua passagem sem disputa, e depois de serem derrotados pelas mãos dos israelitas suas terras foram tomadas. Os relatos históricos são dados em Números 21.21-35 e Deuteronômio 2.24-3.11. O território de Seom e Ogue forneceu terra a duas tribos e meia - Gade, Rúben e a metade de Manassés. A promessa básica da terra de Canaã dada a Abraão (Gn 12.7) foi reafirmada no tempo do êxodo e chamada herança de Israel (Êx 32.13). Quando Israel ocupou Canaã, esta foi distribuída por sorte como herança (Nm 33.54), de modo que Deus estabeleceu “as tribos de Israel em seus lares” (SI 78.55). Os israelitas individualmente eram servos de Deus, mas a nação como um todo podia também ser chamada por Deus “minha serva” (cf. também Is 41.8; 44.1,2).

V.             136:23-25. CONVITE A ADORAR A DEUS, NOSSO AMIGO NA HORA DA NECESSIDADE:

23 a quem se lembrou de nós em nosso abatimento, porque a sua misericórdia dura para sempre; 24 e nos libertou dos nossos adversários, porque a sua misericórdia dura para sempre;

Convocação Renovada ao Louvor. Os versículos conclusivos servem para sumariar o salmo como um todo, e talvez expressem a experiência reiterada de Israel desde o tempo da conquista até o exílio. Os w. 23-24 talvez são um resumo da história já contada, mas mais provavelmente a continuam até o tempo presente. Afinal das contas, “o seu eterno amor dura para sempre”, e o refrão tem a intenção de mostrar a relevância de cada ato de Deus a todos quantos cantam o salmo.

Deus não se esquecera de seu compromisso pactual, porém manteve em mente seu povo. A expressão “nosso abatimento”, usada no verso 23, é uma expressão veterotestamentária para “rebaixamento” ou “humilhação”, e podia descrever os tempos de dominação por povos adjacentes durante o período dos juízes ou algum dos períodos posteriores, inclusive a humilhação abjeta do exílio.

Depois, v. 25 passa a alargar o horizonte em termos de espaço, e não somente de tempo.

25 e dá alimento a toda carne, porque a sua misericórdia dura para sempre;

Deus era o libertador, mas foi também aquele que supriu a todos de carne em abundância segundo sua promessa a Noé.

O verso 25 evoca a lembrança da promessa de graça comum de nosso Deus feita por ocasião do pacto com Noé, logo após o assentamento da arca no monte Ararate:

8 Disse também Deus a Noé e a seus filhos: 9 Eis que estabeleço a minha aliança convosco, e com a vossa descendência, 10 e com todos os seres viventes que estão convosco: tanto as aves, os animais domésticos e os animais selváticos que saíram da arca como todos os animais da terra. 11 Estabeleço a minha aliança convosco: não será mais destruída toda carne por águas de dilúvio, nem mais haverá dilúvio para destruir a terra.
 12 Disse Deus: Este é o sinal da minha aliança que faço entre mim e vós e entre todos os seres viventes que estão convosco, para perpétuas gerações: 13 porei nas nuvens o meu arco; será por sinal da aliança entre mim e a terra. 14 Sucederá que, quando eu trouxer nuvens sobre a terra, e nelas aparecer o arco, 15 então, me lembrarei da minha aliança, firmada entre mim e vós e todos os seres viventes de toda carne; e as águas não mais se tornarão em dilúvio para destruir toda carne. 16 O arco estará nas nuvens; vê-lo-ei e me lembrarei da aliança eterna entre Deus e todos os seres viventes de toda carne que há sobre a terra.
17 Disse Deus a Noé: Este é o sinal da aliança estabelecida entre mim e toda carne sobre a terra. Gênesis 9.8-17


VI.        136:26. CONVITE A ADORAR O DEUS DO CÉU:

26 Oh! Tributai louvores ao Deus dos céus, porque a sua misericórdia dura para sempre;

O versículo final toma o cântico de louvor inicial, retoma o estilo dos vv. 1-3, e o reitera com uma leve alteração, fazendo com que o salmo volte, em efeito, à nota tônica que lhe deu início. O modo de falar a Deus se torna “o Deus do céu”. Em nenhuma outra parte nos salmos ocorre este título, e parece ser essencialmente uma designação para Deus no período pós-exílio (Ed 1.2; Ne 1.4; Dn2.18).

E o que faremos nós, no dia de hoje?

Tomaremos por ação de graças a lembrança viva, real e presente de que nosso Deus é o Deus criador.

Mas, ele não é digno de nosso louvor somente porque criou céus e terra, mas também o sustentador, o provedor de tudo.

Em sua divina providência, Deus fez de si mesmo o redentor e libertador de seu povo. Quantas maravilhas ele tem feito em nosso meio? Você pode contá-las? Mas, certamente, pode cantá-las, assim como o proclamou o profeta Isaías no capítulo 63, verso 7 de seu livro, também nós podemos dizer:


Celebrarei as benignidades do SENHOR e os seus atos gloriosos, segundo tudo o que o SENHOR nos concedeu e segundo a grande bondade para com a casa de Israel, bondade que usou para com eles, segundo as suas misericórdias e segundo a multidão das suas benignidades. Isaías 63:7

quinta-feira, 31 de julho de 2014

MISSÕES URBANAS - AS CIDADES: UMA NOVA FRONTEIRA


AS CIDADES -  Nova Fronteira da Missão
Um Quadro Bíblico
Roger S. GreenWay
Texto original:  GREENWAY, Roger S;  MONSMA, Timothy M. Cities – Missions’ New Frontier.  Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1989, pp. 1-12)


O tipo de trabalho de missão que agrada a Deus e o qual ele abençoa é aquele feito com cuidado em base bíblica sólida. O ministério cristão, afinal de contas, é uma projeção de crenças teológicas; seu vigor e forma revelam a base sobre a qual repousa. Não podemos esperar vidas transformadas, bairros da cidade melhorados e igrejas vitais estabelecidas se nossos trabalhos nascem fracos, distorcidos, sem raízes teológicas. O missiólogo urbano, portanto, deve deixar um rastro de luz que o missionário praticante possa seguir. Os obreiros nas ruas não vão avançar como deveriam, a menos que haja missiólogos urbanos à frente deles, por trás deles e ao lado deles, emitindo verdadeiras e proféticas notas de sonoridade.
Assim como igrejas evangélicas e organizações missionárias despertam para os desafios de um mundo em rápida expansão urbana, há o perigo de que a urgência da tarefa faça com que elas negligenciem os fundamentos bíblicos. As necessidades da cidade são tantas e tão urgentes que somos tentados a mover-nos em múltiplas direções sem parar para compreender nossos propósitos teológicos. A Missão urbana sofreu com uma grande negligência no passado. Como uma nova era do Ministério urbano se desenrola, não devemos repetir o erro.
Em 1 Coríntios 3, o apóstolo Paulo descreve-se como um plantador especialista, um plantador que teve uma excelente base em Jesus Cristo e no seu Evangelho. Ele esperava que os plantadores que viessem depois dele pudessem edificar cuidadosamente. Quem segue os apóstolos, seja como estudante ou profissional de missão urbana, deve refletir continuamente sobre o fundamento de nosso trabalho – Cristo – como a plenitude da revelação bíblica. Devemos construir essa fundação sozinha compilando com os melhores materiais. Estratégias urbanas sádias e operações de missão exigem firmes fundamentos teológicos. Isso requer muita oração, estudo bíblico, o alongamento constante dos nossos horizontes mentais e um trabalho duro e simples.

Avisos da Europa
Há sérias consequências quando cristãos líderes negligenciam gravemente uma reflexão teológica sobre a cidade e sua importância para a Igreja e missões. As condições religiosas nas cidades europeias servem como um aviso. O cristianismo está com sérios problemas lá. Nos últimos anos, locais que eram fortalezas da fé se transformaram em campos missionários.

Como as igrejas perderam as cidades?
Vários fatores contribuíram para o quadro. Um dos fatores é o fato de que estudiosos evangélicos têm negligenciado as cidades. Esta explicação é dada por C. Henk Koetsier, um erudito europeu que vive e trabalha em Amsterdam. Pessoalmente envolvido em missões urbanas por muitos anos, Koetsier avalia a situação na Europa:
Lá têm sido pouco teológicas a análise e reflexão sobre o que está acontecendo nas cidades. É como se a teologia perdesse interesse pelo mundo da cidade moderna. Apenas recentemente alguns teólogos deixaram suas torres de marfim da erudição teológica para enfrentar a agitação da vida interior da cidade. Portanto, igrejas não foram capazes de lidar com a situação nas cidades. Elas se retiraram das cidades sociologicamente pela migração e teologicamente por um abandono semelhante. Igrejas simplesmente não estavam dispostas a refletir crítica e criativamente sobre os desafios impostos a elas pelas cidades.[1]

Há sinais de que o que aconteceu na Europa será repetido nas cidades da América do Norte e mais tarde em outras partes do mundo. Em todos os lugares, vemos a tendência de as igrejas fugirem, e estudiosos ignorarem os demais desafios das cidades. Pouca atenção é dada ao Ministério urbano e a tendência é focar em métodos e estratégias em vez de valorizar perguntas fundamentais que são bíblicas e teológicas por natureza.
Reconhecendo essa tendência, prefiro focar primeiro na imagem bíblica das cidades. Depois examinaremos o quadro bíblico, e poderemos discutir as questões práticas envolvidas no Ministério urbano. É importante que olhemos com atenção para ambos, pois um grande negócio está envolvido. Ao pensarmos sobre o assunto, orientados por uma perspectiva bíblica, inevitavelmente será ampliada nossa visão de Deus, criação, redenção, cidades e evangelismo.

A imagem bíblica das cidades
Voltemos primeiro para as “cidades que poderiam ter sido” e depois para a “cidade que vai ser”. Quando fazemos isso, vemos mais claramente as cidades que são as cidades onde você e eu vivemos e ministramos. Por meio desta análise, tenho certeza, vamos entender de forma mais profunda e mais abrangente a nossa missão em e a estas cidades.

As “cidades que poderiam ter sido”
As “cidades que poderiam ter sido” são as comunidades que teriam surgido se a queda não tivesse ocorrido. Em um estado não caído, os dons que vêm à expressão na cultura humana, as artes, artesanato, arquitetura e tecnologia, teriam todos se desenvolvido a um ritmo elevado, a um nível excelente e sem a influência corruptora do mal. Eles teriam aparecido em uma vasta variedade de formas, todos eles trazendo glória a Deus e beneficiaando a família humana. Os dons humanos viriam à sua mais alta expressão nas cidades, na vida comunitária e institucional, como pessoas sem pecado trabalhando juntas, compartilhando seus talentos e mão de obra e produzindo grandes coisas com os recursos da criação do Deus bom e rico.
Certamente, o mundo que poderia ter sido teria sido um mundo urbano. A raça humana foi criada em um jardim, mas seu destino, como portadores da imagem de Deus e como seres sociais, é a cidade. Além disso, o mandato cultural que Deus deu a Adão (Gn 1.28) implícito, e mesmo necessário, é o fundamento da cidade. Adão recebeu a ordem de cultivar os recursos da terra e construir com os recursos colocados à sua disposição. Ele poderia organizar e governar, sob Deus, o mundo que Deus havia feito. Da família nuclear, para a família extendida, e toda a raça humana teria expandido a uma comunidade não caída, e cidades naturalmente desfrutariam desses resultados. Estas cidades teriam sido lugares maravilhosos; uma pura alegria e prazer aos seus habitantes. Sem pecado, corrupção ou desarmonia, toda a vida urbana teria contribuído para o bem-estar humano e a glória de Deus.
As cidades de uma raça não caída teriam sido centros culturais além da imaginação. Os inumeráveis dons e potencialidades de portadores da imagem de Deus teriam produzido uma variedade infinita de realizações culturais dedicados à glória de Deus e ao santo desenvolvimento da raça humana. Muitas vezes, observamos que as cidades de hoje contêm as expressões mais altas de conquista cultural, habilidade e conhecimento humano. Mas as cidades num mundo não caído superariam as cidades de hoje em todos os sentidos. Quem pode imaginar que conquistas poderiam ter ocorrido se o pecado e o mal não tivessem entrado no mundo, usando os potenciais humanos para fins escusos e desonestos?
Estas cidades sem pecado seriam cidades templos, e toda a adoração e louvor teriam sido ao único Deus verdadeiro. Elas teriam sido teocêntricas, cidades pactuais, honrando a Deus pela obediência perfeita e beneficiando os habitantes em todos os sentidos. Cada uma delas poderia ter sido apropriadamente chamada de “Cidade santa de Deus”.
Mas essas cidades não aconteceram. Elas não fazem parte da história como a conhecemos. O que elas poderiam ter sido, podemos deduzir no relato da Escritura de como Deus criou as coisas e proveu os recursos que precisariam ser usados. Mas a queda ocorreu, e um mundo diferente se desenvolveu. Vamos olhar para esse mundo e suas cidades em alguns momentos. Mas primeiro temos de analisar outra parte das Escrituras.

A “cidade que vai ser”
A “cidade que vai ser” é conhecida e entrará pela graça sozinha. A Bíblia a descreve em Apocalipse 21, chamando-a cidade santa, a nova Jerusalém. Essa cidade não é de fabricação humana, mas descerá do céu de Deus. É linda, além da descrição, sem mácula de pecado, como uma noiva virgem, vindo para o marido.
Nesta cidade, a vida comunitária é pacífica, harmoniosa. Não existem lágrimas, nem causa para elas. Morte e luto sumiram. Não há nenhuma dor. As coisas que enferrujaram as cidades antigas desapareceram para sempre. E o melhor de tudo é que Deus habita com seu povo em um relacionamento perfeito.
Esta nova Cidade é uma cidade templo. O templo é Jesus Cristo, que é a presença de Deus com seu povo. A Escritura descreve-o como cordeiro que foi morto como sacrifício para a redenção dos pecadores. Como o Cordeiro, ele ganhou o direito de receber a glória e o louvor de todos os habitantes da nova cidade.
O mundo por vir, ensinam as Escrituras, será um mundo urbano. O drama de redenção que começou em um jardim vai acabar em uma cidade, a Nova Jerusalém. Cidadãos do céu serão habitantes urbanos. Atraídos por vínculos de graça, todas as raças, nações e grupos linguísticos, cidadãos da nova cidade irão viver juntos em perfeita harmonia como povo redimido de Deus – a nova comunidade de aliança. Esta Cidade existirá para que se desfrute de tudo que as “cidades que poderiam ter sido” teriam possuído, e mais uma coisa: os cidadãos da nova cidade não serão apenas sem pecado, eles serão pecadores lavados. Deles é a história da redenção. Suas canções serão sobre o Salvador e seu sangue (Ap 5.9).

As “cidades que são”
Entre os raios de morte de uma oportunidade perdida e a promessa de futuro gracioso surgem as “cidades que são”. Cidades pós-queda certamente não são como as “cidades que poderiam ter sido”. Por causa do pecado, hoje as cidades são centradas no homem, muitas vezes violento e repleto de atritos, ganância e carnalidade. O pecado corre livremente pelas ruas e mercados. O pecado senta-se entronizado nas altas esferas da vida cívica. As cidades são caracterizadas por muitos pactos quebrados, o maior deles a quebra do pacto com Deus.
No entanto, estas cidades são habitáveis. A vida continua nelas todos os dias. O pecado é evidente em todas as áreas da vida urbana, mas as coisas ainda não são tão más como poderiam ser. Pela misericórdia de Deus, mesmo cidades pagãs ainda refletem um pouco da grandeza do Deus que criou os habitantes, com sua imagem estampada e restringe as piores intenções. Podemos chamar-lhes, portanto, cidades da “graça comum”, porque elas sobrevivem e até prosperam como resultado da misericórdia e bondade de Deus ricamente distribuídas para toda a humanidade.
A vida nessas cidades é adaptada à condição caída dos habitantes. Há polícias, tribunais e prisões. Existem leis para proteger e punir. Todos os aspectos da vida urbana agora refletem a presença do pecado e da corrupção. A vida urbana, de fato, só pode continuar e evitar a degeneração até o limite do caos por causa dos mecanismos de defesa da sociedade que os habitantes da cidade desenvolveram para lidar com sua condição caída comum.
Meredith Kline examina minuciosamente Gênesis 4.1-6.8, uma passagem que a maioria de nós provavelmente ignora. Kline mostra como essa passagem esclarece a natureza das cidades. Kline mostra como esta passagem ilumina a natureza das cidades. Ele ressalta que foi claramente por um ato de graça e misericórdia que, depois que Adão e Eva caíram em pecado e quebraram o pacto com Deus, Deus novamente instituiu uma estrutura de cidade em benefício da raça humana.[2]
As cidades do mundo são evidências da preservação de Deus e graça preventiva. Por causa de seus eleitos, ele designou cidades para preservar a vida humana e conter o curso de tendências autodestrutivas da humanidade. Por isso não deveríamos nos surpreender com o fato de que o assassino Caim construísse uma cidade, vida urbana, estruturas e proteção à vida humana. De uma maneira mais formal, as “Cidades de Refúgio” (Nm 35) ofereciam proteção e vida para as pessoas que inadvertidamente matassem outra pessoa.
O comando judicial, anunciado em Gênesis 4.15 – a palavra de Deus a Caim sobre a lei que iria protegê-lo – é um prelúdio à conta das origens históricas da cidade (v. 17). Gênesis 4.15, diz Kline, é, assim, uma carta patente da cidade virtual. A cidade é estabelecida como um refúgio do deserto, um santuário dos adversários e um lugar de desenvolvimento cultural e criatividade. A cidade logo se torna também, como evidenciado na história de Lameque (vv. 23-24), em um lugar de orgulho e a violência.[3]
Esta cidade pós-queda não era a mesma cidade que o Senhor teria estabelecido no início. Ou seja, não era uma cidade de convênio teocrático, com uma integração institucional do culto divino e a cultura humana. Esse templo santo da cidade de Deus, um dia, será oferecido por meio do programa de redenção a ser realizado por Cristo. Mas as cidades construídas por seres humanos caídos são cidades da “graça comum”, tornadas possíveis somente pela misericórdia de Deus para toda a humanidade. Essas são cidades temporais, não permanentes. Cada uma carrega as sementes de sua própria queda. As “cidades que são”, as cidades da história como nós a conhecemos, estão sujeitas à decadência e, eventualmente, à destruição. Talvez a inquietude tão comum à vida urbana decorra do mal-estar social da cidade sobre o seu futuro e de uma preocupação inconsciente de sua vulnerabilidade e eventual condenação.
Como resultado da queda, mudanças fundamentais ocorreram na cidade. Elas são visíveis ramificações da maldição. Por exemplo, cada cidade tem agora seus cemitérios, refletindo o fato de que toda vida urbana eventualmente se transforma numa metrópole e necrópole. Outras mudanças na cidade, devidas ao pecado e ao mal, é que os esforços urbanos para reunir recursos, força humana e talento não são apenas um meio para o cumprimento do mandato de Deus para subjugar o mundo; elas tornaram-se uma partilha de poder para a guerra e para a defesa contra ataques externos. Ao longo da história, as cidades assumiram o caráter de fortalezas, rodeadas por muralhas e fossos para proteger os habitantes.
A cidade não é mais um centro geográfico principal para o comércio, um mercado para agilizar o fluxo de abundância da terra e os produtos de empreendimentos culturais da humanidade. Em vez disso, a cidade tornou-se um centro administrativo para proporcionar bem-estar e alívio para as pessoas em perigo. Ela deve fornecer oficiais de polícia, tribunais e prisões para proteger os seus cidadãos e punir os infratores. Deve lidar com a frustração geral dos esforços culturais que resultam da maldição comum, bem como com todas as consequências negativas da violência, ganância e egoísmo humano.[4]
Vemos, portanto, que enquanto há uma espécie de continuidade estrutural entre “as cidades que poderiam ter sido” e as “cidades que são”, há também uma profunda e descontinuidade predominante por causa do pecado e suas consequências, e a maldição comum nivelada por Deus sobre toda a raça humana. Esta descontinuidade mostra-se em todas as áreas da vida humana – na coisa óbvia, como a existência do crime e da violência, e na série de maneiras sutis pelas quais os moradores da cidade organizam suas vidas para lidar com o mundo como ele é agora.

Um quadro para uma Missiologia urbana bíblica
Essa perspectiva nos dá um quadro geral a partir do qual podemos responder muitas das perguntas que surgem em missões urbanas. As cidades que conhecemos hoje não estão sendo identificadas tanto com o reino de Satanás ou do Reino de Deus. As cidades são o resultado da graça comum de Deus. Através delas Deus restringe o desenvolvimento do mal, abençoa as suas criaturas, e desenvolve o seu propósito soberano tanto em juízo e graça. A consciência dessa perspectiva bíblica sobre a natureza das cidades tem várias ramificações:
1. Dada à verdade que as cidades hoje são o resultado da graça comum, vemos a natureza essencial da guerra religiosa que tem lugar todos os dias nas cidades ao redor do mundo. As cidades de hoje são, por natureza, corporações apóstatas. Até mesmo suas melhores realizações ostentam as marcas do pecado e da hostilidade ativa em relação a Deus e à sua palavra.
A Escritura retrata a guerra religiosa da cidade como uma batalha entre Babilônia e Jerusalém. Babilônia é a cidade representante da humanidade – rebelde, gananciosa, violenta, idólatra e condenada. Jerusalém, por outro lado, é a cidade representante de Deus. É uma teocracia; nela reina Deus. Ela simboliza o Deus da paz, unidade e justiça. Em Jerusalém, o Messias é o Rei, enquanto na Babilônia ele é desprezado e rejeitado. Os verdadeiros cidadãos de Jerusalém estão em aliança com Deus; os cidadãos da Babilônia estão em pacto com o diabo.
Aqui reside a natureza da guerra religiosa que assola a cidade. Existem, como Agostinho apontou, duas cidades dentro de cada cidade única. Existe a Babilônia com seus cidadãos, e Jerusalém com os seus cidadãos. Estas duas estão essencialmente em desacordo, pois elas servem a diferentes mestres e vivem por padrões diferentes. O mestre de uma é Cristo; da outra, o Anticristo.
2. Os cristãos que vivem e trabalham em cidades podem compreender coisas que permanecem em grande parte um mistério para pessoas que não conhecem o quadro bíblico. Os cristãos são muito realistas sobre a natureza essencial da cidade e a causa das frustrações sem fim que ocorrem quando os cidadãos tentam melhorar a vida da cidade. Os cristãos entendem a raiz do problema. É a malignidade moral que está enterrada no fundo do coração da cidade. É o legado de Caim e o espírito de Lameque, que nunca foram embora.
Porque os cristãos entendem isso, nunca devem cometer o erro de idealistas humanistas que acreditam que, de alguma forma, por um planejamento de líderes iluminados, maiores, e mais dedicados esforços, os males da cidade podem ser curados. Todos os esquemas utópicos para a criação de uma cidade perfeita na terra são imediatamente descartados, uma vez que a cidade pós-queda é entendida na perspectiva bíblica.
Os seguidores de Jesus Cristo, os aspirantes à “cidade que vai ser”, têm papéis importantes a desempenhar nas cidades deste mundo da graça comum. Mas nunca devem ser levados a pensar que, através de seus esforços combinados e a melhor das intenções, de alguma forma ou em algum grau, essas cidades se tornarão o Reino de Deus e a cidade do Rei Jesus. Nem gradualmente nem de repente, as cidades da humanidade vão se tornar a cidade de Deus. Estas cidades são temporárias, estão sob a maldição e um dia serão removidas para abrir caminho para a cidade celestial que as Escrituras prometem. Uma compreensão clara deste fato é extremamente importante para os obreiros urbanos. Utopismo ingênuo não deve encontrar lugar em Missiologia urbana, pois é tão autodestrutivo quanto antibíblico.
3. Por causa do quadro bíblico pelo qual cidades são compreendidas, os cristãos podem manter uma postura positiva em face das cidades. Em vez de desistir das cidades, os cristãos podem e devem ensiná-las a aceitar sua parcela de responsabilidade para o cuidado das cidades. A prova é encontrada em Jeremias 29.7. Mesmo na ímpia Babilônia, Deus ordena ao cativo Israel: “Procurai a paz da cidade para onde vos desterrei e orai por ela ao Senhor; porque na sua paz vós tereis paz”.
Pela graça comum de Deus, “as cidades que agora são” foram construídas e são mantidas. O desenvolvimento da cultura humana e a civilização dependem delas. Nas cidades ocorrem as batalhas mais ferozes dos corações e mentes humanas. Por esse motivo, cidades são o centro do palco para a missão cristã, o grande drama da redenção. Entendendo isso, os cristãos não deveriam fugir do campo de batalha urbano, mas, preferencialmente, deveriam escolher propositadamente estar na cidade e ocupar todos os cantos da vida urbana, tendo a luz, o sal e o fermento do Evangelho.
O trabalho do povo de Deus nas “cidades que são” nunca deveria ser restrito ou isolacionista. A Igreja da cidade tem uma tarefa a ser executada, que integra seus membros em todos os sistemas e todas as áreas que constituem a vida urbana. Seja na educação, na política, na prefeitura ou no mercado, a responsabilidade dos cidadãos de Jerusalém é proclamar quem realmente reina. Devem orar por assistência social da cidade, atacar seus abusos e promover o seu verdadeiro bem. O povo de Deus sabe onde residem as questões cruciais. Eles sabem que a luta mais profunda da cidade é religiosa. Precisamente porque eles sabem isso, não deveriam deixar nada manter-se fora do âmbito do seu trabalho e testemunho. Tudo o que está na cidade deve ser confrontado com tudo o que está em Cristo.
4. Porque os cristãos são biblicamente esclarecidos começaram a compreender a natureza da cidade e ouviram o mandado missionário para ir a todas as nações e fazer discípulos de todos os povos, eles se aproximam das cidades de forma realista e evangelisticamente. Os cristãos não precisam ser abalados ou surpreendidos por tudo o que acontece na cidade. Eles esperam encontrar muito do que é belo e benéfico, porque a graça comum de Deus é operativa lá, e a própria natureza da cidade incentiva o desenvolvimento cultural. Mas o espírito de Caim está lá também, com sua ganância, opressão e modos ímpios. A linhagem de Caim não escapa à atenção do cristão. Ele sabe que ela é executada de forma ininterrupta desde o Enoque primitivo, através do violento Lameque, embora tenha sido progressiva culturalmente no centro industrial de Babel e Sodoma e, finalmente, “A GRANDE BABILÔNIA A MÃE DAS PROSTITUTAS E DAS ABOMINAÇÕES DA TERRA” (Apocalipse 17:5).
Os cristãos sabem o que realmente está acontecendo nas cidades. Eles entendem que o pecado e o mal estão operando na cidade, tanto na vida dos indivíduos como nas estruturas sociais que as pessoas concebem. Eles sabem, também, que, por causa da graça comum de Deus, há uma forma de beleza e bondade na cidade, e o espírito de Caim é retido e forças demoníacas são impedidas de uma escalada rapida.
Os cristãos sabem também que, por causa da graça especial de Deus, outra força interveio e está trabalhando na cidade. Isso envolve as forças do mal e cria uma comunidade de um tipo diferente. É o Espírito de Cristo alistando o povo de Deus na missão de salvação. Este Espírito anseia por ouvir a mensagem que Jesus proclamou nas ruas.

A chamada para a missão urbana
Nas Escrituras, a chamada para a missão urbana começa com o profeta Jonas e a Comissão de Deus para que ele fosse a Nínive pregar a palavra de Deus (Jonas 1.2; 3.2). Paulo e os outros apóstolos do Novo Testamento assumiram essa missão e pregaram para as cidades do seu dia. Vamos refletir sobre Jonas, com quem começou o apostolado urbano.
Nas palavras das Escrituras, Nínive era uma “grande cidade” (Jonas 1.2). A graça comum de Deus foi ricamente exibida lá. Não foi apenas uma grande metrópole, a capital de um império poderoso; ela era famosa por sua beleza. Muitas pessoas a consideravam a mais bela cidade já construída na terra. Militarmente, Nínive parecia inexpugnável. Foi relatado, pelo menos entre os antigos, que havia muralhas exteriores que se estendiam por 95 mil quilômetros e o interior das muralhas atingia cem metros de altura. As carruagens puxadas por cavalos, três lado a lado, poderiam andar sobre suas muralhas. Para construir o palácio do rei em Nínive foi necessário o trabalho de dez mil escravos por doze anos. Os parques da cidade e os prédios públicos foram elogiados em todo o mundo. Nínive durou mil e quinhentos anos, o que faz a maioria das cidades modernas parecer adolescente. Foi realmente uma “grande cidade”.
A Nínive da Escritura também foi uma cidade representativa, simbólica das cidades ao longo dos mundos antigos e modernos. Era uma cidade de realização cultural e também da injustiça, opressão e violência. Deus disse que era a maldade de Nínive o seu problema fundamental e a razão por que era necessária a missão de Jonas (1.2).
Apesar de sua beleza e força, Nínive era uma cidade sob julgamento divino. Seus deuses eram ídolos, e a vida política e econômica da cidade estava baseada na exploração de nações mais fracas, conquistas militares e trabalho escravo. O profeta Naum não poupou palavras ao descrever Nínive como a traidora das nações e uma cidade de prostituição (Naum 3.4). Todas as formas de vício e bruxaria foram praticadas, e até mesmo suas realizações artísticas foram manchadas por obscenidades e idolatrias. Legitimamente Naum chamou Nínive de “a cidade sanguinaria” (3.1); pela violência e saques se tornou o que era. Deus sabia exatamente como era a cidade; sua perversidade provocou a sua ira. O pecado da cidade era individual, que foi cometido pessoalmente por milhares dos cidadãos de Nínive. Também era coletiva; em toda a vida de Nínive – cultura, conquistas, etc. – havia maldade estampada. O espírito de Caim e Lameque estava bem evidente. Era uma sociedade apóstata. A teia e a trama da vida dos ninivitas eram totalmente depravadas, e a única esperança da cidade era um arrependimento tão extenso e profundo como o pecado que a profanou.
A importância do livro de Jonas para missão urbana pode ser analisada a partir de vários ângulos.[5] Os estrategistas em missão observam um padrão familiar: Deus comissiona seu mensageiro, que vai para a cidade e anuncia a palavra de Deus, e como resultado os moradores da cidade se arrependem e se voltam para Deus. Do ponto de vista da estratégia de missão, Jonas é frequentemente encarado como um modelo para todos os momentos.
O teólogo é movido pelo fato de que a iniciativa na missão é tomada por Deus. A história é sobre Jonas, mas o ator principal não é um homem, mas Deus. Deus chama o profeta e persegue-o até que ele esteja disposto a obedecer. A misericórdia de Deus em direção à cidade do ímpio motiva toda a operação, apesar da relutância do Jonas e de seu humor negativo. É missão de Deus, propriamente dita, e não de Jonas. Deus quer salvar Nínive, e por sua graça, ele força o profeta a agir e a cidade a se arrepender.
Mais importante, a missão de Jonas é um sinal da chamada de Deus ao seu povo para proclamar sua mensagem de arrependimento e salvação para as cidades, até mesmo as cidades horrivelmente iníquas que estão vinculadas a uma eventual destruição ao inferno. Apesar das suas deficiências, Nínive era importante aos olhos de Deus, e ele queria sua mensagem proclamada em suas ruas. A tarefa de Jonas é, por extensão, a tarefa do povo de Deus como um todo – ser o mensageiro de Deus nesta fortaleza do poder do mal, para se juntar a Deus na sua luta julgamento-e-graça com a cidade.
A história de Jonas e o que aconteceu em Nínive merecem análise continuada e reflexão. Assim como a missão urbana começou naquela cidade muitos séculos atrás, há um sentido no qual ela deva começar lá hoje de novo. Deus ainda fala através de Jonas sobre a natureza da missão urbana, a misericórdia de Deus para os moradores da cidade e seu desejo de que ouçam a palavra dele. A história de Jonas também nos lembra do espírito rebelde que se recusa a reconhecer as cidades como locais estratégicos da missão.
Imagine como a história poderia ter sido se Jonas tivesse permanecido ministrando em Nínive, ensinando a lei, que estabelece a justiça, e servindo como uma luz para essa nação pagã, como Israel foi chamado para fazer em Isaías 42.1-9. Jonas poderia ter enviado uma mensagem a seus colegas profetas em Israel, informando-lhes que um grande despertamento tinha começado em Nínive e instando-os para se juntar a ele para acompanhar o que havia começado. Isso poderia ter levado um novo dia para Israel, um importante ponto de viragem na sua compreensão de Deus e especialmente do seu cuidado para o mundo – até mesmo para cidades impias como Nínive. Israel viria a perceber sua própria eleição sob uma nova luz, ou seja, como mensageiro-nação de Deus para o mundo.
Mas a aversão do Jonas para com o Ministério em Nínive prevaleceu. O fracasso total em termos de missão surgiu a partir da recusa teimosa de Jonas e de Israel para entender a preocupação de Deus para com todas as nações e a responsabilidade dos cidadãos de Jerusalém para serem luzes para o ninivitas do mundo. Foi com o fim de expor a teologia mal interpretada de Israel que o Espírito Santo inspirou a escrita deste pequeno livro e o incluiu na Bíblia. O livro de Jonas serviu ao antigo Israel, assim como serve à igreja cristã, como um instrutor, uma repreensão, e um lembrete sobre a missão.
Jonas retirou-se da cidade, e o arrependimento de Nínive foi de curta duração. Finalmente, a cidade foi destruída. No entanto, Jesus afirmou a genuinidade do arrependimento de Nínive: “Ninivitas se levantarão, no Juízo, com esta geração e a condenarão; porque se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis aqui está quem é maior do que Jonas” (Lucas 11.32). Desde o tempo da sua vinda, a questão das cidades e suas populações é o que elas fazem com Cristo e o Evangelho.
O arrependimento de Nínive, enquanto durou, continua a ser um sinal do que pode acontecer em cidades e bairros, quando se proclama a mensagem de Deus e seu Espírito se move. É pena que a história de Nínive encontre o seu lugar na história da religião, como o registro de uma oportunidade abortada, ao invés do nascimento de um grande movimento para o Reino de Deus.
A questão de Nínive continua de pé diante do povo de Deus. Neste tempo de urbanização em todo o mundo, o povo de Deus vai aproveitar a oportunidade para evangelizar ninivitas modernos, ou, como Jonas, vão se afastar, preferindo servir em locais menos ameaçadores? E se eles vão para as cidades, como será a extensão de sua mensagem? Será que vão desafiar a maldade das cidades em todos os lugares onde ela se esconde, invocando arrependimento que chega às lojas, ruas até às prefeituras?
Os versos finais de Jonas são tristes em termos de desmascarar o fracasso do profeta, mas são esplêndidos em termos de sua teologia e estrutura para a missão urbana. Em outras palavras de grande sentimento, Deus revela-se sendo o grande demógrafo que conta a população da cidade e que se preocupa com seus filhos e até seus animais. A Nínive idólatra, cruel e gananciosa não está além do coração de Deus.
Esta revelação está implícita em todo o comprimento e a amplitude da missão urbana. O Deus da Bíblia é o iniciador e o diretor do empreendimento missionário. Ele cultiva plantas verdes e governa a ordem da criação para o bem-estar da raça humana, mas sua principal preocupação é focada principalmente em pessoas. Para sua salvação, ele envia seus profetas, como ele enviou seu Filho para a cidade.





[1] C. Henk Koetsier, “The Church Situation in European Cities, “Urban Mission 3.3 (Jan. 1986): 45.
[2] Meredith Kline, “Kingdom Prologue II,” material do curso mimeografado, pp 22-23.
[3] Ibid. P. 25.
[4] Ibid. P, 26.
[5] Para um tratamento mais amplo da missão de Jonas a Nínive, consulte: Roger S. greenway, Apostles to the City: biblical Strategies for Urban Missions (Grand Rapids: Baker, 1978), pp.15-28. 


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