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sábado, 10 de setembro de 2016

A DEPRESSÃO NOS PASTORES


AQUELE QUE CUIDA TAMBÉM PRECISA SER CUIDADO

Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti ó Deus, suspire a minha alma”. – Salmo 42.1

Pesquisas recentes vêm demonstrando que, entre as classes profissionais mais sujeitas ao estresse provocado por suas atividades, uma das que encabeçam a lista dos que mais sofrem é a dos pastores, mesmo considerando que estes não são propriamente “profissionais”, e sim vocacionados a prestar um serviço santo à Igreja de nosso Senhor. Perdem apenas para a classe dos professores e profissionais da saúde (enfermeiros, médicos e atendentes – principalmente os da rede pública).

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS) [1], a depressão atinge 121 milhões de pessoas ao redor do mundo e está entre as principais causas que contribuem para incapacitar um indivíduo. A OMS prevê que até o ano de 2020 a depressão passe a ser a segunda maior causa de incapacidade e perda de qualidade de vida.

O Dr. Pérsio Ribeiro Gomes de Deus, cristão, pianista, é Médico Psiquiatra e Docente da EST - Mackenzie (DEUS, 2010), e relata que “em nossa prática clínica como psiquiatra, temos atendido um número expressivo de pastores com quadros depressivos, como observado por outros autores (KOENIG, 2001; MOREIRA-ALMEIDA et al., 2006)”.

Mais alarmante ainda é a sua constatação ao citar que “Lotufo Neto (1977, p. 251) encontrou maior incidência de doenças mentais entre ministros protestantes se comparados à população geral, e os transtornos depressivos responderam por 16,4% das doenças mentais encontradas nos ministros protestantes”.

O Dr. Pérsio de Deus, co-autor do excelente livro “Eclipse da Alma” (GOMES; PAZINATO, MALTA; DEUS – 2010), escreveu artigo[2] sobre essa temática de “pastores e a depressão”, encontrado no site da Universidade Mackenzie:

Os dados de nossa pesquisa (DEUS, 2008) confirmam os achados desses outros pesquisadores. Dentre os 50 prontuários de pacientes cristãos portadores de depressão atendidos na referida pesquisa num período de seis meses, 13 pertenciam a pastores, representando 26% dos pacientes atendidos. Acreditamos que as respostas desses pacientes merecem uma atenção particular.

Dos 13 pastores, nove são presbiterianos, três são batistas, e um é da Assembleia de Deus. Essa porcentagem precisa ser considerada de forma cuidadosa, pois não espelha a incidência real de doença depressiva entre religiosos ou entre pastores. A explicação desse desvio ou artificialidade porcentual pode se dever ao fato de que há poucos psiquiatras cristãos em nosso meio, e essa pesquisa foi realizada por um psiquiatra cristão e presbiteriano.

Esclarecemos ainda que, em razão do tamanho reduzido da amostra, os resultados não permitem generalização, pois não refletem a porcentagem de religiosos protestantes em nosso país, devendo, portanto, ser compreendida como estudo de caso.

Indagados quanto ao seu conhecimento sobre a doença depressiva, obtinham-se informações de que o estado de doença por eles apresentada correspondia à doença depressiva, e somente três deles tinham informações a respeito.

Quanto às causas para seu adoecimento, dos nove pastores presbiterianos, cinco relacionaram sua doença ao estresse do exercício da vida pastoral, dois a problemas de relacionamento conjugal, e dois não sabiam a causa. Dos três pastores batistas, dois relacionaram as causas ao pecado e à falta de fé, e um não sabia a causa. O pastor assembleiano relacionou sua depressão à ação do demônio.

Um dado revelador e preocupante é que, dentre os pastores, dos nove presbiterianos, cinco referiram como causa da depressão o estresse ligado à atividade pastoral. As explicações desse estresse pastoral foram relacionadas aos seguintes fatores:

• problemas com instâncias da Igreja (compreendida como organização) por presbitérios e sínodos: falta de compreensão e apoio das referidas instâncias;
• problemas de relacionamento com as igrejas locais;
• uma queixa comum a todos foi a existência de problemas financeiros advindos da baixa remuneração profissional;
• problemas conjugais também foram significativos: três dos nove pastores presbiterianos não sabem a causa.
• mudanças constantes de campos de trabalho.


Aí cabem várias interrogações...

Por que aqueles que levam a Palavra da Cura estão doentes?
Pastores também precisam de cuidados pastorais?
Precisam cuidar de sua saúde com profissionais da saúde?
Por que o medo de consultar psiquiatras e psicólogos?


O pastor, líder carismático, ungido, investido da imagem do “homem de Deus” na comunidade, tem que estar sempre pronto e disponível para as atividades pastorais. Essa pronta disponibilidade atrelada à falta de um horário determinado para as atividades pastorais é apontada (UNISINOS, 2008) como uma das causas predisponentes a doenças. (DEUS, 2010)

A agenda de um Ministro do Evangelho revela, às vezes no mesmo dia, uma montanha russa de emoções contraditórias. “... sepultamento pela manhã, reunião de  liderança à tarde, casamento em final de tarde e culto à noite; ou seja, a vivência, num mesmo dia, da dor e do luto, o exercício da lógica e a preocupação, a celebração de momento de alegria, prédica e exortação; e atreladas a essas atividades, todas as emoções sentidas, expressas e contidas pelo veículo sagrado” (DEUS, 2010).


"àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória,  Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém” – Judas 1.24-25








[2] DEUS, Pérsio Ribeiro Gomes de, Um estudo da depressão em pastores protestantes , Mackenzie Fonte < http://www3.mackenzie.br/editora/index.php/cr/article/view/1134/849> , in 13/03/2012; p. 189-202


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