segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Despedida na IP Nova Suíça



O FIM DE UM CICLO, O INICIO DE UM NOVO!

Foram 226 cultos públicos sob nossa direção litúrgica e pastoral. O primeiro culto em 10/06/2012, quando pregou o presidente do Conselho da Primeira Igreja na época, Rev. Ludgero Bonilha Morais, e o último ontem dia 18/12/2016, quando pregou o atual presidente do Conselho, Rev. Edson Costa e Silva.

Nestes quatro anos e meio, tive o privilégio de ser o pastor plantador da Congregação presbiteriana Nova Suíça, filha da Primeira Igreja de Belo Horizonte. Neste tempo precioso forjamos muitas amizades, batizamos, oficiamos profissão de fé, sepultamos irmãos, instruímos a muitos, aconselhamos, preparamos noivos para o casamento, discipulamos novos convertidos e pessoas sem igreja vindas de outras tradições religiosas, tudo mercê de Deus.

Pregamos expositivamente todo o livro de Gênesis, Romanos, As Parábolas de Jesus, o Evangelho de João, Apocalipse, Hebreus, Efésios, os trinta primeiros Salmos e Filipenses. Estudamos todo o Antigo Testamento até o livro de Atos no Novo Testamento, na Escola Bíblica Dominical. Estudamos ainda as doutrinas preciosas da graça, com material do Rev. Leandro Lima. Lemos no culto público todo o catecismo reformado de Heidelberg, o catecismo maior de Westminster, e o catecismo menor (breve) de Westminster.

Celebramos 54 vezes o sacramento da Ceia do Senhor. Dirigimos 228 reuniões de oração. Distribuímos no bairro em mais de mil residências o devocionário Cada Dia de Natal, e distribuímos nas ruas e casas próximas da congregação cinco mil folhetos e livretos evangelísticos.  Ministramos a oficina “Casais do Pacto”, para oito casais da igreja. Realizamos um Mackenzie Voluntário. Tivemos diversos almoços da família presbiteriana, confraternizamos, abraçamos, beijamos, choramos, rimos, fizemos de tudo um pouco na comunhão dos santos, para o louvor da glória de Deus.

Tudo fizemos, e nada pudemos fazer, sem apoio de uma equipe preciosa de voluntários e fieis, que nos assistiriam neste tempo profícuo. Irmãs e irmãos que se revezaram comigo na Escola Bíblica para adultos, jovens e crianças. No púlpito da igreja, na condução litúrgica, no pastoreio do rebanho do Senhor. Não citarei nomes para não cometer a injustiça de esquecer de alguém. Todos foram instrumentos da graça de Deus neste ministério.

Termino minha passagem aqui pela congregação Nova Suíça, com a sensação de que poderia ter feito mais, peço perdão a Deus e aos irmãos por isso, mas o que fiz, o fiz com inteireza de coração e amor. Levo comigo muitas amizades e boas lembranças. Rogo a Deus para que ele continue sustentando este rebanho e promova aqui o que convencionei chamar dos três “C’s”: Crescimento, Compromisso e Consolidação, para o louvor da glória de seu nome!

Antes de partir para o novo desafio de grande responsabilidade, que é substituir meu amigo Rev. César Guimarães do Carmo, na preciosa IPJO, registro minha gratidão ao Rev. Ludgero, um visionário e grande líder, por me oportunizar iniciar este projeto de plantação de igrejas; ao Conselho da Primeira Igreja, por atender à solicitação de seu pastor na época; e aos colegas da equipe pastoral da PIPBH, e do PBHZ por confiar sua amizade e apoio neste ministério evangelizador. 

Deixo três versos bíblicos que nortearam nosso ministério em Nova Suíça para nossa edificação:

“Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para convosco.” 1Ts 5.18

“...fazei tudo para a glória de Deus.” (1Co 10.31b)


“E tudo quanto fizerdes, fazei-o de todo o coração, como para o Senhor e não para homens,” (Cl 3.23)

domingo, 18 de dezembro de 2016

DIA DO PASTOR PRESBITERIANO

Resultado de imagem para DIA DO PASTOR PRESBITERIANO
Rev. José Manuel da Conceição
(primeiro pastor presbiteriano brasileiro)

O dia do pastor presbiteriano comemora-se em 17 de dezembro. Trata-se de uma celebração do presbiterianismo brasileiro. Essa data refere-se à ordenação do reverendo José Manuel da Conceição, em 17 de dezembro de 1865, tornando-se assim o primeiro pastor protestante ordenado nascido no Brasil.

O pastor presbiteriano é alguém que, chamado por Deus, foi reconhecido em seus dons pela igreja local, que após examiná-lo no Conselho, o encaminhou para ser também examinado no presbitério. Ali, depois de sabatinado e verificado os requisitos constitucionais para sua candidatura a aspirante ao sagrado ministério da Palavra, se aprovado, será encaminhado para ter uma formação teológica em um dos seminários presbiterianos da IPB. Evidentemente, antes disto, ele precisa ser aprovado em vestibular regular para cursar o bacharelado de teologia, em um dos seminários já citados.

Pois bem, vencida esta primeira etapa, o agora seminarista, aspirante ao ministério, cursará teologia, com duração regular de 4 anos pelo menos. O presbitério nomeará neste meio tempo um tutor eclesiástico, que em regra é um ministro, para acompanhar a vida acadêmica e pré-ministerial do candidato seminarista. Este tutor, por regras constitucionais, deverá apresentar relatório sobre seu tutelado anualmente ao presbitério, por ocasião de sua reunião ordinária. Então será decidido, a cada ano, se o concílio reencaminhará o seminarista para continuidade do seu curso, e manterá sua candidatura. 

Vencido o curso de teologia, no final deste, o candidato seminarista apresentará ao presbitério sua exegese de um texto bíblico do AT ou do NT, e uma monografia que tratará de um tópico de nosso Confissão de Fé. Exegese e monografia que já foram apresentados no seminário, e que deverão ser aprovadas tanto lá, quanto pela comissão de exame de monografias  e exegeses do presbitério. Além disto, o candidato pregará um sermão de prova diante do presbitério, e depois será, em sessão privativa, sabatinado sobre suas opiniões teológicas e conhecimentos bíblicos e confessionais. Também ouvirá a crítica de seu sermão. Em todas estas avaliações deverá ser aprovado. Somente depois de aprovado em seu sermão, no exame de sabatina teológica, no exame de sua exegese e monografia, depois de sua formatura no curso de bacharel em teologia, é que ele será licenciado pelo presbitério (uma espécie de residência, período probatório), onde terá oportunidade de pregar e ensinar em um campo provido para isto, sob a tutela de um tutor eclesiástico. 

Depois de um ano de licenciatura, em regra, podendo se estender no máximo por mais um ano, é que o candidato será novamente examinado, agora com vistas a ser ordenado como Ministro do Evangelho, pastor Presbiteriano. Este exame será diante do presbitério novamente que entrevistará o licenciado em comissão de candidatos, ouvirá um novo sermão para fins de crítica, e fará oitiva em sessão privativa para confirmar suas opiniões teológicas. 

O tutor deve também apresentar um relatório detalhado, solicitando ou não a sua ordenação. Se houver campo disponível, somente depois de todos estes passos, é que o licenciado, bacharel em teologia, será ordenado em culto público com imposição de mãos de todo o presbitério (pastores e presbíteros).

Este é o início do ministério de um pastor presbiteriano. Mas é somente na lide pastoral, ano a ano, que este ministro é de fato provado e aprovado.


Parabéns a todos os meus colegas presbiterianos neste nosso dia! Se você chegou até aqui, é bem provável, com muitas evidencias, de que de fato você é um vocacionado ao ministério pastoral!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O QUE A MÍDIA NÃO DIZ SOBRE A MORTE DE YURI - FILHO DE TATI QUEBRA BARRACO

Foi morto a tiros nesta madrugada deste domingo, dia 11 de dezembro, na Cidade de Deus, na Zona Oeste do Rio, o filho da famosa funkeira Tati Quebra barraco. Uma tragédia humana familiar, considerando que o rapaz tinha apenas 19 anos. Contudo, não se trata de um acidente, uma fatalidade, ou, como estão querendo mais uma vez passar a opinião pública, um ato covarde de abuso da Policia Militar. O que aconteceu já era previsível. Alguém que escolhe a vida da criminalidade, da violência do tráfico e o desrespeito as instituições de segurança pública, mais cedo ou mais tarde, colherá os frutos amargos de sua escolha. É a famosa lei da semeadura. Neste caso, Yuri colheu a morte no confronto com a polícia. 

De acordo com o comandante da UPP Cidade de Deus, capitão Daniel Cunha Neves, os policiais da UPP Cidade de Deus foram até a localidade para checar denúncia de tráfico de drogas. Chegando ao local, foram recebidos a tiros pelos criminosos. Segundo Neves, além de Yuri e Jean, havia outros cinco bandidos.

No local onde houve o confronto, foram encontrados dois radiotransmissores, uma pistola e drogas. Na semana passada, na Quintanilha, houve outro tiroteio, que terminou com quatro presos. Os criminosos estariam tentando implementar uma boca de fumo no local.

Yuri era um jovem que já tinha sido condenado pela justiça por crimes. Não se trata, portanto, de um jovem trabalhador de periferia. Mas um criminoso condenado que usufruía o beneficio do sistema de viver em liberdade concedida pela progressão de regime penal.  Ele foi preso em flagrante, em novembro do ano passado, por furto qualificado, mas ganhou liberdade oito meses depois. Lamentamos pela dor do luto da família, mas Yuri é o caso típico daqueles que enredam pela carreira do crime para fazer fama, poder e dinheiro. Ele não é vítima da sociedade, por ser preto e de periferia (porque pobre ele não era). Não era alguém que se possa dizer não ter tido oportunidades na vida. Sua mãe, uma artista famosa, de uma arte muito duvidosa (funkeira), era uma pessoa bem-sucedida no seu ramo, e tem uma vida financeira confortável, ao que parece.

Quem melhor pode dizer quem foi este moço são pessoas que conviveram de perto com o terror que ele e sua gangue impingiam. Vejam, o depoimento em “print” de uma senhora, provável vizinha do traficante Yuri, e tirem suas próprias conclusões:


sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

DIA DA ESPOSA DO PASTOR PRESBITERIANO

“O que acha uma esposa acha o bem e alcançou a benevolência do SENHOR”. Provérbios 18.22

Resultado de imagem para esposa do pastor


No segundo domingo de dezembro convencionou-se na Igreja Presbiteriana do Brasil homenagear as esposas dos pastores presbiterianos. Gostaria de refletir neste texto algumas considerações sobre as esposas dos ministros e o importante papel que elas exercem junto aos seus maridos e filhos, cooperando para a glória de Cristo e o bem de sua igreja.

Em primeiro lugar, por que escolheram esta data?

Bem, em minha breve pesquisa não encontrei um motivo especifico. Acredito que o mais razoável é pensar que a IPB convencionou esta data, o segundo domingo, porque ele é um domingo antes de outra data comemorativa – o dia do pastor presbiteriano, cuja data oficial é dia 17 de dezembro, data em que foi ordenado o primeiro pastor presbiteriano, o Rev. José Manoel da Conceição.

Em segundo lugar, quem é esta mulher, a esposa do pastor?
A esposa do pastor, antes de tudo, é esposa de um cristão. Esposa de seu marido. Parece obvio dizer isso, mas não é. Não existe nas Escrituras esse título – “esposa do pastor”, o que existe são mulheres que a Bíblia descreve como esposas piedosas, mulher virtuosa, mulher sábia, e, simplesmente, esposa.

A esposa do pastor não é uma super-esposa. Ela não tem poderes especiais. Ela não é pastora porque é esposa do pastor. Ela não tem obrigações maiores que as outras esposas da igreja, porque ela é mulher do pastor. Ela é tão somente uma serva de Deus, uma esposa de um homem cuja responsabilidade de conduzir a igreja requer intercessão constante, amor, carinho e apoio.

Interessante notar que a Bíblia descreve como deve ser o caráter e os dons que devem acompanhar os ministros da igreja. São ao todo 21 requisitos! (Veja 1 Timóteo 3.1-7 e Tito 1.5-9.). Mas não encontramos nenhuma lista semelhante para a “mulher do pastor”. A mulher do pastor, portanto, é a pessoa que se casou com um homem, que Deus chamou para ser pastor. Ela possui um chamado especial? Não no sentido de ser “mulher de pastor”. Mas, assim como todas as esposas cristãs, ela possui um chamado para ser auxiliadora idônea, companheira, intercessora, mãe de filhos (as que podem), amiga, amante de seus maridos, serva de Deus, piedosa, dependente da graça de Cristo.

Em terceiro lugar, qual é a sua importância no Reino de Deus, na vida da igreja?

Ora, se ela, a esposa do pastor, é tão somente a esposa de um homem que foi chamado para ser pastor, parece então que sua importância foi diminuída, alguém pode pensar agora. Ledo engano! Apesar de, eu reitero isso, não existir fundamento bíblico para se tratar de um chamado especial para ser esposa de um pastor, o fato, por si só, da mulher ser esposa de um ministro, a destaca com importância especial diante do rebanho onde seu marido exercerá o seu ministério.

A mulher do pastor de uma igreja, muitas vezes se vê sacrificada em dividir o tempo da atenção de seu marido com a concorrência de todos os membros da igreja. Quantas vezes seu esposo chegará depois de um dia de visitações, aconselhamentos, expediente no escritório da igreja, preparação de sermões, estudos bíblicos, orações, e extenuado, sob pressões espirituais e emocionais de toda espécie, encontrará somente no ombro de sua esposa o consolo, a alegria, o carinho de uma mulher santa e sábia, que cuidará de suas feridas de alma, passará o balsamo de seu amor nos vergões das marcas que o ministério muitas vezes provoca, e que poucos conseguem observar? Nestas horas a sua esposa é uma válvula preciosa de escape, uma bênção de Deus!

Essa mulher é que terá que lidar muitas vezes com expectativas exageradas sob sua pessoa por parte da igreja, quando esta não percebe que a mulher de seu pastor, antes de tudo é mulher de um homem como qualquer outra mulher casada da comunidade dos crentes. Algumas expectativas, tais como ser a líder da SAF, ou cantar no coro, ou na equipe de louvor, ensinar no departamento de educação religiosa infantil, etc., pode muitas vezes criar um desconforto para aquelas que não foram dotadas por Deus de dons ou habilidades especiais para exercer tais funções, de forma livre, alegre e voluntária. Muitas vezes, é preciso que a igreja reflita e respeite, que o fato da mulher do pastor da igreja cuidar bem do seu lar, criar seus filhos sob a disciplina e admoestação do Senhor e amar o seu marido, já é suficiente. Ela cumpriu um papel extremamente importante, e um papel no qual sua missão foi bem descrita na Bíblia. Essa mulher é importante! E como é! Sem falar naquelas que possuem jornada dupla, trabalham fora e ainda gerenciar o lar.

Em quarto lugar, como esta mulher pode ser honrada?

Lembrar da esposa do ministro no segundo domingo de dezembro não tem sido muito comum, como deveria ser. Assim como tem ficado esquecido outras datas celebrativas do calendário presbiteriano. Talvez seja um reflexo da nossa perda de confessionalidade crescente. Contudo, justiça seja feita, observo que existem irmãs preciosas que, ao longo do ano, em diversas outras ocasiões e oportunidades, têm servido de boa amizade e lenitivo para minha esposa. Existem irmãs piedosas, que sempre lhe fazem um carinho, através de um agrado, uma surpresa, um bilhetinho, etc. E isso, penso, é uma boa dádiva de Deus.

Quatro coisas podem ser feitas para honrar a pessoa da esposa do pastor de sua igreja:

1. Ore sempre por ela, e sua família. Seja grato a Deus pela família pastoral. 

2. Não crie expectativas exageradas sobre ela. 

3. Respeite sua privacidade, e deixe-a à vontade para que ela mesmo escolha qual área da igreja ela poderá cooperar, caso queira.

4. De vez enquanto, escreva um bilhete, dê um abraço especial, faça-lhe algum agrado possível, dando provas de amor por esta mulher que tem apoiado o ministério de seu marido. 

Portanto, neste segundo domingo de dezembro, reflita, pense, e ore pela esposa deste homem, que Deus chamou para ser o pastor de sua igreja. Abrace-a e diga-lhe o quanto ela é importante para você, e para a igreja, onde juntos vocês servem a Deus.


Parabéns a minha querida esposa, e parabéns a todas as esposas dos servos de Deus, chamados para serem os ministros de sua Palavra. 

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

BRUXARIA EVANGÉLICA - PODE ISSO ARNALDO?






Você cristão, provavelmente, já deve ter se deparado com frases tipo: “não toqueis no ungido do Senhor”, “quem não dá o dízimo é amaldiçoado pelo devorador”, “aquele que se levanta contra a decisão do pastor sofrerá terríveis castigos divinos”, etc. e tal. Ou deve ter recebido algum tipo de corrente pelo WhatsApp, Facebook, etc., tipo “se você não passar isso para 5, ou 10 amigos, algo de terrível vai acontecer na sua vida...”, ou “ se você não curtir não é de Deus, se curtir vai para o céu...”, e por aí vai. O que elas têm em comum? Todas de certa forma pretendem impingir na pessoa a quem é destinada o medo, o terror, o receio de que essa pessoa poderá se encontrar sob terrível maldição. E, mais, o que tais imprecações têm em comum com outras religiões, principalmente as religiões pagãs africanas e sul-americanas? Estas imprecações “evangélicas” são extremamente similares as imprecações de maldições e mau agouro feita por bruxos, feiticeiros, pais de santos, pajés, e outras formas de lideranças pagãs. 



Certa vez ouvi de uma pessoa que gostaria de se tornar membro de nossa igreja, que seu pastor atual lhe disse que se ela saísse daquele “ministério” nada mais na vida dela daria certo, porque ela estaria em rebelião contra Deus, contra o “ungido do Senhor” (ele é claro!), e perderia a “proteção” espiritual de seu líder, o pajé daquela “tribo gospel”. Existe então uma espécie de relacionamento doentio e patológico estabelecido entre as partes. Dominador e dominado. Isso, fica óbvio, parece mais com bruxaria do que orientação pastoral bíblica.


Mas não é de se admirar que isso ocorra diariamente na vida de muitos crentes dependentes, subservientes. De onde vem isso? Do ensino das Escrituras é que não é. Não existe base bíblica que possa justificar tais procedimentos intimidatórios por parte de pastores, bispos, apóstolos ou paipóstolos (acredite! Já inventaram isso também). Ao contrário, a Escritura afirma “Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres. ” (João 8.36). Ou seja, Cristo nos libertou para sermos livres para obedecer a sua Palavra. A autoridade dos líderes espirituais reside não neles, mas na Palavra de Deus. Um pastor que ensina algo que não está prescrito nas Escrituras, não têm autoridade para exigir nada! 

O cristão não deve seguir cegamente seu pastor, porque ele pode estar errado naquilo que exige deste membro. Sobre as imprecações de maldições sobre os cristãos para que sejam fieis nos dízimos e ofertas, por exemplo, o texto clássico sempre citado é de Malaquias 3.8-9, que diz “Roubará o homem a Deus? Todavia, vós me roubais e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, vós, a nação toda.”. Acontece que muito se força a exegese deste texto para atingir o objetivo de obrigar a pessoa a entregar dinheiro a igreja, usando e abusando desta passagem, sem levar em consideração o seu contexto imediato, e seu contexto histórico-gramatical. Não estou aqui defendendo a ideia que a entrega do dízimo não é bíblica, não se trata disto. Mas, defendo que este texto vem sendo usado para impingir medo de maldições as pessoas, constrangendo-as a sacrificarem seus recursos para satisfazer o desejo de enriquecimento de muitos caciques e pajés gospeis. O apóstolo Paulo quando quis tratar diretamente das contribuições dos crentes da igreja de Corinto, afirmou: “Cada um contribua segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria. ” (II Co 9.7). Ou seja, na dispensação da nova aliança em Jesus Cristo, trata-se de um privilégio do crente contribuir voluntaria e alegremente com a manutenção da obra de Deus. Não deve fazer isso por medo das ameaças de maldições do seu pastor, ou líder, mas deve fazê-lo, caso queira, por amor a obra de Deus, com uma consciência livre. 

Mas, outra pergunta ajuda-nos a refletir porque acontece essas ameaças de pragas evangélicas sobre os crentes. Por que a igreja evangélica brasileira, via de regra, é tão suscetível a essas maldições, maus agouros, pragas, imprecações de males? Acredito que a resposta se encontra nas raízes religiosas supersticiosas do povo brasileiro. Principalmente, na herança das religiões africanas e latino americanas, onde a pratica de bruxaria, feitiçaria, esoterismo, etc, é comum. Vejam, por exemplo, que a pratica litúrgica, principalmente neopentecostal ou neocarismática é muito dada a campanhas, correntes, unções com óleo de pessoas ou objeto e coisas, cultos da revelação, consultas ao “Espírito Santo” (que nada mais é do que tentativa de adivinhação), cultos de línguas estranhas (muito parecido com rituais africanos de catarse), interpretação de sonhos e visões, danças litúrgicas (que lembra muito a liturgia dos cultos animistas indígenas), cultos de “descarregos” ou quebra de maldições hereditárias (bem semelhante a prática de magia branca africana), jejuns e orações em terrenos sagrados (montes, por exemplo). Essas práticas litúrgicas espirituais, afirmo novamente, não encontram prescrição bíblica que as sustentem. A Escritura afirma que Deus só aceita o culto feito em espírito e em verdade (João 4.23), com ordem e decência (1Co 14.40). O princípio regulador do culto nos ensina que tudo aquilo que não está prescrito é proibido, não deve ser feito. 

Caro leitor, se o pastor de sua igreja anda te rogando maldições e pragas, conforme descrevemos aqui, deixe essa igreja, não siga este líder, ele não é um verdadeiro pastor, ele é um “bruxo evangélico”! Lembre-se: 

Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora. (...) Filhinhos, vós sois de Deus e tendes vencido os falsos profetas, porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo. 

Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive em pecado; antes, Aquele [Jesus] que nasceu de Deus o guarda, e o Maligno não lhe toca. 
(1Jo 4.1, 4; 5.18)

        

Seguir por e-mail