sábado, 26 de novembro de 2016

O Rico e o Shedd

REFLEXÃO DO DIA – RUSSELL SHEDD E FIDEL CASTRO
Texto adaptado (qualquer semelhança é de propósito)

Ora, havia certo homem rico, que se fazia de pobre, e que se vestia de Lacoste e Adidas, e que, todos os dias, se deliciava com a riqueza acumulada às custas da miséria de seu povo, Fidel Castro. Havia também certo homem pobre, simples chamado Russell Shedd, acometido de câncer, sofrendo dores nos últimos dias de sua vida;
Aconteceu morrer o Russell Shedd e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; morreu também o rico Fidel e foi sepultado. No inferno, estando em tormentos, Fidel levantou os olhos e viu ao longe a Abraão e Russell Shedd no seu seio. Então, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim! E manda a Russell Shedd que molhe em água a ponta do dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama.

Disse, porém, Abraão: Fidel, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Shedd igualmente, os males; agora, porém, aqui, ele está consolado; tu, em tormentos. E, além de tudo, está posto um grande abismo entre nós e vós, assim como na ilha que tiranamente governaste, de sorte que os que querem passar daqui para vós outros não podem, nem os de lá passar para nós.

Então, replicou: Pai, eu te imploro que o mandes à minha casa paterna, aos meus companheiros camaradas, porque tenho cinco irmãos, incluindo Raul, para que lhes dê testemunho, a fim de não virem também para este lugar de tormento. Respondeu Abraão: Eles têm a Palavra de Deus, pregada pelos cristãos, que tanto amam matar, ouçam-na.


Mas ele insistiu: Não, pai Abraão; se alguém dentre os mortos for ter com os companheiros, arrepender-se-ão. Abraão, porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Bíblia dos cristãos, tampouco se deixarão persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

VIOLÊNCIA DOMÉSTICA CONTRA MULHERES EVANGÉLICAS

PESQUISA SOBRE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA DE DOUTORANDA DA UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE APONTA QUE 40% DAS VITIMAS SÃO EVANGÉLICAS



A pesquisa foi feita por Valéria Cristina Vilhena, doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Educação, História Cultural e Artes, pela Universidade Presbiteriana Mackenzie em 2010. Valéria também é teóloga, mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (Umesp). Para nós fica claro que sua opção teológica é liberal, assumindo pressupostos da teologia social da libertação, e seus outros ramos. Portanto, trata-se de uma visão que não leva em consideração os pressupostos fundamentais da fé reformada, como considerar a Escritura Sagrada obra inspirada sem erros, infalível, etc

Valéria observou que quase 40% das mulheres atendidas no projeto social “Casa Sofia”, da igreja católica no Jardim Ângela, São Paulo-SP declararam-se evangélicas. A pesquisadora decidiu então tentar compreender melhor o universo simbólico religioso dessas mulheres e como lidavam com a violência sofrida.

Ela observou que:
... as motivações mais frequentes para as mulheres procurarem esses grupos religiosos [igrejas evangélicas] são: as desavenças conjugais, os problemas financeiros e ou o desemprego do chefe de família, a depressão ou o nervosismo feminino e os problemas de saúde de algum membro do grupo doméstico. Tal ênfase no universo familiar tem levado vários autores a concluir pela importância da” tensão doméstica “na formação da vida religiosa das mulheres casadas. (...)

Para as mulheres, essas teologias vão de encontro aos comportamentos desviantes de seus parceiros, cedendo lugar à resignação, à abnegação; mudando a forma de conduta de seus parceiros diante da infidelidade ou vícios relativos a drogas ou jogos. Após sua conversão, aprendem a agir com ‘sabedoria’ evitando discussões para ‘ganhar’ seu companheiro para Cristo, quando então ele estaria liberto pelo Espírito Santo dos espíritos demoníacos.

Evidentemente, a pesquisadora desconsidera completamente elementos transcendentais e metafísicos, como por exemplo, a conversão espiritual destas mulheres, como elementos que explicam a religiosidade destas. Como a maioria dos pesquisadores existencialistas, ela fixa seu olhar nas causas ordinárias, de caráter socioeconômico, bem tipicamente de identificação com ideologias marxistas. Não quero dizer com isto, ao emitir minha crítica, que estes fatores devam ser desprezados. Mas considerar somente estes é de alguma forma uma visão incompleta, preconceituosa, e assim, temos a impressão, de que a pesquisa em suas conclusões buscou atribuir a mulher evangélica agredida, um esteriótipo de mulher pouco inteligente,  quase uma idiota, de baixa intelectualidade, que tenta esconder seus problemas conjugais e familiares atrás de uma fé supersticiosa e fanática. Com esse tipo de direcionamento genérico não podemos concordar. 

Quem são estas mulheres?

Valéria informa que:

O perfil geral dos relatos de violência recebidos pela Central revela que 93% das denúncias são feitas pela própria vítima, 43% dos agressores são cônjuges das vítimas, 78% das vítimas possuem até dois filhos, 70% das vítimas sofrem agressões diariamente, 41% dos agressores não fazem uso de substâncias entorpecentes ou álcool, 36% das vítimas se percebem em risco de morte e 33% das vítimas apresentam tempo de relação com o agressor superior a dez anos. O índice de denunciantes revela que as mulheres vítimas de violência doméstica e familiar estão tomando a iniciativa de denunciar e de expor sua situação de vida a pessoas que não fazem parte de sua família. Por mais doloroso que seja, esse procedimento representa a tentativa de a mulher buscar seus direitos e de sair da condição de dominada.

Das pessoas que buscam a Central e informam suas características pessoais, 93% são mulheres, 39,4% são negras, 58,8% têm entre 20 e 40 anos, 50,8% são casadas ou vivem em união estável com seus companheiros e 25% possuem nível médio de escolaridade. Essas características delineiam o perfil aproximado das brasileiras que sofrem violência e buscam informações sobre como se protegerem.
De acordo com os dados do Plano Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) (IBGE, 2009), 43,1% das mulheres brasileiras já foram vítimas de violência em sua própria residência. Entre os homens, esse percentual é de 12,3%. Entre todas as mulheres agredidas no país, dentro e fora de casa, 25,9% foram vítimas de seus cônjuges ou ex-cônjuges.

Independentemente da visão existencialista feminista da autora da pesquisa, uma coisa, creio eu, precisamos considerar e refletir: a violência contra mulheres, incluindo as evangélicas, que necessariamente não estão imunes ao alcance das agressões, é um fato comprovado. A luta contra violência doméstica de quaisquer espécies, contra quem quer que seja, é uma luta de todos nós, seja crentes, católicos, espiritas ou ateus. 

A pesquisadora concluindo seu relatório aponta que a religião pode ser causadora, ou bastante responsável por causar, essas violências contra mulheres. Fica óbvio sua visão reducionista e preconceituosa, deixando de considerar, confortavelmente, que a causa está no agressor, e não na fé da agredida, ainda que esta fé muitas vezes a leva a racionalizar as causas de suas agressões restringindo-as ao campo das batalhas espirituais. O fato de algumas destas pobres mulheres terem uma visão teológica distorcida do verdadeiro cristianismo, demonizando as causas da violência sofrida contra elas, não dá direito aos estudiosos das ciências sociais de, em nome de denunciarem a agressão as mulheres, agredirem o cristianismo evangélico, ou reduzir este a esteriótipos inadequados.  




fonte: http://www.fazendogenero.ufsc.br/9/resources/anais/1280156603_ARQUIVO_ValeriaCristinaVilhena.pdf


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