domingo, 27 de janeiro de 2013

TEMPO DE CHORAR




HOJE É TEMPO DE CHORAR!

1 Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu. 2 Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; 3 Tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derrubar, e tempo de edificar; 4 Tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; 5 Tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de afastar-se de abraçar; 6 Tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de lançar fora; 7 Tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; 8 Tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz. 9 Que proveito tem o trabalhador naquilo em que trabalha? 10 Tenho visto o trabalho que Deus deu aos filhos dos homens, para com ele os exercitar. 11 Tudo fez formoso em seu tempo; também pôs o mundo no coração do homem, sem que este possa descobrir a obra que Deus fez desde o princípio até ao fim. 12 Já tenho entendido que não há coisa melhor para eles do que alegrar-se e fazer bem na sua vida; 13E também que todo o homem coma e beba, e goze do bem de todo o seu trabalho; isto é um dom de Deus. 14 Eu sei que tudo quanto Deus faz durará eternamente; nada se lhe deve acrescentar, e nada se lhe deve tirar; e isto faz Deus para que haja temor diante dele.   Eclesiastes 3.1-14
 


Estou em gozo de férias aproveitando as praias do litoral Catarinense. Não estou tendo acesso com facilidade a jornais e noticiários televisivos. Mas fiquei profundamente chocado hoje pela manhã quando li na página do UOL que uma boate da cidade de Santa Maria – RS teve um incidente de proporções gravíssimas. Um incêndio, supostamente provocado durante uma apresentação de uma banda musical, devastou todo ambiente em pouquíssimo tempo. Naquela hora, por volta das 10 horas, o site noticiava a possibilidade de 90 mortos e mais uma centena de feridos. Alarmante!

Saí com a família, passei o dia fora, e quando regressei ao apartamento onde estamos, fui me atualizar das noticias, e fiquei mais chocado ainda. O número de mortos, na sua grande maioria absoluta de jovens universitários, guris e gurias de 18 a 25 anos, ultrapassava o número de 223 mortos, fora aqueles que ficaram terrivelmente queimados, e que, se sobreviverem,  deverão ter sequelas das queimaduras para o resto de suas vidas.

Nossa palavra nesse momento de profunda dor e comoção, não somente em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, mas no Brasil, e acredito com repercussões internacionais, é de consolo. Só podemos orar.  É praticamente inimaginável a dor dos parentes e amigos daqueles que perderem entes queridos nessa tragédia. Acredito que o Brasil hoje esteja orando, intercedendo, chorando, em prantos de luto, por todo ocorrido.

Fico a pensar nos meus filhos adolescentes, na juventude de nossa igreja, e de muitos amigos jovens que conhecemos. Meu Deus, o que podemos fazer por essa massa de gente? Sei que nessa idade o jovem busca entretenimento, “azaração”, como eles mesmos dizem, mas e as consequências das noites sinistras, como a de ontem, onde muitos de nossos moços estão sendo ceifados, pelo abuso de bebidas, pela direção perigosa, por assaltos da noite, e nesse caso especifico de Santa Maria, por fatalidade. Digo fatalidade, porque no momento é só o que sabemos.

Agora, a sociedade não pode deixar passar mais esse massacre. Fico pensando nesses ambientes onde se promovem tais festas e encontros da juventude. Será que a fiscalização, os alvarás de funcionamento, dos bombeiros, as medidas de proteção de incêndio, de rápida evacuação de pessoas, e outros instrumentos que poderiam em muito evitar tragédias, como a de Santa Maria, não falharam? Com a palavra agora as autoridades. Essas sempre aparecem nesses momentos. O problema, a meu ver, é que depois somem, e os processos se arrastam nos tribunais por anos. E como ficam os pais, os irmãos, noivos, namorados, cônjuges? Como fica a sociedade de Santa Maria, do querido Rio Grande do Sul, de nosso Brasil?

Alguém, talvez, movido por dor tão intensa e insuportável, poderá nesse momento perguntar, onde estava Deus que permitiu tal tragédia? Ouso responder,se isso é possível nesse momento, acredito que não, sem querer ofender, mas tentando entender o quanto possível tais indagações. Deus está no seu alto e sublime trono, revestido de glória e majestade. Deus é amor, misericórdia, justiça e paz. Talvez a pergunta que se deva fazer, e eu me incluo como pai de adolescentes, é onde estão os nossos pais, onde está a orientação espiritual, bíblica e pastoral a nossa juventude? Onde estão as autoridades que continuam a permitir que locais como essa boate de Santa Maria funcione de forma inadequada? Onde nos encaixamos nessa tragédia? A culpa, certamente não é de Deus. Talvez não haja culpados, nem seja o momento propício de apontá-los. Agora é tempo de lamentar, de chorar, de vestirmos de sacos de cinzas e colocarmos a nossa boca no pó da terra, quem sabe haja esperança ainda para nossa geração, tão sem rumo, sem perspectiva, sem norte, e muitos, sem Deus.

Com todo meu respeito e consideração, Deus console e fortaleça o povo determinado do Estado do Rio Grande do Sul.

Rev. Afonso Celso de Oliveira

sábado, 26 de janeiro de 2013

O PESO DA DIFAMAÇÃO



O PESO DA DIFAMAÇÃO
"... a língua, porém, nenhum dos homens é capaz de domar; é mal incontido, carregado de veneno mortífero." Tg 3.8


O escritor Tiago em sua carta alerta-nos sobre o poder venenoso do mau uso da língua. A língua pode ser mais mortal do que o veneno de uma Naja. Basta uma fagulha de seu uso para incendiar toda uma floresta.
Pode-se usar a língua para bendizer a Deus, abençoar os homens, ou para amaldiçoar, blasfemar e provocar dolo ao próximo. Um dos dolos cometidos pela língua é a difamação.
Difamar é falar mal de alguém. É passar a frente algo, que mesmo que seja verdade, ou parcialmente verdade, levará às cinzas a reputação do difamado. O escritor A. W Tozer recomenda em seu livro “Cinco votos para se obter poder espiritual”, que um dos compromissos que o cristão deveria assumir é de jamais passar a frente algo que prejudicará alguém.
O difamador coleciona uma legião de seguidores que se multiplicam rapidamente e faz prosperar sua “obra”. As cinzas espalhadas por estes jamais poderão ser recolhidas. O estrago poderá ser incorrigível.
Difamar é pecado, e traz o peso de maldição divina! (cf. Lv 19.16; Sl 140.11). Os filhos produzidos pela difamação têm nomes. São conhecidos como fofoca, maledicência, espalhador de contendas, divulgador da vida alheia, e outros. Um seguidor de Cristo que se presta a esse tipo de atividade não entendeu ainda a amplitude do ensino de seu Mestre.
Jesus nos instruiu a prática das boas obras.  Ensinou-nos a perdoar, orar, cobrir a nudez do próximo, e certamente, a não expô-la.
Quem difama faz propaganda para o inferno; se transforma em agente do diabo, especialista em fofocar, caluniar, mentir e provocar cismas (cf. Pv 24.8). Quem difama separa melhores amigos (cf. Pv 16.28; 17.9); provoca cisão na igreja, na família e na comunidade.
Seria melhor nascer sem língua, do que tê-la para ser usada a serviço do diabo (cf. Cl 3.8; 1Pe 2.1).
O que o difamador esquece é de que tudo que estiver encoberto, um dia será devidamente revelado (cf. Mc 4.22), e quem usa de misericórdia receberá misericórdia (cf. Tg 2.13), quem vive pela espada por ela morrerá (Mt 26.52). O peixe morre pela boca.
Não difamemos uns aos outros, mas pratiquemos a misericórdia, o perdão e a justiça (cf. 1Jo 4.7)!
S.D.G.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O Legado de um Pai

O Legado de um Pai

"Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas vida longa na terra que o Senhor teu Deus te dá”. Êxodo 20:12


Vou falar um pouco de minha experiência na infância para homenagear alguém que amo muito, meu pai.

Meu pai nunca foi uma pessoa muito carinhosa, ele herdou certa frieza de meu avô. Porem, sempre foi muito integro, trabalhador, honesto.

Quando aprendi a ler e escrever aos oito anos de idade, me levou para trabalhar com ele em sua pequena farmácia de bairro. Chegava da escola, almoçava, descansava um pouco e mamãe preparava um lanche que colocava na sacola. Eu pegava um ônibus a duas quadras de casa, sozinho, e descia a uma quadra da farmácia. Ficava com papai até às 21 horas, quando voltávamos juntos para casa. 

Aos doze anos, mesmo sem ter salário, papai assinou minha carteira, preocupado com minha aposentadoria. Eu tinha folga no sábado, quando reunia a turma da rua para irmos aos campos de várzea jogar futebol.

No domingo, acordava às 5 horas da manhã, por conta própria, para ir a banca de jornal pegar exemplares do Estado de Minas, que amarrava na garupa da minha “monareta” (quem é desse tempo vai se lembrar), e percorria as ruas do bairro até vender o último exemplar. A tarde eu passava na fabrica de picolés e pegava uma caixa de isopor cheia para ir aos campos de Várzea vender. Nunca pedi dinheiro pro meu pai, sabia que ele não tinha mais do que podia investir na manutenção da família. 

Aos dezesseis anos fui selecionado por uma empresa de RH para ir trabalhar no Banco Nacional como continuo. O Banco tinha uma cooperativa que vendia alimentos a preço de atacado. Minha mãe fazia compras lá para ajudar no sustento de nossa casa. O valor era descontado no meu pequeno salário. Nunca reclamei. Sentia-me gratificado em ajudar meu pai. O que sobrava eu comprava tênis e roupas. 

Meu pobre pai nunca pode pagar colégios particulares para mim. Nunca pode pagar faculdade pros filhos. Mas nos ensinou o valor do trabalho honesto.

Eu passei no meu primeiro vestibular na UFMG para sociologia em 1988. Mas não pude me matricular por que não havia ainda terminado o segundo grau.

Casei, tive filhos, depois fiz seminário com trinta anos, fiz pós graduações, e hoje sou pastor vocacionado, e me preparando para continuar estudando, o que amo muito.

Ah! Meu pai... a coisa mais importante que ele me fez, que jamais poderei recompensá-lo foi levar a mim, e toda nossa família a uma igreja evangélica, quando tinha 15 anos. Ali, nós todos nos rendemos a Cristo, e hoje vamos todos morar no céu.

Meu querido pai, eu te amo!!!

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