segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

TEMOS A MENTE DE CRISTO

NÓS TEMOS A MENTE DE CRISTO!


Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo. 1 Coríntios 2:16
           
Aqueles que estão em Cristo adquiriram pelo poder do Espírito capacidades exclusivas e distintas à nova vida gerada no nascer de novo, ofertadas gratuitamente como produto dos méritos de Jesus Cristo, o Senhor da Igreja.
             
Na prática significa uma profunda transformação, mudança radical do eixo hermenêutico que altera a Cosmovisão de um homem “natural”, sem Cristo, para uma Cosmovisão Cristã, daqueles que agora saboreiam uma visão realística do mundo tanto espiritual, quanto natural. Em outras palavras, significa que passamos a elaborar nosso pensamento, valores, princípios, e a julgá-los conforme a mente de nosso Senhor. Compreende então que teoricamente um cristão deveria pensar como Cristo pensa.
             
Isso acontece? Talvez não, com a frequência e a profundidade que deveria, mas nem por isso deve ser um alvo a ser abandonado.

Muitos estudiosos das Escrituras já se debruçaram sobre esse ponto: o que significa ter a mente de Cristo? E as opiniões convergem em um sentido básico que ter a mente é ser transformado e ser transformador.

Simon Kistemaker ao comentar parte desse verso afirma que :

A expressão mente de Cristo, portanto, significa o conhecimento que o crente tem de Cristo pela ação do Espírito e a apropriação da mensagem do evangelho.  (...)
O povo de deus, redimido por meio da obra de Jesus cristo, é chamado a amar a Deus de coração, alma e mente, e a amar o próximo como a si mesmo (Mt 22.37-39). Deve fazê-lo para expressar sua gratidão a deus pela salvação dada por Cristo. Devem orar para que o espírito Santo, que vive dentro deles, os conduza para mais perto de Jesus Cristo. Ter comunhão com Cristo significa ter a mente de Cristo, e eles querem servi-lo em gratidão.  (KISTEMAKER, 2004, 130).

A noção sagrada de que “ter a mente de Cristo” está relacionada diretamente a qualidade da comunhão de um servo com seu Senhor é fascinante. Gosto muito quando Leon Morris expressa com clareza sua ideia ao abordar essa passagem. Diz ele:  

(...) temos a mente de Cristo. Ele não quer dizer que o cristão é capaz de compreender todos os pensamentos de Cristo. Mas, sim, quer dizer que o Espírito que nele habita revela Cristo. Por conseguinte o homem espiritual não vê as coisas na perspectiva do homem do mundo, Ele as vê na perspectiva de Cristo.  (MORRIS, 2006, 49).

Perspectiva certa, só quem tem a “mente de Cristo” pode ter. Creio que cometeríamos menos pecados, erraríamos menos em nossas decisões particulares, públicas, e no que diz respeito as coisas da igreja, conciliares, se envidássemos esforços para tudo fazer dentro da perspectiva da “mente de cristo”.

Hernandes Dias Lopes citando Fritz Rienecker traz à luz a observação importante de que “(...) a mente de Cristo são os pensamentos, os conselhos, os planos e o conhecimento de Cristo, conhecidos pelo homem mediante a ação do Espírito Santo”. (LOPES, 2008, 51).

Calvino está inclinado a compreender que Paulo ao se referir “nós, porém, temos a mente de Cristo”, está pensando nesse momento nos Ministros, pregadores da Palavra. Calvino admite, entretanto que a aplicação também pode ser universal, ou seja, a todos os crentes. Ele elabora essa estrutura argumentando:

... os servos do Senhor são instruídos pela particular autoridade do Espírito, o que se acha demasiadamente distanciado da compreensão humana, a fim de que falem destemidamente, por assim dizer, [o que flui] da boca do Senhor. Posteriormente, esse dom se disseminará gradativamente por toda a Igreja. (CALVINO2003, 97).

Nesse momento podemos perguntar então: Qual seria a perspectiva correta para avaliarmos se estamos exercitando corretamente a “mente de Cristo” no nosso viver diário?

Penso que existem pelo menos três testes que podemos submeter nosso pensamento e ações para avaliar se de fato o que pensamos e realizamos está sob o crivo da “mente de Cristo”. Motivação, propósito e integridade.

Ter a mente de Cristo tem a ver com uma motivação santa!

O que deve motivar um cristão no exercício de seus dons e atitudes cotidianas? A recompensa a ser obtida? O reconhecimento pessoal? A escalada nos degraus do poder de sua instituição? Seu orgulho?

Se pensarmos como Cristo ficará muito claro que a motivação para servir sempre deverá ser prioritariamente a glória de Deus! “Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste a fazer”. (João 17.4 ARA). “Pois desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade daquele que me enviou.” (João 6.38 NVI).

Ter a mente de Cristo tem a ver com propósito elevado!

Relacionado ao primeiro teste, a motivação, vem o alvo, o propósito, para onde estamos apontando nossos pensamentos e atos. Se o alvo tem a ver com nossa auto realização, penso que começamos mal. Mas se o propósito, sinceramente, tem a ver com a promoção de todo o desígnio de Deus, a realização de sua vontade, a obediência irrestrita aos seus mandamentos, então, acredito que encontramos um propósito elevado. Tão elevado que não depende mais de nós a sua realização, visto que esse propósito é divino, e se tombarmos no caminho, ou formos recolhidos por Deus, ele mesmo proverá outros que seguirão a mesma visão e objetivo por ele traçados e determinados.

Tem a ver com integridade de caráter

Uma cosmovisão cristã verdadeira infunde princípios e valores na mente e coração daqueles que a possuem. Esses não se curvam diante de manobras manipulativas que visam pragmaticamente atingir objetivos, e para alcançá-los sacrificam leis, princípios e valores bíblicos.

O caráter de um cristão é a imagem que ele possui de Cristo sendo formada em seu ser. Se seu caráter é fraco e comprometido é porque a imagem de Cristo não existe, ou se existe, ainda não passou de um pequeno esboço. É fato que a maturidade cristã revelará a seu tempo a lapidação maravilhosa que o Espírito laborou em nós, esculpindo em pedra bruta, nosso ser, a gloriosa imagem de Cristo, o propósito sublime da santificação do Espírito em nós. Assim como está escrito:

28 Sabemos que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam, dos que foram chamados de acordo com o seu propósito. 29 Pois aqueles que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.  Romanos 8:28-29 (NVI)
           
Acredito que estou ainda muito longe de poder afirmar que “mente de Cristo” se formou em mim. Mas, como o próprio Paulo, atrevo-me a dizer que continuo a perseguir esse alvo. “Sendo assim, não corro como quem corre sem alvo, e não luto como quem esmurra o ar.” (1 Co 9.26 NVI). Paulo que em Filipenses confessa essa luta diária e seu objetivo com mais clareza:

10 Quero conhecer a Cristo, ao poder da sua ressurreição e à participação em seus sofrimentos, tornando-me como ele em sua morte  11 para, de alguma forma, alcançar a ressurreição dentre os mortos.  12 Não que eu já tenha obtido tudo isso ou tenha sido aperfeiçoado, mas prossigo para alcançá-lo, pois para isso também fui alcançado por Cristo Jesus.  13 Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante,  14 prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.  15 Todos nós que alcançamos a maturidade devemos ver as coisas dessa forma, e se em algum aspecto vocês pensam de modo diferente, isso também Deus lhes esclarecerá.  16 Tão-somente vivamos de acordo com o que já alcançamos.   Filipenses 3:10-16

Será que de fato “temos a mente de Cristo”? Resta-nos uma esperança, na qual me apego: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completa-la até o Dia de Cristo Jesus”. (Fp 1.6 ARA).

Soli Deo Gloria!
Afonso Celso de Oliveira
Quero conhecer a Cristo, ao poder da sua ressurreição e à participação em seus sofrimentos, tornando-me como ele em sua morte

para, de alguma forma, alcançar a ressurreição dentre os mortos.

Não que eu já tenha obtido tudo isso ou tenha sido aperfeiçoado, mas prossigo para alcançá-lo, pois para isso também fui alcançado por Cristo Jesus.

Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante,

prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.

Todos nós que alcançamos a maturidade devemos ver as coisas dessa forma, e se em algum aspecto vocês pensam de modo diferente, isso também Deus lhes esclarecerá.

Tão-somente vivamos de acordo com o que já alcançamos.
Filipenses 3:10-16
Quero conhecer a Cristo, ao poder da sua ressurreição e à participação em seus sofrimentos, tornando-me como ele em sua morte

para, de alguma forma, alcançar a ressurreição dentre os mortos.

Não que eu já tenha obtido tudo isso ou tenha sido aperfeiçoado, mas prossigo para alcançá-lo, pois para isso também fui alcançado por Cristo Jesus.

Irmãos, não penso que eu mesmo já o tenha alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficaram para trás e avançando para as que estão adiante,

prossigo para o alvo, a fim de ganhar o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.

Todos nós que alcançamos a maturidade devemos ver as coisas dessa forma, e se em algum aspecto vocês pensam de modo diferente, isso também Deus lhes esclarecerá.

Tão-somente vivamos de acordo com o que já alcançamos.
Filipenses 3:10-16

sábado, 29 de dezembro de 2012

RETROSPECTIVA DE UM PASTOR


…Mas uma coisa eu faço, e é que ,esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que estão diante de mim,prossigo para o alvo, pelo premio da Soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.(Filipenses 3:13-14).

Chegamos finalmente nos últimos dias de 2012. Na próxima semana, terça-feira, se Deus assim o permitir, inauguraremos um novo ano. Que 2013 seja um ano abençoado, tanto quanto foi o de 2012. Pude experimentar em abundância nesse ano de 2012 a graça de Deus. Ela é saborosa, e sem ela não haveria a menor possibilidade de eu estar de pé diante de Deus, faltando três dias apenas para o término de mais um ano da Era Cristã. 

A graça de Deus se manifestou em momentos diversos. Nas muitas tribulações, perseguições, provações, tentações, nas fraquezas múltiplas. Foi motivo de fortalecimento, de orações respondidas, de amizades revitalizadas, de amor transbordante. Este ano que passou amei mais ainda minha querida esposa. Vi ela ficar cada dia mais linda! 

Amei mais os meus filhos, carentes que são de minha atenção e intercessão. Amei o ministério, a única coisa que tenho plena certeza, depois da salvação em Cristo, de que nesse Chamado existe um propósito sublime de Deus para com esse vaso frágil que sou eu. Amei a igreja, irmãos, amigos e até os inimigos. Esses últimos são dádivas de Deus para que meu espírito se mantivesse sempre vigilante e humilde. 

Completei com sucesso dois cursos. Bacharel em Teologia no Mackenzie (Validação) e a Pós-Graduação em Revitalização e Multiplicação de Igrejas no Andrew Jumper. Pude ter o privilégio de promover eventos e ações junto a Secretaria de Causa do Trabalho com a Terceira Idade do PBHZ. Aprendi muito com meus queridos idosos. Perdi amigos, que Deus quis levar para junto dele. Chorei, sorri, tive ira, momentos de paz e profunda contemplação. Vivi 2012! 

O que espero em 2013? Graça dobrada. Sei que não a mereço, mas se a merecesse não seria Graça, nem teria graça! 

Rev. Afonso Celso de Oliveira 
Pastor Presbiteriano

Seguir por e-mail