sexta-feira, 30 de março de 2012

PARA NOSSA ALEGRIA, E PARA O DEBOCHE DE MUITOS INCAUTOS

Com a permissão do autor, tenho privilégio de publicar nesse singelo Blog o texto consciente e com boa reflexão teológica do meu amigo, Mestre em Ciência da Religião, Teólogo e pastor da Igreja Presbiteriana do Brasil, Rev. César Guimarães do Carmo. 

César é um desses poucos cristãos piedosos que alguém pode dizer com segurança que têm o privilégio de ter um amigo. Porque ele é Amigo, com "A" maiúsculo. A Deus toda Glória e a você César minha admiração, amizade e amor cristão. Deus vos abençoe em tudo!





“PARA A NOSSA ALEGRIA”

       Este vídeo, postado no dia 13 de março, é o mais assistido e comentado do momento: tornou-se o hit da web, milhões e milhões de acessos. Nele uma modesta família reúne-se para cantar a canção do grupo Êxodos “Galhos Secos”. Confesso que o assisti, achei engraçado! Considerei que uma família se reuniu para cantar e resultado disso foi cômico e resolveram tornar público o exótico resultado. A família que gravou o vídeo se mostrou surpresa com a repercussão: “Como minha mãe estava de folga, falei para ela cantar com a gente. Mas não tínhamos combinado nada. Fizemos de brincadeira, foi tudo natural”, conta Jefferson, de 19 anos, que, junto com a irmã, exibiu um sorriso que virou marca da dupla. “Sou sempre alegre, graças a Deus”, comenta.

         Parece-me, não obstante, que as consequências estão fora de controle, não são alvos de reflexão, especialmente, pelo povo que se diz “cristão”. Os comentários todos se dão em torno daquilo que é exótico, engraçado, grotesco, pitoresco. Novos vídeos com novas personagens estão sendo postados, tentando atingir os mesmo inusitados objetivos. Uma música tão bonita, que marcou gerações de crentes, produzindo comunhão e quebrantamento, é alvo piadas jocosas, não raro, maldosas, e as pessoas, simplesmente, se “divertem com isso”. Depois disto, quem sabe, farão o mesmo com “Santo, Santo, Santo”; “Castelo Forte”, “Grande é o Senhor” etc.


        Deveríamos considerar o que é esta canção descreve a providência de Deus, o Criador de todas as coisas, que para o louvor da glória sustenta, dirige, dispõe e governa todas as suas criaturas, todas as ações e todas as coisas, desde a maior até a menor. Assevera o cuidado do nosso Pai em nos alimentar, abençoando-nos com sua dadivosa provisão, e ele assim o faz para “a nossa alegria”. 


       Outro fator que deveria ser considerado, para nossa alegria, é a observância do terceiro mandamento: “não tomarás o nome do Senhor, teu Deus, em vão, pois que o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão” (Ex. 20.7). O terceiro mandamento exige, que aqueles que têm como Deus, Yavé, devem honrar o se nome, os seus títulos, e tudo quanto pelo que Deus se fez conhecer, e zelarem para que estas cousa sejam santa e reverentemente usadas em nossos pensamentos( Ml 3. 16), meditações( Sl 8), palavras, e isto, para a nossa alegria.



            Á Cristo, a razão de nossa alegria, glória, honra e louvor.


Rev. César Guimarães do Carmo

quinta-feira, 29 de março de 2012

BOLSA FAMÍLIA: RESOLVE?


BOLSA FAMÍLIA: SOLUÇÃO OU ENGODO SOCIAL?



O jejum que desejo não é este: soltar as correntes da injustiça, desatar as cordas do jugo, pôr em liberdade os oprimidos e romper todo jugo? Não é partilhar sua comida com o faminto, abrigar o pobre desamparado, vestir o nu que você encontrou, e não recusar ajuda ao próximo? Aí sim, a sua luz irromperá como a alvorada, e prontamente surgirá a sua cura; a sua retidão irá adiante de você, e a glória do Senhor estará na sua retaguarda. Aí sim, você clamará ao Senhor, e ele responderá; você gritará por socorro, e ele dirá: “Aqui estou”. Se você eliminar do seu meio o jugo opressor, o dedo acusador e a falsidade do falar; se com renúncia própria você beneficiar os famintos e satisfizer o anseio dos aflitos, então a sua luz despontará nas trevas, e a sua noite será como o meio-dia. Isaías 58:6-10 NVI


Apesar de não ser uma fonte 100% confiável, o site Wikipédia[1] define assim o programa social do governo federal: 

O Programa Bolsa Família (PBF) é um programa do Governo Lula (2003) de transferência de renda com condicionalidades, para integrar e unificar ao programa Fome Zero, e outros implantados no Governo FHC, idealizados pela então primeira-dama D. Ruth Cardoso o "Bolsa Escola", o "Auxílio Gás" e o "Cartão Alimentação".

O PBF é tecnicamente chamado de mecanismo condicional de transferência de recursos. Consiste na ajuda financeira às famílias pobres, definidas como aquelas que possuem renda per capita de R$ 70,00 até 140,00 e extremamente pobres com renda per capita até R$ 70,00. A contrapartida é que as famílias beneficiárias mantenham seus filhos e/ou dependentes com frequência na escola e vacinados. O programa visa a reduzir a pobreza a curto e a longo prazo através de transferências condicionadas de capital, o que, por sua vez, visa a quebrar o ciclo geracional da pobreza de geração em geração.

Foi considerado um dos principais programas de combate à pobreza do mundo, tendo sido nomeado como "um esquema anti-pobreza originado na América Latina [que] está ganhando adeptos mundo afora" pela britânica The Economist. Ainda de acordo com a publicação, os governos de todo o mundo estão de olho no programa. O jornal francês Le Monde reporta: "O programa Bolsa Família amplia, sobretudo, o acesso à educação, a qual representa a melhor arma, no Brasil ou em qualquer lugar do planeta, contra a pobreza.”.

Em junho de 2011, a presidente Dilma Rousseff anunciou a expansão do programa, como parte do programa Brasil sem Miséria, que tem como objetivo retirar da situação de pobreza extrema 16,2 milhões de pessoas que vivem com menos de R$ 70 por mês.

Mas, a pergunta que me inquieta é: Bolsa família resolve o problema da miséria de fato?

O programa Bolsa Família está conseguindo erradicar o trabalho infantil?

O site do “Programa de Defesa da Infância e Adolescência- Gira Solidário”[2] faz um alerta importante quando diz em sua homepage:



A integração entre o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI) e o Programa Bolsa-Família (PBF) está trazendo prejuízos às crianças e adolescentes que têm sua mão-de-obra explorada. Falhas cometidas na hora de inserir os dados desse público no Cadastro Único (CadÚnico) do Governo Federal tem deixado boa parte desses meninos e meninas de fora das Ações Socioeducativas e de Convivência previstas no PETI.

Consideradas por especialistas como o carro-chefe do combate ao trabalho infantil, essas ações consistem na oferta de atividades esportivas, culturais e de reforço escolar no turno contrário ao da escola. Uma forma de manter a criança ocupada e longe da exploração.

Essas são algumas das conclusões de uma análise feita pelo Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil.[3] Em Mato Grosso do Sul, levantamento preliminar produzido pela Comissão Estadual do PETI constatou que a maioria dos 47 municípios que enviaram as informações solicitadas enfrenta problemas com a integração do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil e o Programa Bolsa-Família.

O programa Bolsa-Família tem aumentado o número de filhos em famílias, ou mães que recebem o beneficio?

Essa é uma pergunta controversa. Há gente que diz que sim, e outros afirmam que não.

No artigo de José Eustáquio Diniz Alves, publicado pelo site Eco Debate – Cidadania & Meio Ambiente, patrocinado pelo Governo Federal (já deixou de ser imparcial) o autor elenca em sua pesquisa dados estatísticos onde fundamenta  sua posição de que até mesmo nas camadas mais pobres, a faixa social que utiliza mais o Bolsa Família, o numero de nascituros está diminuindo.  Alves conclui o seguinte:

Contudo, estudos acadêmicos mostram que, na prática, o Programa Bolsa Família não tem provocado o aumento do número de filhos das famílias beneficiadas. Romero Rocha (2009) investiga os incentivos à fecundidade dos programas condicionais de transferência de renda, nos quais a quantidade de recursos transferidos depende do tamanho da família. Usando uma metodologia econométrica ele mostra que o PBF não tem provocado o aumento da fecundidade da população pobre no Brasil[4].


No jornal eletrônico do IPEA, órgão governamental, em sua primeira página vem com manchete em destaque: “Gravidez na adolescência  ocorre mais entre as jovens pobres do Centro-Oeste”.  Um ponto destacado nessa matéria diz o seguinte:

Na média nacional – todas as regiões e classes de renda –, a taxa de fecundidade desta faixa etária é de 77/mil. Bem menor do que as do Norte (108/mil) e Centro-Oeste (94/mil), próxima do resultado para o Nordeste (80/mil), maior do que a media do Sul (72/mil) e bem maior do que a do Sudeste (67/mil). A média sobe para 128/ mil entre as jovens mais pobres e cai à medida que a renda aumenta, chegando a 13/mil entre as mais ricas.[5]


Percebam que o próprio governo, através de suas autarquias e órgãos, aponta que o maior número de grávidas adolescentes se encontram nas camadas mais pobres e nas regiões mais atendidas estatisticamente pelo programa Bolsa Família. Norte, Centro-Oeste e Nordeste.

Que conclusões podemos tirar?

Cada um é livre pra tirar as suas próprias. Eu assumo que até que me provem o contrário, o programa Bolsa Família estimula o ócio, a taxa de natalidade, principalmente nas regiões já citadas (e não é questão de preconceito aos brasileiros do norte-nordeste, são os números que falam por si), e não resolve o problema da miséria.

Penso que o Programa seria eficaz se fosse por tempo determinado, assim como o seguro-desemprego. Que as famílias atendidas recebessem investimento pesado na educação de qualidade (não basta matricular as crianças em escolas deploráveis, como é a realidade das políticas de escolas publicas no Brasil). Que os adultos, e adolescentes maiores de 16 anos, fossem incluídos em frente de trabalho, recebessem instrução profissionalizante, preparando-os para a mão de obra especializada, e por fim, as outras políticas publicas também os alcançassem (saúde, saneamento básico, moradia digna e cultura).

Providenciar somente o Bolsa Família com intuito de erradicar a pobreza é a mesma coisa que obturar um dente que precisa de um tratamento triplo de canal. Pode até disfarçar, mas vai latejar, e a dor não vai passar.

O que mais aumentou com a implantação e expansão do programa Bolsa Família?  

O "curral eleitoral" do governo.  Foi comprovado que o maior índice de eleitores do governo Lula e Dilma veio das regiões onde o programa atingiu sucesso absoluto.  Precisa dizer mais alguma coisa?

Não sou contra o Bolsa-Família, desde que ele não só abra a porta para entrada na inclusão social, mas, mantenha outra aberta nos fundos, para saída da miséria, ignorância e baixa autoestima do povo explorado politicamente nesses programas assistencialistas e populistas dos nossos nobres governantes.

Convido os leitores desse blog a lerem também artigo muito interessante da UNISINOS: O FUTURO DO BOLSA FAMÍLIA

quarta-feira, 28 de março de 2012

WORKSHOP DA TERCEIRA IDADE - 13,14 E 15 DE ABRIL EM BH



Amanhã, quinta-feira dia 29/03, postarei toda a programação. Será uma bênção!

domingo, 25 de março de 2012

PRA COMEÇAR O DIA REFLETINDO SOBRE A FAMÍLIA...


sexta-feira, 23 de março de 2012

ESCOLA DOMINICAL ITINERANTE


Um ministério da Solidariedade e Amor


"Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai! Recebam como herança o Reino que lhes foi preparado desde a criação do mundo. Pois eu tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e vocês me deram de beber; fui estrangeiro, e vocês me acolheram; necessitei de roupas, e vocês me vestiram; estive enfermo, e vocês cuidaram de mim; estive preso, e vocês me visitaram’.  Mateus 25:34-36


“...Pois o que o homem semear, isso também colherá. Gálatas 6:7b”



Imagine frequentar uma igreja por vários anos, décadas, e ver chegar o tempo em que a saúde, o corpo, as emoções não respondem mais da forma como eram antes. Aquilo que você mais gostava aos domingos, a comunhão dos santos, a participação da Escola Dominical, anos a fio; o encontro com a pregação e o estudo da Palavra de Deus; a participação no sacramento precioso da Ceia de nosso Senhor, já não é possível mais, como outrora.

Existem agora vários impedimentos. Pode ser uma enfermidade grave, degenerativa, que imobiliza o corpo e a mente. Pode ser que você esteja até gozando de saúde razoável, mas agora, se tornou um (a) cuidador (a) de alguém querido, um pai, mãe, irmão, cônjuge, filho, etc.

Existem centenas, ou até milhares de pessoas nas grandes e pequenas cidades que se encontram nesse estágio da vida. Reclusas em suas casas, impedidas pelos motivos que listamos, e até outros, de irem a Casa do Senhor. Como a igreja pode intervir nessa situação? O que fazer para não esquecer e valorizar àqueles que contribuíram para a fundação e consolidação da igreja local?

Em meados do ano de 1995, o superintendente da época da EBD da Primeira Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte, Pb. Osvaldo Lúcio Ribeiro, criou dentro da estrutura da educação cristã da igreja o ministério da Escola Bíblica Dominical Itinerante.  Trata-se de um ministério de apoio, formado por equipes pequenas de 3 a 5 irmãos, que se propõem a deslocarem-se todos os domingos no horário em que acontece a EBD regular às casas desses irmãos impedidos de vir à igreja. As visitas são previamente marcadas e escaladas, divulgadas no Boletim dominical. Geralmente vai um pastor junto para ministrar a Ceia e a Palavra. Nesta reunião do lar, que não ultrapassa uma hora, são feitas orações, entoados hinos, ministrado o estudo ou uma devocional de no máximo 20 minutos, e servido a mesa da comunhão a Ceia do Senhor. Dá até tempo de tomar um cafezinho com a família e ouvir como eles estão passando.

No ano de 2011 eu liderei uma dessas equipes. Ministrei mais de 54 Santas Ceias, somadas as regulares na sede da Primeira e em suas congregações. Calvino teria inveja (rsrsrs). Foi uma experiência pastoral maravilhosa ver o brilho nos olhinhos de nossos velhinhos e doentes. Eu mais fui edificado do que edifiquei.

Sua igreja também pode ter uma Escola Dominical Itinerante. E lembre-se, o que você semear certamente colherá. Quem saberá ao certo se no dia de amanhã você querido irmão ou irmã é que estará necessitado dos cuidados pastorais da igreja no seu lar. Pense nisso!

quinta-feira, 22 de março de 2012

POR QUE FREUD REJEITOU DEUS?


RESENHA CRITICA

Por
Afonso Celso de Oliveira

RIZZUTO, Ana-Maria. Por que Freud rejeitou Deus – Uma interpretação Psicodinâmica - São Paulo: Edições Loyola, 2001. 268 pp

A autora Ana-Maria Rizzuto é analista supervisora e treinadora no Psychoanlaytic Institute of New England, East. Recebeu em 1996 o prêmio William C. Bier da American Pschological Association e, 1997, o Prêmio Pfister da American Psychiatric Association por suas contribuições ao estudo da religião. Com esta autoridade, realiza o estudo contido nessa obra, cujo objetivo é uma investigação psicanalítica da pessoa de Sigmund Freud, na tentativa de compreender o ateísmo declarado e sua obstinada luta para desacreditar qualquer tipo de religião, e, principalmente, Deus.
Esta obra não segue uma ordem cronológica da vida de Freud. A autora prefere destacar nos capítulos que desenvolve, temas que julga serem pertinentes a construção da compreensão do relacionamento de Freud com a religiosidade.
No capitulo primeiro – A Compulsão de Freud por colecionar antiguidades – Segundo a pesquisa de RIZZUTO, Freud possuía uma obstinada compulsão por colecionar objetos antigos e dispô-los de forma sistemática e meticulosa em ambiente preparado para receber estes objetos.  Fascinava-o em especial os objetos coletados das culturas egípcia, grega e romana.
Diz a autora:

A coleção de objetos arqueológicos, Freud reconheceu em uma carta a Stefan Zweig do dia 7 de fevereiro de 1931, era uma necessidade compulsiva assim como fumar: “Apesar de minha parcimônia, sacrifiquei muito por minha coleção de antiguidades gregas, romanas e egípcias, tenho lido mais sobre arqueologia que sobre psicologia; isso antes da guerra tenho lido mais sobre arqueologia que sobre psicologia; isso antes da guerra – depois de seu término eu me senti compelido a passar,  todo ano, ao menos alguns dias ou semanas em Roma (1960, p.403) – p. 25

Um tema a percorrer todo escopo do livro de Rizzuto é a doação que o pai de Freud, Jacob Freud fez a seu filho, com uma dedicatória enigmática na Bíblia de Philippson, edição provável de 1841. A autora insiste na análise do que representou essa Bíblia como elo entre Jacob (pai) e Sigmund (filho), buscando interpretar a partir desse ponto as dificuldades e resistências que marcaram a vida de Freud.
No segundo capitulo – A História da Família – a autora faz uma retrospectiva da família de Freud. Descreve seus pais, avós e parentes próximos. Suas origens, hábitos, costumes, dificuldades, e a personalidade familiar. Freud foi o quarto filho homem, de uma família de 12 filhos. Quando Freud nasceu sua mãe Amalie N. Freud tinha 20 anos, e seu pai Jacob era um homem de 39 anos.
Os Freud's era uma família judaica ortodoxa de tradições rígidas. Sigmund certamente, pelos indícios coletados pela autora, parece ter recebido instruções da fé judaica em seus primeiros anos de vida, como manda a tradição ortodoxa. Apesar de em 1930, o próprio Freud, estranhamente negar sua catequização judaica na infância. “Minha educação foi tão pouca judaica que hoje eu nem sequer consigo compreender sua dedicatória, evidentemente escrita em hebraico. Depois de adulto, frequentemente lamentei essa deficiência em minha educação” (1960, p.395). p. 45
No capitulo terceiro – Jakob e a “catástrofe” – a autora explora melhor a personalidade e a biografia do pai de Freud. Uma coisa interessante a notar, é que a Bíblia de Phillipson, adotada por Jakob, possuía varias ilustrações, inclusive de figuras egípcias, o que era algo antinatural a cultura hebraica reconhecida por sua postura intransigente contra qualquer representação gráfica ou de imagem ligadas a Deus, ou aos ritos e costumes religiosos. “A Bíblia de Philippson incluía até mesmo figuras de deuses egípcios. (...) Jacob Freud fora totalmente instruído sobre as proibições de Deus contra a fabricação de quaisquer imagens”. P. 55
Os primeiros anos da infância de Freud foram marcados por tragédias familiares, “... seus pais sofreram perdas muito significativas: um pai, um irmão favorito e um filho”. P. 57. Rizzuto faz uma observação interessante quando descreve seu olhar ao dizer: “O psicanalista não pode deixar de observar que Freud se apresenta apenas como filho de sua mãe, omitindo seu pai e a atordoante confusão de gerações entre seus meios-irmãos paternos, sua mãe, e o sobrinho e a sobrinha de sua idade”. P.57
A autora destaca que “quando Sigmund Freud fez seis anos, não foi mandado para uma escola primária pública, como era normal em Viena”. P. 60  Há versões diferentes sobre a educação primaria de Freud. O pai de Freud havia sido instruído a ler a Bíblia de Philippson. Freud, em sua juventude, reconheceu o valor desta leitura em seus sete anos de vida.

Em 1935, Freud reconheceu quão significativa foi para ele essa primeira exposição á Bíblia: “Meu profundo envolvimento com a história da Bíblia (praticamente tão logo aprendi a arte de ler) teve, como percebi muito depois, um efeito permanente sobre a direção de meu interesse”. P. 60

Aos poucos, Freud foi descobrindo as fraquezas de caráter e personalidade de seu pai. Acredita-se que isso possa ter colaborado para que Freud rejeitasse, consequentemente, a religião de Jakob.

Freud soube do episódio do comportamento anti-heroico de seu pai quando um cristão atirou-lhe o solidéu na lama. Sigmund queria um pai forte e heroico que corresponde à aparência física imponente de Jakob. O que ele ouvira era a história de um homem submisso. Ficou desiludido com o pai e rejeitou seu exemplo. P. 65

O pai de Freud provavelmente nutria esperança maior em seu filho Sigmund, preterindo os outros irmãos. Essa predileção pode ter gerado ciúmes e desentendimentos familiares, assim como no exemplo bíblico da predileção de Jacó por José.
A sequência da investigação sobre a pessoa do pai de Freud, Jakob continua no quarto capitulo – Jakob, homem e pai – Que tipo de homem era Jakob? Que tipo de pai para seu filho? Suas características físicas, entre outras coisas, são esmiuçadas pela autora. 
Ela resume bem a figura do pai de Freud ao dizer:
Os fatos históricos apresentam Jakob Freud como um homem incapaz de se manter por sua própria conta no mundo dos negócios. Depois de mudar-se para Viena, ele não teve documentada nenhuma atividade comercial ou outra ocupação remunera; nunca foi capaz de prover adequadamente a sua grande família. “Frequentemente recebia ajuda financeira da família de sua mulher”.  P. 73

As investidas do pai de Freud na educação religiosa deste implicariam em sérios conflitos existenciais no “pai da psicanálise”. “A tarefa de ser o novo judeu trouxe-lhe um grande conflito. Ele julgava que, tão logo fosse capaz de ser critico e criterioso, não poderia acreditar na existência de Deus”. P. 77
No quinto capitulo – A dedicatória e a resposta de Freud- diz respeito à investigação da dedicatória escrita em hebraico, o que para a autora sugere que Freud deveria ter algum conhecimento desta língua, e se houve alguma resposta de Freud a Jakob.
A linha inicial de Jakob sugere um carinhoso convite a que Sigmund deixe para trás a rejeição de Deus de sua juventude e retorne a ele na maturidade. (p.82). [...] Freud nunca documentou em palavras sua reação ao presente e ao apelo do pai. (p. 87).

As pesquisas da autora levaram-na a concluir que Freud, muito jovem, se tornara o provedor de sua família, o que constata o fracasso de seu pai, e provavelmente, o agravamento da má imagem que esse impingia na mente de Freud.
No sexto capitulo – As impressões da Bíblia de Philippson na infância de Freud- a autora volta-se as marcas na infância de Freud. Aliás, reiterando o que já foi dito no inicio, a autora não escreve seguindo uma linha cronológica linear, ela não é uma biografa de Freud, mas uma psicanalista que busca vê-lo sob a ótica da psicanálise. Investiga eventos aqui e acolá, de acordo com uma metodologia analítica típica de suas capacitações acadêmicas.
Ela procura responder aqui como era a vida de Freud aos sete anos, quando esse teve seu primeiro contato com a Bíblia do pai, que segundo entendimento da autora possuía ilustrações que foram coloridas, provavelmente pelo próprio Freud.
Outra vez Rizzuto deixa claro a imagem que Freud possuía de seu pai:

No entanto, Sigmund também via outro Jakob – o homem de negócios incompetente, cheio de sonhos vazios, o pai improvidente, o morador dos pobres e superlotados aposentos do gueto de Leopoldstrasse, o homem que tirou Freud da “feliz” cidade de Freiberg. Para piorar a situação, havia o Jakob que proclamou que ele, Sigmund “não iria ser ninguém”. Esse acúmulo narcisista de feridas sufocava a criança. P. 109

No sétimo capitulo – A Bíblia de Philippson e a coleção de antiguidades de Freud – a autora insiste na investigação da obstinação de Freud por colecionar objetos antigos, e a provável influência que advêm de suas observações, principalmente às ilustrações contidas na Bíblia de Philippson.
No oitavo capítulo – A evolução religiosa de Freud – é destacado as perdas familiares que resultaram em sofrimento emocional profundo no jovem Freud, e consequentemente fizeram-no reavaliar seus conceitos religiosos, que já não eram tão firmes, pelo contrário, suas dúvidas quanto à existência de Deus, aprofundaram-se mais ainda.
Freud passa a desprezar todos e tudo aquilo que está relacionado com a religião. Seja por observar o caráter trapaceiro de seus compatriotas, seja por não absorver as crises e perdas familiares que sofrera.
A última referência conhecida de Freud a assuntos religiosos ocorreu no dia 22 de agosto de 1938, um mês antes de sua morte, quando, sob o título “Descobertas, ideias, problemas”, ele escreveu o que parece ser seu comentário final sobre religião e misticismo: “O misticismo é a auto-percepção obscura da região exterior ao ego, do id” (1941 91938], p. 300).

No capitulo nono – As teorias de Freud acerca da religião – Rizzuto investiga a repulsa que Freud tinha a respeito de temas religiosos. “rebaixar a divindade tornou-se o objetivo de Freud e sua façanha orgulhosa”. Em seu texto “Introdução ao narcisismo” (1914)  [...] Freud disse explicitamente nesse ensaio que ele estava não somente destituindo o homem de sua posição privilegiada mas também rebaixando Deus de criador a uma criação dispensável do inconsciente humano. P. 158
Sua primeira contribuição à compreensão da religião apareceu em seu ensaio: Atos obsessivos e práticas religiosas” (1907), que trata das similaridades  entre a obsessão e a religião. Freud conclui: “Poderíamos nos arriscar a considerar a neurose como uma contrapartida patológica da formação de um religião, e a descrever a neurose como uma religiosidade individual e a religião como uma neurose obsessiva universal (p. 126)”. P.159

Nos capítulos décimo e décimo primeiro – Amalie Freud, a natureza, Deus e a morte – Rizzuto investiga a figura da mãe de Freud. Diferente de Jakob, esta mulher possuía uma forte personalidade, dominadora, critica e centralizadora.  Amalie Freud também tinha aspirações elevadas por seu filho.

A mãe de Freud nunca se desviou de sua gloriosa visão a respeito de seu primogênito. Quando era uma mulher velha, perto da morte, Amalie Freud teve um sonho sobre a morte de Sigmund: “No sonho ela estava no funeral de Sigmund, e em torno de seu caixão estavam dispostos os chefes de Estado dos maiores países da Europa”. P. 206

Freud pouca cita sua mãe.

A última referencia de Freud à mãe relaciona-se à própria morte de Amalie. Gay (1988) cita uma carta de pêsames que Freud escreveu a Max Eittingon pela morte de sua mãe que mostra o peso que ele conferiu a tal acontecimento: A perda de uma mãe deve ser algo totalmente singular, que não pode se comparar a nenhuma outra coisa, e deve despertar emoções difíceis de entender”. P. 215

Na morte da mãe de Freud, algo interessante ocorreu, o próprio Freud recusou-se a comparecer no funeral de Amalie, enviou um representante.
No ultimo capitulo, décimo segundo – Por que Freud rejeitou Deus? Uma interpretação psicodinâmica, a autora dá seu parecer como analista do que ela pensa terem sido os fatores predominantes a esta questão.
Não se pode concluir tal assunto, visto que o campo de analise é subjetivo. Mas a Rizzuto dá a entender que as representações formadas na personalidade de Freud que o levaram a rejeitar a Deus estão arraigadas as suas origens familiares, suas crises existenciais, suas decepções com o pai, e o medo da mãe, e, talvez, principalmente a tendência inconsciente de rejeitar tudo que possa trazer essas memórias, a crença na existência de Deus.
Livro interessante, com muitas informações biográficas, sob uma ótica interdisciplinar histórica e psicanalítica.  Recomendo sua leitura e análise.

Evidentemente, que para nós Cristãos da tradição reformada, acreditamos que o que levou Freud a rejeitar Deus foi à semente da rebelião em seu coração, herdado do pecado de nossos primeiros pais. Freud não é diferente de nenhum mortal, que sem a obra da Graça aplicada a seus corações, com certeza, inconsciente ou conscientemente, com ódio, ou medo, rejeitarão a Deus.

BRASIL, CAMINHANDO PARA SER UM PAÍS DA TERCEIRA IDADE

COMO ENVELHECER SEM SE TORNAR VELHO! 
                        Abraão já era velho, de idade bem avançada, e o Senhor em tudo o abençoara. Gênesis 24.1 NVI

 
Queridos internautas,

É fato inconteste que nosso país caminha para os próximos vinte anos a se tornar um país de maioria de cidadãos idosos (veja os dados do último censo: < http://g1.globo.com/brasil/noticia/2011/04/percentual-de-idosos-na-populacao-segue-em-crescimento-diz-censo.html > , in 22/03/2012). Já fomos um país jovem, hoje somos um país com equilíbrio de jovens, adultos e idosos, e dentre de pouco tempo (se essa linha da expectativa de vida permanecer em ascendência) seremos como muitos países da Europa e da América do Norte, um país de idosos.
Isso é bênção!  Porque Deus está abençoando nosso povo com longevidade, o brasileiro esta vivendo mais.

O que precisamos saber é se estamos ou vamos viver melhor. Será?

O que podemos fazer como sociedade organizada, igreja do Senhor, e cidadãos de bem para o planejamento do nosso futuro? Afinal, a minha geração, a dos 40, em vinte anos, se Deus permitir vivermos, seremos a geração dos 60. E a geração dos 60 alcançará a geração dos 80, e assim por diante.

É possível envelhecer sem ficar velho? Ter um coração e uma mente jovem?

É possível se tornar idoso com qualidade de vida e alegria no coração? Ter um corpo saudável e manter o bom humor que dá tempero agradável a vida?

Pensando nestes temas, a Igreja Presbiteriana do Brasil, através de sua Secretaria Geral do Trabalho da Terceira Idade, sob a liderança competente do Rev. Reginaldo José de Pinho Borges, vêm desenvolvendo vários Workshops em diversas regiões do Brasil levando palestras, oficinas, debates e informações, não somente aos idosos de nossas igrejas, mas a juventude e adultos, visto que estes precisam também compreender a "Teologia do Idoso", a dinâmica psicossocial que envolve estes, e se prepararem também, despindo-se dos mitos do envelhecimento para o planejamento de uma vida abundante e plena em Cristo Jesus.

Nos dias 13, 14 e 15 de Abril de 2012 (Sexta a noite, sábado -manhã e tarde e domingo - EBD; Culto matutino e Vespertino), o Presbitério Belo Horizonte (PBHZ), através de sua Secretaria de Causa da Terceira Idade, em conjunto com Secretaria Geral do Trabalho da Terceira Idade do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil, dentro das várias atividades ligadas as comemorações do Centenário da Primeira Igreja Presbiteriana de Belo Horizonte, receberá na sede da Primeira Igreja (sexta e domingo) e na sede do CRC- Centro de Referência Cristã (Sábado - Contagem) esse Workshop que será aberto a todas as igrejas de nossa cidade, presbiterianos e demais irmãos da família evangélica cristã, e outras  pessoas interessadas.


http://idosonewsipb.blogspot.com.br/p/cartilha-envelhecimento-consciente.html 







quarta-feira, 21 de março de 2012

RESENHA DE OBRA


Fazendo a Igreja Crescer – O movimento de Crescimento de Igrejas.
Resenha de Obra

Por Afonso Celso de Oliveira

SMITH, William H.; NETO, Francisco Solano Portela. Fazendo a Igreja Crescer – O movimento de Crescimento de Igrejas. São Paulo: Editora Os Puritanos, 1997. 111 pp.
         Irmãos, quero que saibam que o evangelho por mim anunciado não é de origem humana. Gálatas 1:11

Mas ainda que nós ou um anjo do céu pregue um evangelho diferente daquele que lhes pregamos, que seja amaldiçoado! Galátas 1. 8

Esta obra, dividida em três partes, sendo a primeira de autoria do Rev. William Smith, mestre em teologia pelo Reformed Theological Seminary, traduzida pelo Rev. Josafá Vasconcelos. As duas ultimas partes do livro são de autoria do Pb Francisco Solano Portela Neto, com formação universitária em área das ciências exatas, e mestrado em teologia sistemática pelo Biblical Theological Seminary, entre outras formações acadêmicas. É tradutor de livros e autor de vários artigos publicados na imprensa religiosa e secular.
A primeira parte do livro, dividido em sete capítulos, de autoria de Smith, é produto de uma série de conferencias que o autor desenvolveu no encontro de líderes da conceituada editora inglesa: Banner of Truth, realizada em Memphis, Tennessee, EUA, sobre o Movimento de Crescimento de Igrejas (1994).
No capitulo 1, “Deus quer o Crescimento de sua Igreja”, Smith inicia sua abordagem refletindo os relatos bíblicos de Lucas no livro de Atos que demonstra o crescimento exponencial e abrangente ao mundo do primeiro século ocorrido na igreja primitiva. Ele resume este fato citando a passagem bíblica: “...por todo mundo este evangelho tem frutificado e crescido” (Cf. Cl 1.6).
No Capitulo 2, “A História do Movimento de Crescimento de Igrejas”, o autor faz um estudo histórico sobre as origens e motivações iniciais que geraram este movimento. O personagem em destaque é Donald McGravan, e o cenário em que o embrião deste movimento se desenvolve é  a Escola de Missões Mundiais, ligada ao Instituto de Crescimento de Igrejas do Seminário Teológico Fuller (o mesmo onde surgiu e se destacou a figura do Dr. Peter Wagner). McGravan, de origem presbiteriana, foi conferencista no Seminário de Westminster, e teve uma série de preleções lançadas pela Companhia de Publicações Presbiterianas e Reformadas (Reformed and Presbyterian Publishing Co.), em forma de livro: Evangelismo Efetivo – Um mandato Teológico, 1988.
Mais tarde, Peter Wagner se uniria a McGravan para engrossar o ensino deste movimento de crescimento de igrejas, matéria lecionada no Seminário Fuller. Historicamente este movimento começa a despontar no ano de 1934, quando McGravan visitou a Índia e fez observações sobre o trabalho de plantio e desenvolvimento de igrejas naquele país. Ainda não era um movimento em si, mas podemos considerar que estas primeiras observações de McGravan o levou a refletir e despertar sobre o tema do crescimento de igrejas.
No capitulo 3, “Características do Movimento: Primeiras Preocupações”, o autor destaca aquilo que ele considera marcas predominantes no movimento. O papel da grande Comissão; o Ecumenismo abrangente, cujo princípio de “unidade” é um compromisso pragmático de alcançar os perdidos por todos os meios possíveis, independente da forma doutrinaria, da cultura e estilos denominacionais antagônicos e incompatíveis. Verifica o uso das Ciências Sociais, que é traduzido por um estudo sociológico das culturas que se pretende alcançar e a adequação da mensagem do evangelho a estas culturas de forma a facilitar sua compreensão e potencializar o poder de persuasão racional desta mensagem. Ele encerra este capitulo abordando uma crítica que é freqüentemente  imposta a este método de dependência das ciências sociais, que é a falta de fé na suficiência das  Escrituras como único meio de pregação do evangelho e de transformação espiritual do convertido.
No capitulo 4, “A Ênfase do Movimento à Cultura”, o autor liga uma ponte do último ponto abordado, o uso das ciências sociais no processo de transmissão do evangelho, para uma conclusão obvia em que o “movimento” tende a dar ênfase exagerada a questão da adequação cultural do processo de crescimento da igreja. O elemento transcultural é visto por McGrath como de suma importância para se compreender a eficácia da pregação evangélica em culturas diferentes. O conceito de “unidade homogênea” é visto neste capitulo, cujo ponto é que pessoas são alcançadas, preferencialmente, por outras semelhantes a elas.
Em seguida, no quinto capitulo, “Propósitos, Estatísticas, Resultados e Missões”, Smith passa a considerar, à luz do Movimento de Crescimento de Igrejas, a metodologia pragmática explicitamente assumida pelos postulados do movimento.
Estatísticas é o ponto que norteia a forma como se deve administrar a obra missionária para o movimento de crescimento de igrejas. Uma verdadeira “numerolatria” toma conta e inspira o pragmatismo adotado abertamente pelos líderes que aplicam os princípios postulados no movimento.

No capitulo 6, “Pontos Positivos a Destacar”, depois do autor considerar todos os elementos históricos, metodológicos e teológicos do movimento de crescimento de igreja, ele destaca os pontos positivos observados em sua análise. Usa uma metáfora conhecida de "jogar a água da bacia fora sem jogar o bebê". Os pontos positivos que Smith destaca são: (1) O compromisso com a Evangelização (a preocupação sincera do movimento em proclamar o Evangelho); (2) O compromisso com o discipulado (não somente a capacidade de alguém professar racionalmente a fé, mas demonstrar através do ensino e acompanhamento pastoral que se tornou de fato um crente no Senhor Jesus); 3) Comprometimento com a igreja (a valorização da comunhão dos santos na igreja do Senhor). Por fim, o autor formula perguntas desafiadoras, entre elas se estamos de fato almejando ardentemente o crescimento numérico de nossas igrejas.
No sétimo e ultimo capitulo, o autor finaliza seu discurso (1ª parte do livro) com observações criticas sobre o movimento de crescimento de igrejas. Ele destaca em sua análise (1) a falta de uma boa hermenêutica, precisão teológica e base teológica; (2) a supervalorização do evangelismo em detrimento às demais tarefas da igreja (que é uma ênfase muito comum nos meios arminianos); 3) O perigo da perda do próprio Evangelho (a negociação dos princípios e valores do Evangelho para seu acondicionamento a cultura em que se prega); 4) O pragmatismo manipulativo (conseqüência natural do terceiro ponto); 5) A desmoralização dos pastores fieis (uma vez que a qualidade da obra é condicionada exclusivamente a taxa de seu crescimento quantitativo, conclui-se pelo movimento que se a igreja não cresce o problema é o líder ou pastor, que nem sempre condiz com a realidade dos fatos). 6) A aceitação da Teologia e da prática carismática (que é a popularização da igreja e sua práxis a um evangelho de sinais e prodígios e abertura litúrgica “ao gosto do freguês”).

PARTE II – PLANEJANDO OS RUMOS DA IGREJA: PONTOS POSITIVOS E CRÍTICA DE POSIÇÕES CONTEMPORÂNEAS (F. Solano Portela Neto).
O autor da segunda e terceira parte desta obra, Pb. Solano Portela, destaca que:

 “O medo, justificado, da ‘ortodoxia morta’ resultou no ‘vale tudo  espiritual’ onde qualquer ação, desde que ‘cristianizada’ com palavras de ordem bíblicas, são admissíveis, não apenas na liturgia, como também no encaminhamento dos assuntos e das várias tarefas da igreja” (P. 69).
De fato, nós protestantes históricos, precisamos assumir boa parte da responsabilidade pelo caos teológico e eclesiológico instalado pelo movimento de crescimento de igrejas, porque deixamos um “vácuo” que foi ocupado por este, e outros movimento modernos de igrejas carismáticas e pragmáticas.

Mas ainda resta esperança. E a proposta desta segunda parte é elencar uma reflexão e apontar caminhos para um crescimento seguro, saudável e sustentável de nossas igrejas cristãs. O planejamento precisa ser visto como um mandamento bíblico (capitulo 1), sob a soberania de Deus, que em matéria de economia e sabedoria é a fonte límpida de onde podemos beber, em sua Palavra. O planejamento que harmoniza com os decretos de Deus visa estrategizar ações e não resultados. Planejar não é “pragmatizar”, mas, depender do Espírito Santo utilizando ferramentas que ele mesmo proveu para executar a tarefa evangelizadora e de transformação legada a igreja de Cristo.

Nesta caminhada em busca do planejamento é preciso prudência para evitar o que Solano chama no capitulo 2 de “armadilhas”. Idéias equivocadas que são “vendidas” facilmente e podem ser incorporadas ingenuamente se não houver bastante reflexão ético-teológica, tais como (1) considerar a igreja refém de uma abordagem cientifica e sociológica como meio de obter seus resultados, (2) considerar a igreja um empreendimento de negócios, e, portanto, administrá-la à luz das técnicas de mercado; (3) depreciar a teologia do pacto, considerando o crescimento biológico (o nascimento de filhos dos crentes) como de menor importância comparado a conversão de incrédulos; (4) O conceito equivocado do que seja a tarefa de evangelizar, considerar, por exemplo, que o investimento com o sustento pastoral não pode ser contado como investimento de evangelização, desprezando assim o poder do púlpito e do ensino de qualidade como ferramentas evangelizadoras; (5) A interpretação errada do que vem a ser “igreja reformada sempre reformando”, atribuindo a Reforma em si, inovações teológicas e litúrgicas, usando isto como pretexto para abertura da igreja para uma prática e teologia estranha, travestida de modernidade.

O autor conclui esta segunda parte aplicando o texto de Lucas em Atos 2.47, de que é da esfera exclusiva da soberania de Deus o crescimento da igreja. O que não inválida de forma alguma o esforço que a igreja tem que realizar para implantar o programa redentivo, dentro da esfera da responsabilidade humana. Tarefas distintas (a de Deus e a da Igreja), ao mesmo tempo complementares.

PARTE III – EXPOSIÇÕES SOBRE EVANGELIZAÇÃO, MÉTODOS E CONTEÚDO.  F. Solano Portela Neto
Nesta última parte do livro, o autor, Pb. Solano Portela faz um estudo exegético de quatro trechos das Escrituras, de onde extrai princípios e métodos para uma evangelização bíblica, saudável e fidedigna à Palavra de Deus. São elas (2 Co 4.1-7); (2 Tm 2.1-3); (Fp 1.12-18) e (Gl1.1-10).
Na exposição do texto de 2 Coríntios 4.1-7 o autor demonstra algumas realidades envolvidas no ministério e evangelização. “O trabalho cristão não ocorre sem problemas”. E “O que fazemos, perante a realidade da constante rejeição do Evangelho?”. Fica claro que para nós reformados a evangelização é teocêntrica e a salvação é obra exclusiva e sobrenatural da Trindade.
No texto de 2 Timóteo 1.1-3, Solano expõe a ética da evangelização cristã. O caráter idôneo que deve delinear o pregador do evangelho.

E, finalmente, no texto de Filipenses 1.12-18 e Gálatas 1.1-10, Solano enfatiza a obra do Espírito em fazer progredir o Evangelho, mesmo que homens utilizem do evangelho com motivações incorretas. Se o conteúdo for preservado, Deus em sua soberania utilizará dos meios que quiser para que sua Palavra alcance os eleitos. O que Paulo deixa claro em Gálatas é que o conteúdo do Evangelho, a mensagem da graça, jamais poderá ser substituído, dilapidado, acrescentado, sob qualquer pretexto pragmático ou metodológico que seja.

O livro é consistente, conciso e em linguagem simples pode ser lido por qualquer cristão, em especial aqueles que lidam diretamente com o ministério de evangelização e plantação de igrejas. Foi para mim muito edificante e acrescentou conhecimentos históricos e teológicos com respeito ao movimento de crescimento de igrejas, o recomendo com louvor.

segunda-feira, 19 de março de 2012

QUANDO ENFRENTAMOS DESERTOS





QUANDO ENFRENTAMOS DESERTOS

“Logo após, o Espírito o impeliu para o deserto” (Marcos 1:12).
Rev. Afonso Celso de Oliveira

Existem épocas em nossa vida que nos marcam profundamente, com uma forte impressão de estarmos absolutamente sozinhos. Momentos de tribulação, de profunda solidão, angústia e, por que não dizer, de desespero e desassossego da alma. Quem já não enfrentou tais emoções? Certo pregador disse, com sabedoria, que tribulação na vida de um crente é cíclica. Ou seja, estamos entrando, ou no meio, ou saindo de uma. O fato é que, se pesarmos na balança da vida os momentos que vivemos, iremos descobrir que boa parte de nossa existência foi forjada em meio às tribulações.

Analogamente, tribulação é comparada na Bíblia com momentos de deserto. Aqueles momentos cinzentos em que parece que Deus nos levou para o exílio. Ali, no deserto, somos tratados, provados, purgados, esvaziados de nós mesmos, para depois sermos cheios por Deus, encorajados, fortalecidos, amadurecidos e devolvidos à rotina do mundo que vivemos.

Vários personagens bíblicos experimentaram tempo de deserto em suas jornadas. Abraão, Jó, Jacó, José, Moisés, Davi, Jeremias, Isaías, João Batista, Jesus, Paulo e outros. Todos esses foram provados, aprovados, desafiados, treinados, fortalecidos e encorajados. O “deserto” é o seminário de Deus para treinamento de seus obreiros, alguém já disse.

Por que temos medo do deserto?

Porque ninguém gosta da sensação de impotência, de sentir-se sozinho, de não ter respostas rápidas e eficientes para as crises da vida. O sentimento de independência está entranhado na natureza humana, e o reverso, que é depender de outrem, nos assusta, principalmente quando esse outrem é invisível, silencioso e aparentemente distante.

No entanto, é justamente no meio do deserto que experimentamos as mais belas evidências de que não estamos sós. Deus fala, e fala muito, no meio do silêncio de nossa angústia. O salmista bem disse que para ouvir a voz divina é preciso aquietar-se. “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus...” (Salmo 46.10a ARA). Deus falou com Elias no silêncio da caverna (I Reis 19.13), e com Moisés em meio à sarça que ardia, no deserto ocidental. (Leia Êxodo 3.1-12). O apóstolo Paulo só pôde começar seu ministério de Apóstolo aos gentios depois de ser levado ao deserto para formar-se no seminário de Cristo, seu novo Mestre. E ficou ali, em Damasco, por três anos! (Cf. Gálatas 1.17,18.)

O deserto é lugar de tribulação o método de Deus para formar homens fiéis e comprometidos com sua obra. “Alegrem-se na esperança, sejam pacientes na tribulação, perseverem na oração” (Romanos 12.12 NVI). Ninguém está perfeitamente apto ao serviço cristão enquanto não for depurado pelo fogo do deserto. Deus não faz isso como punição, mas como purificação de um povo exclusivamente seu. O deserto é tribulação? Sim! Mas o deserto é bênção também. Quantas vezes Jesus se retirou para lugares desertos com o propósito de estreitar os laços de comunhão com seu Pai? Diversas vezes conforme nos relata os Evangelhos (cf. Mt 4.1; 14.13, 23; Mc 1.12; 1.35; Mc 6.32, 47; Lc 4.1; Jo 6.15; 11.54; 16.32).

Creio, que o mais importante não é como entramos no deserto, mas como nos comportamos nele, e, principalmente, como saímos dele. O que fará verdadeira diferença serão as preciosas lições de vida que levaremos juntos em nossa biografia tão curta na existência deste mundo. Em segundo lugar, até mais importante que o primeiro aspecto mencionado, é que, mesmo com a sensação de vazio e solidão que o deserto provoca em nossas percepções, é digno de consolação saber que nunca atravessamos esses períodos sozinhos. O Senhor Jesus prometeu que sempre, sempre, estará conosco, até a consumação dos tempos. Jesus está conosco! Podemos louvá-lo como Davi e dizer com plena confiança: “Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo” (Salmo 23.3).

O filho que nasce no deserto da tribulação é a perseverança, que, por sua vez, gera outro filho que é a experiência. E a experiência trará um lindo “bisneto”, a esperança. Ninguém compra nem adquire esses atributos sem passar pelo deserto.
E não somente isto, mas também nos gloriamos nas próprias tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança; e a perseverança, experiência; e a experiência, esperança” (Romanos 5.3,4).

Seguir por e-mail