terça-feira, 24 de julho de 2007

Mãe de vítima critica Lula em carta ao governo




fonte:terra.com.br

Adi Maria Vasconcellos Soares, mãe de Luís Fernando Soares Zacchini, 41 anos, uma das vítimas do acidente com o avião da TAM, há uma semana, divulgou uma carta (veja íntegra abaixo) dirigida aos governantes e à família brasileira, na qual critica a atitude do governo em relação ao acidente.

"Aos governantes e à família brasileira,

Perdi o meu único filho.

Ninguém, a não ser outra mãe que tenha passado por semelhante tragédia, pode ter experimentado dor maior.

Mesmo sem ter sido dada qualquer publicidade à missa que ontem oferecemos à alma de meu filho, Luís Fernando Soares Zacchini, mais de cem pessoas compareceram. Em todos os olhos havia lágrimas. Lágrimas sinceras de dor, de saudade, de empatia. Meus olhos refletiam todos os prantos derramados por ele, por mim, por seu filhinho, por sua esposa, por todos parentes e amigos. Por todos os sacrificados na catástrofe do Aeroporto de Congonhas.

Há muito eu sabia que desastres aéreos iriam acontecer. Sabia que os vôos neste país não oferecem segurança no céu e na terra. Que no Brasil a voracidade de vender bilhetes aéreos superou o respeito à vida humana. A culpa é lançada sobre um número insuficiente de mal remunerados operadores aéreos ou sobre as condições das turbinas dos aviões. Um Governo alheio a vaias é responsável pelo desmonte de uma das mais respeitáveis e confiáveis empresas aéreas do mundo, a VARIG, em benefício da TAM, desde então, a principal provedora de bilhetes pagos pelo Governo. Que a opinião pública é desviada para supostos erros de bodes expiatórios, permitindo aos ambíguos incompetentes que nos governam continuarem sua ação impune. Que nossos aeroportos não têm condições de atender à crescente demanda de vôos cujo preço é o mais caro do mundo. Quando os usuários aguardam uma explicação, à falta de respeito ao cidadão juntam-se o escárnio e a cruel vulgaridade de uma ministra recomendando aos viajantes prejudicados que relaxem e gozem. Assuntos de alcova não condizentes com a reta postura moral e respeito exigidos no exercício de cargos públicos. Assessores do presidente deste país eximem-se da responsabilidade e do compromisso com a segurança de nosso povo exibindo gestos pornográficos. Gestos mais apropriados a bordéis do que a gabinetes presidenciais. Ao invés de se arrependerem de uma conduta chula, incompatível com a dignidade de um povo doce e amável como o brasileiro, ainda alardeiam indignação, único sentimento ao alcance dos indignos. Aqueles que deveriam comandar a responsabilidade pelo tráfego aéreo no Brasil nada fazem exceto conchavos. Aceitam as vantagens de um cargo sem sequer diferenciarem caixa preta de sucata. Tanto que oneraram e humilharam o país ao levar o material errado para ser examinado em Washington. Essas são as mesmas autoridades agraciadas com louvor e condecorações do Governo em nome do povo brasileiro, enquanto toda a nação, no auge de sofrimento, chorava a perda de seus filhos.

Tudo isto eu sabia. A mim, bastava-me minha dor, bastava meu pranto, bastava o sofrimento dos que me amam, dos que amaram meu filho. Nenhum choro ou lamento iria aumentar ou minorar tanta tristeza. Dores iguais ou maiores que a minha, de outras mães, dos pais, filhos e amigos dos mortos necessitam de consolo. A solidariedade e amor ao próximo obrigam-nos a esquecer a própria dor.

Não pensei, contudo, que teria de passar por mais um insulto: ouvir a falsidade de um presidente, sob a forma de ensaiadas e demagógicas palavras de conforto. Um texto certamente encomendado a um hábil redator, dirigido mais à opinião pública do que a nossos corações, ao nosso luto, às nossas vítimas. Palavras que soaram tão falsas quanto a forçada e patética tentativa que demonstrou ao simular uma lágrima. Não, francamente eu não merecia ter de me submeter a mais essa provação nem necessitava presenciar a estúpida cena: ver o chefe da nação sofismar um sofrimento que não compartilhava conosco.

Senhores governantes: há dias vejo o mundo através de lágrimas amargas mas verdadeiras. Confundem-se com as lágrimas sinceras e puras de todos os corações amigos. Há dias, da forma mais dolorosa possível, aprendi o que é o verdadeiro amor. O amor humano, o Amor Divino. O amor é inefável, o amor é um sentimento despojado de interesse, não recorre a histriônicas atitudes políticas.

Não jorra das bocas, flui do coração!

E que Deus nos abençoe!

Adi Maria Vasconcellos Soares

Porto Alegre, 21 de julho de 2007।




sábado, 14 de julho de 2007

UM PRESIDENTE HILÁRIO



"Nunca na história deste país...” é o início de várias frases que o ex-presidente Lula sempre dava um jeito de encaixar em seus discursos improvisados quando tinha que inaugurar alguma obra, participar de algum encontro ou solenidade pública. Lula se gabava de vários feitos em seu governo como se a maioria daquilo que fizesse fosse inédito. É verdade que em seu governo houve muitos acertos em algumas questões como, por exemplo, a manutenção da política econômica herdada do governo anterior (eu penso que talvez seja a única coisa certa que fez, apesar de não ser perfeita). Entretanto, as galhofas de Lula passaram dos limites do bom senso e da verdade.
Aonde Lula pensa que estava? Que país de fato é esse que ele governou? Será que quando ele vinha a público fazer críticas à imprensa, à classe média e aos brasileiros que vivem ou viajam ao exterior, o presidente tem firme convicção que está no Brasil? O Brasil de verdade, e não o que os marqueteiros políticos querem mostrar na mídia paga à nossa sociedade.
De Lula ouvimos algumas pérolas que com certeza farão parte de seu histórico governista para as gerações futuras, como as piores gafes de todos os tempos. Ele disse em uma solenidade da pasta do turismo que o brasileiro só não viaja mais dentro do Brasil por causa da imprensa. Porque a imprensa tem noticiado muitos crimes, roubos, assaltos, arrastões, balas perdidas, violência, descontrole das autoridades, caos aéreo, problemas nas estradas, etc. Com essa crítica alucinógena, o presidente do “país das maravilhas” quer passar para nós brasileiros tupiniquins que os problemas da vida real na verdade fazem parte somente das páginas dos jornais e que de fato isso tudo é um exagero. Ora, venhamos e convenhamos, acredito que a imprensa séria gostaria de ter em suas manchetes principais apenas boas noticias. Entretanto, quando a imprensa traz esses fatos tristes do cotidiano ela cumpre apenas com seu papel informativo. Caberia ao governo trabalhar com uma gestão mais eficiente para resolver estes graves problemas que temos na segurança e, assim, o brasileiro poderia sair mais às ruas, a passeios com a família, e conhecer as belezas do nosso país com mais tranquilidade.
Outra “pérola” que ouvimos de sua sapiência presidencial foi quando criticou os brasileiros que viajam ao exterior, ou que residem lá fora, ao dizer que esses falam muito mal do Brasil. Ou seja, se o Brasil tem uma imagem ruim no exterior é culpa de brasileiros falastrões, pois afinal, estes maus brasileiros é que falam mal do Brasil lá fora. O presidente justificou sua critica ao citar que, por exemplo, os italianos não falam mal da Itália, os suíços não falam mal da Suíça, e assim quis passar a mensagem de que o problema é que os brasileiros são muito críticos. Lula se esquece de que talvez os suíços e os italianos, como vários outros cidadãos do mundo, não tenham um arsenal de motivos tão grande, como nós brasileiros temos, para fazer crítica ao nosso país tupiniquim. Provavelmente os suíços e italianos não falam mal de seus países de origem porque eles, obviamente, nasceram e vivem lá. Porém, qual seria a atitude desses se porventura tivessem nascido e vivido aqui? O Brasileiro fala mal do Brasil porque lhe sobram motivos para isto. Basta olhar para o que ocorre na casa do povo, o chamado Congresso Nacional, e nas outras esferas do poder que regem nossa pátria. Temos ou não motivos para falar “mal”?
E o ultimo provérbio de nosso sábio presidente é que “o brasileiro paga pouco imposto”. Essa era pra entrar no Top Five do CQC. Ele, em um surto de delírio, talvez movido pela euforia do produto da cana-de-açúcar (não o etanol combustível e sim outro legitimo produto de preferência nacional de muitos brasileiros) afirmou essa preciosidade. Ele disse que a “conta não fecha”. “Como os brasileiros querem receber as benesses da União e do Estado se pagam pouco imposto?”, afirmou. Ora presidente, será que nós é que somos “aloprados” (disso o PT e Vossa Excelência entendem bem), ignorantes e instáveis? O Brasil é a nação que tem a maior carga tributária do mundo. Todo brasileiro paga imposto, seja ele trabalhador formal ou não, empresário, microempresário, etc. Especialistas da área afirmam que nós trabalhamos até o dia 20 de maio de cada ano apenas para pagar tributos (ICMS, ISS, INSS, FGTS, PIS, COFINS, IR, CPMF, etc...) e não temos absolutamente a aplicação desses recursos de bilhões convertidos em uma contrapartida básica, constitucional, de saúde, educação, saneamento, habitação, alimentação, etc. Ou alguém duvida disso? Só os loucos! Ou os políticos que vivem das “mamatas” das emendas constitucionais.
Acho que só Lula e seus apadrinhados pensava assim, ou fingem pensar. Só Lula acha que “nunca na história deste país um governo fez o que fez...” Enquanto isso, nossa vida normal de pobres mortais continua... como nunca na história deste país!

quinta-feira, 12 de julho de 2007

TATIANE - PRESENTE DOS CÉUS



"...ALEGRIA DO SENHOR É A VOSSA FORÇA"  Ne 8.10b

Fiel companheira, amiga de todas as horas.
Compartilhar as coisas da vida ao seu lado
faz com que os dias sejam mais doces e as lutas
se tornem transponiveis.
Se já não bastasse a etenidade, Deus, de tão
bom que é, ainda me presenteia com a beleza
de tua existência ao meu lado.

Publicado originalmene no dia 12/07/2007

SÍNDROME DE CAIM - FUGINDO DA RESPONSABILIDADE





Creio que está na memória de todos o que ocorreu recentemente com a empregada doméstica Sirlei Dias de Carvalho Pinto, quando a mesma foi covardemente agredida por um grupo de jovens, residentes da Barra da Tijuca-RJ, de classe média alta. Este fato ocorreu no fim da madrugada do dia 23 de junho de 2007.
Após levar vários golpes na cabeça, correndo risco da própria vida, e de ter sua bolsa assaltada, Sirlei conseguiu escapar da fúria de seus algozes com vários hematomas no corpo e escoriações generalizadas. Tudo poderia ter ficado às ocultas a sociedade e a justiça se não fosse um ato de cidadania, indignação e solidariedade de um motorista de Táxi. Esse cidadão testemunhou o ocorrido, seguiu os agressores, anotou a placa do carro onde estavam e os delatou a policia, que assim pode identificar e prender o dono do veículo, que entregou também seus comparsas.
Presos por policiais os rapazes alegaram como justificativa para a barbárie que fizeram, o fato de terem confundido a vítima com uma prostituta. Desculpa tão torpe a semelhança da que deram os assassinos do índio Galdino, que disseram ter confundido um genuíno cidadão brasileiro (seus ascendentes estavam aqui antes de nós) com um mendigo. Se bem que mendigo também é gente e cidadão.
O pai de Sirley, o pedreiro Renato Moreira Carvalho, lúcido e sábio disse: — "O problema é que os jovens de hoje estão muito soltos, sem limites. Por isso, estão tão violentos. Se os pais procurarem saber o que os filhos fazem fora de casa, podem melhorar muito esse caos".
O que sobrou de lucidez e bom senso ao pai de Sirlei, faltou aos pais destes jovens agressores. Um dos pais dos "meninos" disse a imprensa: - "Queria dizer à sociedade que nós, pais, não temos culpa. Mas não é justo manter presas crianças que estão na faculdade, estão estudando, trabalham. Não concordo com a prisão na Polinter, ao lado de bandidos. Vão acabar com a vida deles. Peço ao juiz que dê uma chance aos nossos filhos".
Ao tentar explicar a quantidade de hematomas que a vítima carrega no corpo, este pai disse que “Sirley é mais frágil por ser mulher, por isso fica roxa com apenas uma encostada”. Ao contrário do homem que, segundo ele, é mais resistente.
- "Lógico que é difícil compreender o que eles fizeram. O álcool e, talvez até drogas, pode ter sido um fator motivacional para tamanha brutalidade. Isso tudo mudou a minha vida. Agora, vão ver o meu filho como o monstro que ele não é "- concluiu o pai de um dos pobres rapazes. 

 
O que nos chama a atenção neste caso, semelhante ao caso do índio Galdino, é a transferência de responsabilidade a outros. Os rapazes disseram que a culpa era do álcool, e da própria vítima que tinha aparência de um "prostituta". Como se prostituta também não fosse gente.


 
Os pais dos meninos transferiram a responsabilidade da agressão de seus filhos ao álcool, as drogas, e a fraqueza da mulher que ficou roxa só de encostar. Os assassinos do índio Galdino transferiram a responsabilidade ao fato de terem confundidos o índio com um mendigo, desculpa torpe e preconceituosa semelhante a dos “playboys” cariocas. 
O que todos estes casos têm em comum é a transferência de responsabilidade. Isto não é de hoje. Nós seres humanos temos registrado em nosso DNA este traço adquirido na queda pelo pecado de Adão: o fato de não assumirmos, ou termos dificuldades de assumir responsabilidade diante de Deus, diante da sociedade, diante da família e diante de nós mesmos.
Os exemplos cotidianos são fartos em provar esta tese do “descompromisso” que envolve a todos nós. Nossa geração perdeu a capacidade de se indignar com a injustiça, com a corrupção, com a imoralidade, com o pecado. Por isto não nos choca mais as noticias bombas que surgem a cada semana em Brasília, pois sentimos que parece não valer a pena protestar tendo em vista que a impunidade é nossa única certeza. Quando estamos diante destes atos de brutalidade humana, como ocorreram recentemente, o assassinado de João Hélio, e a agressão a Sirley, acompanhamos de longe tudo isto, e ficamos parados sem fazer nada. Sem ao menos orar pelas famílias e para que se faça justiça com a graça de Deus. Também, de certa forma, nos acostumamos a fugir da responsabilidade, assim como fez Caim quando Deus o perguntou: “Onde está o teu irmão?”
Do exemplo bíblico do relato do crime de Caim, podemos extrair algumas verdades:
1.     O DESEJO PECAMINOSO PODE E DEVE SER CONTROLADO PELO HOMEM.
“...Aconteceu que no fim de uns tempos trouxe Caim do fruto da terra uma oferta ao SENHOR. Abel, por sua vez, trouxe das primícias do seu rebanho e da gordura deste. Agradou-se o SENHOR de Abel e de sua oferta; ao passo que de Caim e de sua oferta não se agradou. Irou-se, pois, sobremaneira, Caim, e descaiu-lhe o semblante. Então, lhe disse o SENHOR: Por que andas irado, e por que descaiu o teu semblante? Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo” (Gn 4:3-4)
Caim ficou com ciúmes, inveja pelo fato de Deus ter se agradado das puras intenções de adoração de Abel e assim ter aceitado sua oferta, e ao contrario dele Caim, tê-lo rejeitado e sua oferta, uma vez que o Criador percebeu as intenções espúrias do coração de Caim.
Não se pode enganar a Deus. Ele conhece o nosso coração, conhece o intimo do nosso ser. Podem-se enganar pessoas, a família, o cônjuge, os amigos, a igreja, a sociedade, o eleitorado, pode-se até mesmo enganar a si mesmo. Mas a Deus é impossível!!!
“Ocultar-se-ia alguém em esconderijos, de modo que eu não o veja? — diz o SENHOR; porventura, não encho eu os céus e a terra? —diz o SENHOR.” (Jeremias 23:24 ARA)
O descontrole de Caim levou-o a cometer o primeiro homicídio registrado na Bíblia. Mesmo assim ele recebeu uma palavra do próprio Deus que lhe perguntou: “Por que lhe caiu o semblante?” em outros termos seria o mesmo que: “Por que tu estas assim pesaroso, pensativo, irado, cara fechada? Deus estava dando a oportunidade a Caim de ele desabafar e confessar o que estava lhe causando aqueles sentimentos maus. E junto com esta oportunidade um aviso importante: “seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo”. O inimigo de Caim não era Abel, o justo. E sim, o próprio Caim. Cabia-lhe o domínio desses pensamentos e desejos malignos. O inimigo dos jovens da Barra não era a doméstica, nem mesmo as prostitutas, nem o álcool, nem as drogas, mas eles mesmos. Assim também com os jovens que mataram o índio, com os políticos que aceitaram o papel de corruptos, com todos nós que nos curvamos as tentações e aos desejos maus. O orientação divina ainda ecoa nestes dias: “..a ti cumpre dominá-lo”. Temos um leão adormecido dentro em nós chamado pecado. Despertar este leão é perigoso. Uma forma de anulá-lo é matando-o, e a forma de matá-lo eficazmente sem desperta-lo é pela inanição. Não alimente o pecado e ele tenderá a morrer. Não alimento um desejo mau, um pensamento ruim, um sentimento mau e ele tenderá a diminuir até desaparecer por completo.
2.     DEUS TRARÁ A LUZ TUDO AQUILO QUE ESTIVER ENCOBERTO PARA SER JULGADO.
Caim matou Abel e pensou talvez que tudo iria ficar bem. Afinal, não havia aparentemente testemunhas do crime perfeito. E mesmo que fosse pego não existiam cadeias ainda construídas, não existia sistema penal, nem juiz sobre a terra para julgá-lo. Ainda não tinha nesta época a imprensa para denunciá-lo, nem população suficiente para pressionar uma CPI. O que ele esqueceu é que existia uma câmera oculta que filmou toda a cena. São os olhos de Deus, de quem ninguém escapa. Na verdade todos nós estamos despidos diante do olhar poderoso e onipresente do Deus santo. Deus viu; isto basta!
Deus vê os pecados dos homens, de todas as épocas, em todos os lugares, de todas as espécies. Deus viu o pecado dos jovens contra a doméstica. Ele vê o pecado dos políticos, dos poderosos, dos simples e dos humildes. Deus vê todas as coisas, e com Caim não foi diferente.
Ele interroga a Caim: “Onde está teu irmão Abel”? Que pergunta heim? Mais uma daquelas “perguntas de diagnóstico”. A mesmo do tipo que uma mãe faz quando interpela: “quem pós o dedinho aqui no bolo?” Ora, isto é pergunta retórica, daquelas que sabemos a resposta e estamos apenas esperando a confirmação da outra parte para começar a tratar do assunto de frente.
Deus fez isto com Caim. O propósito de Deus foi tratar de frente o pecado de Caim. Foi-lhe dar a segunda chance com certeza de reconhecer voluntariamente seu erro e lhe pedir perdão. Deus faz isto conosco ainda hoje. Ele pergunta ao nosso coração coisas do tipo: "onde estás?”, "o que está fazendo?”, "o que é isto?" , etc., não com o propósito de nos desnudar e nos expor a vergonha pública, mas com intenções amorosas de nos propiciar oportunidade de confissão e arrependimento.
Deus perguntou a Davi por meio do profeta Natã: “Por que pois desprezaste a palavra do Senhor fazendo mal perante ele?” (2 Sm 12.9a). Quando pecamos não temos como nos ocultar por muito tempo do confronto com a santidade de Deus. Antes que sejamos levados ao tribunal divino é preferível procurarmos a Deus humildemente e entrarmos em um acordo com ele por meio da confissão e o arrependimento genuíno, conforme nos ensinou Jesus através da parábola do juiz. “Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz, ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão.” (Mateus 5:25 ARA)
3.     O HOMEM É ESPECIALISTA EM FUGIR DA RESPONSABILIDADE, COMO SE ISTO FOSSE O LIVRAR DO ACERTO DE CONTAS COM DEUS.

Isto é uma tendência mundial, fugir da responsabilidade. E não é de hoje, vem desde o tempo do Éden. Adão fugiu, Caim esquivou-se ao ser perguntado “onde está teu irmão”. Ele deu uma resposta malcriada a Deus: “acaso sou eu tutor (responsável) por Abel?” Os jovens tentaram fugir da responsabilidade. Alegaram estarem bêbados, drogados. Alegaram confusão mental ao comparar a doméstica com prostituta. Os pais fugiram de suas responsabilidades ao afirmarem não terem culpa. Ao tentarem defender o filho dizendo que eram meninos, estudantes, de família boa, tinham emprego e, portanto, era injusto que eles fossem parar atrás das grades. Tentaram desclassificar o crime bárbaro a uma simples “encostada que deixou roxa a mulher”.
Os políticos explicam, explicam, explicam, e não dizem nada. Usam o “embromeixam” e tem a cobertura do corporativismo de colegas que tem telhado de vidro, do presidente da república que parece morar em outro pais que não seja o seu próprio, de forças ocultas do Supremo que engavetam seus processos após anos de enrolação jurídica.
Nós todos de certa forma temos a cultura da “enrolação”, somos especialistas na dissimulação e a fugir da responsabilidade. O pai olha pra mãe e diz: "você não dá um jeito neste menino". A mãe responde: "tu não me ajuda em nada". O guri percebe a falta de pulso dos pais e depois mais tarde saí com esta: "a culpa é de meus pais que me deixaram muito solto”. E por ai se vai...
O sábio Salomão viveu muitos anos de forma pecaminosa, rodeado de mil mulheres. Se pensarmos que provavelmente ele tinha mil sogras este homem tinha tudo pra enlouquecer. Entretanto, no fim de sua vida, depois de muito curtir à sua maneira a vida, ele cai na real e escreve: “Alegra-te, jovem, na tua juventude, e recreie-se o teu coração nos dias da tua mocidade; anda pelos caminhos que satisfazem ao teu coração e agradam aos teus olhos; sabe, porém, que de todas estas coisas Deus te pedirá contas.” (Eclesiastes 11:9 ARA).

4. NOSSA ATITUDE HOJE DEFINIRÁ COMO SEREMOS TRATADOS AMANHÃ
Caim tentou fugir, tentou enrolar a Deus. Não demonstrou verdadeiro arrependimento ao ser confrontado. Não chorou as lágrimas do arrependimento e sim as lágrimas de quem não gostou da disciplina. Seu fim foi ser banido da presença graciosa de Deus.
Adão, seu pai foi confrontado, também tentou-se esquivar com a desculpa de que “foi a mulher que tu me destes”, e também perdeu regalias na presença do Altíssimo que antes possuía.
Davi, contudo, ao ser confrontado por Deus através de Natã chorou em arrependimento e teve por isto sua situação atenuada aos olhos de Deus. Ele não morreu como era previsto pela lei dos homicídios. Deus lhe perdoou, sem, contudo cancelar outras graves consequências de seu pecado. Pedro negou a Jesus, mas também se arrependeu e foi perdoado de tal maneira que Jesus lhe concedeu lugar de privilégio no colégio apostólico onde Pedro foi um dos expoentes. Entretanto, Judas teve um fim terrível.
Nossa atitude de hoje refletirá eternamente na nossa vida, poderá determinar de forma contundente nosso futuro, e o futuro de nossa família.
É preferível ficar amarelo de vergonha e acertar um erro hoje diante das pessoas que causamos algum prejuízo, e diante dos olhos de Deus de quem pecamos, do que ficar vermelho de raiva como Caim, Judas e outros que recusaram a oferta de graça e preferiram manter suas desculpas, fugindo da responsabilidade.
Um grande teste para nosso caráter é a capacidade prática que devemos demonstrar em aceitar assumir responsabilidades. Assumir erros, mentiras, desculpas, hábitos pecaminosos e humildemente deixarmos sermos tratados por Deus da forma que ele queira. E Deus sabe tratar bem um compungido e humilde de coração!

Publicado originalmente no dia  12/07/2007.



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